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A bicicleta como Eu preciso!

Revista Bicicleta por Antonio Olinto
8.959 visualizações
30/09/2015
A bicicleta como Eu preciso!
Foto: Rafaela Asprino

Meu pai contava que quando era pequeno em Ipaussu-SP, somente os filhos de fazendeiros podiam ter uma bicicleta. Como era filho do sapateiro, a tão sonhada bicicleta demorou, só veio na adolescência através de um sorteio, após completar um álbum de figurinhas.

Com um sorriso orgulhoso ele comentava que seu prêmio, uma Philips novinha, ficou exposta por uma semana na agência dos correios da cidade antes do Jorginho Ferreira poder, finalmente, sair para se exibir com ela.

Atualmente a bicicleta tem se tornado bem mais acessível. Alguns fabricantes diversificam seus modelos para um mercado que busca produtos cada vez mais específicos para suas necessidades.

Nada mais específico que as necessidades de quem mora em um motorhome como nós. Este ano decidi falar com meu amigo Caio Salerno para ajudar a resolver meus problemas de espaço:

“Caio, preciso de uma bicicleta dobrável para facilitar o trabalho de colocar e retirar de dentro do motorhome”, disse.

“Olinto, a maior parte das dobráveis são para uso urbano, geralmente aro 20, elas ficam bem pequenas, mas será que serão suficientes para seu uso”?
 
Alguns amigos europeus e brasileiros utilizam bicicletas dobráveis para o dia a dia com inúmeras vantagens práticas, mas estão sempre restritos às cidades.

Respondi: “não dá, pois além do trabalho de ir e voltar para os Correios a gente usa as mesmas bicicletas para fazer os mapeamentos. Preciso de algo melhor, algo como uma bicicleta de montanha, você conhece”?

“Bem, eu não produzo, mas tenho um amigo que produz. Vamos falar com ele e ver o que pode ser feito”.

Fizemos uma reunião em São Paulo com o Tito na loja AdoroBike e ele comentou: “Olinto, seria um prazer poder ajudar, mas nossa bicicleta “To Go” é projetada para uso recreacional e possui somente sete velocidades. Não posso garantir sua satisfação para o uso que pretende, mas você pode tentar”.

Pronto, era isso que precisava, ter a bicicleta em mãos e ver as reais possibilidades. Primeiro percebemos que, apesar do sistema de dobra, continuava sendo uma bicicleta leve e rígida como uma bicicleta normal, nada a ver com uma dobrável aro 20 com aquela haste de guidão enorme. O tamanho do quadro era confortável tanto para mim quanto para a Rafa e sua estrutura segura e robusta o bastante para o uso que pretendíamos fazer. Só precisávamos melhorar o câmbio de sete velocidades. Mais um trabalho para o MacGyver!

A rigor, se substituir a coroa simples por uma tripla já conseguimos vinte e uma velocidades, igual a bicicleta que fiz a volta ao mundo. No começo da moda de bicicletas de montanha muita gente fazia este tipo de alteração e dava certo.

Mais que ter um monte de marchas é importante ter uma grande amplitude de combinações para que possa alcançar boa velocidade no plano e nas descidas, assim como marchas que permitam vencer caminhos inclinados.

Gostaríamos de aproveitar, tanto quanto possível, os componentes originais, sendo assim, mantivemos o cubo traseiro que usa o sistema de “catracas”, engrenagens integradas com a roda livre rosqueadas diretamente no cubo. Escolhemos a Mega Range porque seus 34 dentes combinados com os 24 da menor coroa seriam suficientes para uma bicicleta com pouca bagagem.

Aqui estão todas as peças que trocamos ou substituímos na própria fábrica em Mococa:

• Coroa tripla. 
• Câmbio da coroa.
• Alavanca de câmbio da coroa tripla.
• Cabo de aço com conduíte para o câmbio da coroa.
• Catraca Mega Range.

Imaginávamos que com mais coroas teríamos que trocar o eixo do movimento central (dos pedais), mas a coroa tripla ficou perfeitamente posicionada. Entretanto, surgiu um pequeno grande problema.

A To Go já vem com ponto de fixação para caramanhola e bagageiro, mas não é preparada para receber câmbio dianteiro, sendo assim,  não tem a trava de conduíte, que é uma peça soldada ao quadro durante a fabricação.

Para não danificar a pintura com uma solda, fizemos uma pequena peça para substituir. Peguei um pedaço de metal cilíndrico, fiz um furo para passar o cabo de aço e outro, um pouco maior, para acomodar o conduíte. Soldei esta peça a uma abraçadeira, pintei de preto e pronto, problema resolvido.

Sei que é cedo para falar sobre durabilidade, mas já fizemos toda a atualização para a quarta edição do guia Caminho da Fé e a To Go está inteira. Rodamos cerca de 1.000 km, pois para atualizar o guia tivemos que passar por todos os ramais do Caminho da Fé.

Ainda não esgotamos as possibilidades de melhorar os câmbios e marchas, mas da forma que se encontra dá para subir a ladeira para chegar à pousada da Dona Cidinha sem descer da bicicleta (veja o gráfico com o perfil altimétrico). Na descida, a partir dos 30 km/h, as pedaladas começam a ficar ineficientes, já que a relação é curta, mas considero esta velocidade suficiente.

Em nosso trabalho de mapeamento é necessário observar bem o caminho, sendo assim, pedalamos lentamente. A cada cruzamento temos que parar para anotar o ponto. Depois de chegar ao destino, voltamos para buscar o motorhome e aproveitamos para fotografar e filmar, ou seja, mais paradas... Performance não é exatamente uma necessidade para nós, mas praticidade...

Por vezes em minha vida percebi que estava fazendo coisas incomuns, não que gostasse de ser diferente, mas simplesmente por que estava mais interessando em resolver meus problemas que copiar o que era moda ou o que todas as pessoas faziam ou achavam melhor.

Para mim sempre foi importante ser prático. Por exemplo, antes da volta ao mundo, quando comecei a pedalar para perder a barriga, uma das vantagens que percebi na bicicleta sobre as academias era justamente o fato de poder começar a fazer exercício no momento em que saía de casa, ou seja, todo meu tempo livre era aproveitado.

Atualmente, vivendo em um motorhome, sei que se não for prático tirar a bicicleta de dentro do bagageiro a tendência letárgica do ser humano e a minha é não utilizar a bicicleta.

Antigamente carregava no bagageiro do motorhome uma bicicleta em cima da outra; para por ou tirar, nem que fosse somente uma bicicleta, era necessário duas pessoas. Agora, com as dobráveis, cada uma fica de um lado do bagageiro, e cada um pode retirar sozinho sua bicicleta a qualquer momento.

Por outro lado, por exemplo, quando temos que trocar o botijão de gás, é só retirar uma bicicleta e já podemos acessar o botijão que fica no fundo do bagageiro.

Com uma bicicleta dobrável e um pouco de criatividade qualquer um pode ampliar fronteiras. Uma dobrável cabe em qualquer lugar de casa ou do escritório. No encontro de cicloturismo, vi várias pessoas atravessarem a barca de Niterói para o Rio indo trabalhar utilizando dobráveis. Dentro do porta-malas do carro você pode estacionar fora do centro, montar sua bicicleta e fazer tudo o que precisa de forma mais prática e ecológica.

Para aqueles que não gostam de pedalar no trânsito é só estacionar no parque na volta do trabalho e fazer seu exercício diário, ou ainda ir até o primeiro posto de estrada e sair pedalando a partir de lá. Dentro do porta-malas a bicicleta fica escondida e, portanto, segura. Ela estará lá sempre que precisar e vai funcionar mesmo que seu carro quebre, acabe o combustível ou que a marginal feche por causa de uma manifestação.

Faz 16 anos que moro em um motorhome, carregar uma bicicleta comigo sempre foi vital por causa do meu trabalho, mas também me faz sentir seguro, afinal a bicicleta representa um back-up que está lá, sempre funcional mesmo que o automotor falhe ou encalhe.

“Mas Olinto, será que a dobrável vai aguentar!?”

Geralmente uma boa bicicleta aguenta muito mais do que imaginamos, a maior parte das peças de uma dobrável é igual a uma bicicleta comum. Estou atento ao mecanismo de dobra para ver se apresenta folga, se isto ocorrer é só apertar. No mais estamos utilizando a bicicleta normalmente, sem restrições, e pretendemos utilizar em nosso próximo mapeamento. Se apresentar algum problema eu conto... 

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