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Além da buzinada

Buzinar para um ciclista sair da frente significa muito mais que impaciência do motorista.

Revista Bicicleta por Ana Cristina Sampaio
3.570 visualizações
06/08/2016
Além da buzinada
Foto: Milan Markovic / Depositphotos

Que ciclista já não recebeu a buzinada de um motorista apressado ao dividir o espaço na rua? A falta de paciência de alguns motoristas para aguardar um ciclista sair da frente é no mínimo um fator de estresse e insegurança para quem está pedalando. Como só depende de suas pernas, a pressão que o ciclista sofre nesse momento é um risco evidente e desnecessário. Sem falar que o motorista pode tentar uma ultrapassagem arriscada. Uma queda da bike pode ser fatal.

Recentemente pedalei nas ruas de um bairro tipicamente americano na cidade de Miami. Todos sabemos que os Estados Unidos são uma sociedade que valoriza o automóvel. Prova disso é que Miami é extremamente mal servida de transporte público e não se encontram tantas facilidades para o ciclista como em cidades europeias. Embora cortada por avenidas largas e de trânsito rápido, Miami conta com algumas ciclovias bem sinalizadas, outras não em tão bom estado, com desníveis causados pelas raízes das árvores. Mas apesar de a bicicleta ser um meio de transporte quase insignificante naquele local, pedalar com segurança é um direito garantido a qualquer cidadão. Por isso, a treino, passeio ou deslocamento, com ou sem ciclovia, o ciclista tem total respeito e cuidado dos motoristas.

Houve momentos em que, devido à pista estreita, uma fila de carros se formava atrás de mim aguardando o momento de me ultrapassar com a distância de segurança necessária. Nenhuma buzina, recriminação ou demonstração de impaciência. Apesar de não ter pedalado à noite, soube que se a bike estiver sem os devidos sinalizadores os motoristas não hesitam em berrar: "lights!" (luzes).  Afinal, o ciclista tem que cumprir sua parcela de responsabilidade e garantir que seja visto de longe pelos motoristas. Deve respeitar a distância do meio-fio e estar atento ao trânsito em sua volta, contribuindo para evitar acidentes e possíveis ações na justiça.

Para que alcancemos essa realidade, no entanto, é preciso primeiro consolidar entre os cidadãos valores como a convivência pacífica, respeitosa e harmônica nas vias públicas, a igualdade social (o dono de um carro não vale mais que o dono de uma bicicleta), e, sobretudo, o respeito à lei e à vida. Estes valores exigem maturidade e fraternidade no convívio entre todos e, por parte do estado, ações educativas, fiscalização e punição das infrações de ambas as partes.

Neste momento em que o Brasil busca implantar, ainda que timidamente, políticas públicas de uso da bicicleta como meio de transporte, é preciso que a sociedade amadureça no sentido da valorização da vida e da igualdade de direitos e deveres. Uma simples buzinada para que o ciclista saia da frente significa muito mais do que impaciência do motorista.  Ela mostra o quanto ainda somos intolerantes e egoístas no trânsito, prestigiamos o automóvel como símbolo de status e riqueza e ignoramos os cuidados de proteção ao ser humano. Sem estes valores bem estabelecidos na lei, na justiça e nas consciências, inserir a bicicleta em meio aos carros é quase como travar uma guerra.

Por isso, os bons exemplos de maturidade social precisam ser cada vez mais vivenciados e compartilhados em prol de estabelecermos a convivência verdadeiramente pacífica entre carros e bicicletas.

 

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