REVISTA BICICLETA - A evolução da hotelaria e os meios de transporte
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A evolução da hotelaria e os meios de transporte

A história da hotelaria está intimamente ligada à evolução dos meios de transporte. A atenção dos empreendimentos hoteleiros, agora, volta-se para o veículo do futuro: nossa querida bicicleta!

Revista Bicicleta por Anderson Ricardo Schörner
5.170 visualizações
01/10/2015
A evolução da hotelaria e os meios de transporte
Foto: Hotel: Dutourdumonde Photography / shutterstock.com / Ciclista: Poprotskiy Alexey / shutterstock.com

A hotelaria, para muitos historiadores, tem seu marco inicial com os Jogos Olímpicos na Grécia Antiga. O evento era tão importante que até mesmo as guerras em andamento eram interrompidas para as disputas esportivas. Em 776 a.C., os nomes dos campeões começaram a ser registrados. Foi no sopé do Monte Cronos, em Olímpia, que surgiu a primeira instalação com a finalidade única de hospedagem para os visitantes que se deslocavam para assistirem aos jogos olímpicos. 

A evolução do sistema de hospedagem também está ligada aos grandes deslocamentos do povo romano. Você já deve ter ouvido a expressão “todos os caminhos levam a Roma”. Ela remete à expansão do império, que fez com que os romanos iniciassem a construção de estradas que ligavam as cidades conquistadas. Como as viagens eram realizadas a pé ou a cavalo, com deslocamentos diários de algumas dezenas de quilômetros, exigiam locais de hospedagem, que a princípio eram casas particulares ou mesmo locais abandonados. No século IV a.C., os romanos já dominavam toda a Itália. No século I a.C., as redes de estradas interligavam toda a Península Itálica.

As regras de hospedagem nas estradas romanas eram rígidas. Um documento similar ao passaporte era exigido. O hoteleiro tinha que registrar o nome, cidade de origem e nacionalidade do hóspede. Como a maioria dos viajantes eram informantes do imperador, os donos de pousada eram obrigados por lei a relatar tudo o que ouvissem deles.

A queda do Império Romano tornou as estradas menos seguras para viagem, levando as pousadas a dificuldades financeiras, o que só melhorou com a cristianização e, novamente, a unificação do Império. No século XII, já se considerava seguro viajar de novo pelas estradas da Europa. Até em torno de 1840, quando surgiram as ferrovias, as carruagens foram um meio de transporte muito utilizado pelos hóspedes. As hospedarias dispunham até de cocheiras e estábulos para acomodar os cavalos, e algumas ofereciam ao viajante reserva e compra de passagens de diligências de carruagens, já que se tornavam ponto de chegada e partida dos peregrinos.

O surgimento das ferrovias representou outra crise para o setor de hotelaria. O novo meio de transporte tornou as viagens mais rápidas e diminuiu a demanda por hospedagem ao longo das estradas. Os novos hotéis e pousadas, então, passaram a se estabelecer nas redondezas das estações ferroviárias.

As regiões portuárias também passaram a contar com cada vez mais hospedarias. A explicação é que os navegantes agora passavam mais tempo nas cidades negociando, do que nos mares viajando. Surgiram, também, barcos a vapor para transporte de passageiros, e os deslocamentos a nível mundial se intensificaram. Nos EUA já existia um hotel com quartos de acomodação privada, com portas e fechaduras, diferente do conceito de hotelaria anterior, de quartos grandes com várias camas juntas. 

Em 1870, um hotel inaugurado em Paris, na França, representou o início da hotelaria planejada. Seus diferenciais eram banheiro privativo em cada quarto e empregados uniformizados. Neste momento, os locais de hospedagem já não eram mais pensados para o simples pernoite. Eles passaram a representar um local de conforto para que o turista pudesse usufruir de sua estada na cidade visitada. 

Avançando rapidamente na história, os hotéis e pousadas, a fim de oferecer conforto ao seu cliente, passaram a oferecer salas de jogos, salas equipadas para conferências e rodadas de negócios, internet wireless e até mesmo a disponibilidade de computadores para uso dos hóspedes. Durante muito tempo, o conforto encontrado nas hospedarias era, frequentemente, maior do que o conforto da própria casa.

Atualmente, porém, há um fenômeno interessante de volta ao passado. Hoje, o que o hóspede menos quer é ficar trancado em um quarto de hotel o dia inteiro. Cresce a popularidade de hostels, para alojamento coletivo, e redes de hospedagem em que pessoas compartilham a própria casa para receber os viajantes – parecido com o que acontecia no início da história da hotelaria. Procuram-se cada vez mais projetos como o Acolhida na Colônia, em que o viajante chega ao destino e se hospeda em pousadas ou casas de moradores e vivencia o cotidiano da cultura local. Busca-se, nestes casos, a experiência do contato com a cidade visitada.

Dito isto, que diferencial os empreendimentos hoteleiros podem oferecer aos seus clientes? Chegamos aqui a uma nova relação da hotelaria com os meios de transporte: a bicicleta. Sim, oferecer espaços adequados para estacionamento de bikes, receber bem o ciclista e oferecer serviços e infraestrutura que facilitem a sua vida tem se tornado um diferencial.

Além disso, o método de alugar bicicletas ou disponibilizá-las gratuitamente aos hóspedes, para que estes possam vivenciar a experiência do contato com o local visitado de forma eficiente e barata, também é uma oportunidade para atrair clientes. Mesmo aqueles que não são ativistas ou usuários diários da bike, sentem-se atraídos a conhecer a cidade pedalando. O sistema melhora a imagem do hotel, que demonstra interesse em contribuir com a redução de congestionamentos e poluição, e interesse em incentivar o comércio local, ao mesmo tempo em que melhora a imagem da bicicleta como solução moderna e dinâmica para os centros urbanos. E, além de tudo, pode evocar no hóspede, as sensações de andar de bicicleta. 

Uma pesquisa do Centro de Apoio ao Ciclista, realizada em 2013 com mais de mil pessoas, revelou dados interessantes. Publicada na Revista Hotéis, a pesquisa mostrou que 80% dos entrevistados nem utiliza a internet ou o business center do hotel. Para 82%, bicicletas e equipamentos disponíveis para um passeio na cidade seriam um diferencial que gera qualidade de vida para o hóspede. A pesquisa mostrou também que 38% dos entrevistados já teve dificuldades de se hospedar com a bicicleta, por não ter lugar adequado para guardá-las ou por não ser bem recebido, já que algumas vezes as bicicletas chegam sujas.

Na cronologia da história da hotelaria, as oportunidades e crises surgiram em resposta à evolução da mobilidade e aos meios de transporte que se popularizavam em cada período. Qual será o futuro do setor? Ao que parece, ele chegará de bicicleta! 

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