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Altos Rolês nos Países Baixos

Em 2016 fiz uma cicloviagem partindo de Amsterdam e finalizando em Sanremo, na Itália. A viagem foi ótima, porém peguei muita chuva nos primeiros dias, pedalei, mas praticamente não fotografei. Então, ficou aquela sensação de que faltou algo...

Revista Bicicleta por JB Carvalho
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04/04/2018
Altos Rolês nos Países Baixos
Foto: JB Carvalho

Refiz a viagem, mas dessa vez algumas coisas foram diferentes. Parti novamente de Amsterdam e o final foi novamente na Itália, mas o percurso totalmente diferente. Parti onze dias mais tarde em comparação com a viagem anterior e cheguei em Amsterdam exatamente no primeiro dia de verão, no aeroporto Schipol. Ainda no hall das esteiras montei a bike e praticamente saí pedalando. Do aeroporto até o centro da cidade são 30 km totalmente percorridos em ciclovias. A ideia era pedalar pela Holanda, Bélgica, França e Itália, então chamei o projeto de “altos Rolês nos Países Baixos”, porém o ápice deste rolê foi nos Alpes Franceses assistindo a uma etapa do “Tour de France”.

Cheguei em Amsterdam com um belo dia de sol, alto astral para começar a viagem. Fiquei em Amsterdam dois dias e aquele sol da chegada foi só ilusão: o tempo mudou para cinza, chuvas espessas e queda de temperatura, mas mesmo assim Amsterdam é sempre um sonho. No terceiro dia peguei a estrada, ou melhor a ciclovia. Parti para Roterdam em 85 km praticamente todos percorridos por ciclovia. Neste dia tive sorte e o sol brilhou, passei por várias cidades minúsculas, uma mais charmosa que a outra e muitas festas comemorando a chegada do verão. 

Cheguei em Roterdam e mais uma vez o tempo mudou radicalmente me forçando a ficar dois dias praticamente parado, mas na sequência fiz um passeio maravilhoso. Há aproximadamente 50 km de Roterdam está Kinderdijk. Tombada pela Unesco, a “cidade” possui num raio de pouquíssimos quilômetros 19 moinhos, todos em atividade regulando a altura das águas e alguns moendo trigo. 

A estrada que acompanha os moinhos só é liberada para pedestres e ciclistas, e neste dia, apesar de frio, o sol estava presente e tive um belo céu azul. Após curtir Kinderdijk parti para a Bélgica, chegando em Antuérpia e me instalei no camping, fiquei lá um dia e com o tempo só piorando, mudei o percurso e segui até Paris de ônibus, querendo fugir daquela situação meteorológica. Afinal, Paris é Paris, e nada mal um rolê pelo Arco do Triunfo e pela Torre Eiffel. 

Cheguei na cidade de Melun, ao lado da floresta nacional de Fontainebleau, nas margens do Rio Sena, a cidade medieval é linda e estava em festa. O camping ficava fora da cidade e nas margens do rio Sena, lugar lindo, mas parecia que a nuvem cinza me seguia e no dia seguinte caiu aquela chuva que mal consegui sair da barraca!! Após dois dias de muita chuva e praticamente parado, parti e foi na região da Borgonha onde o verão chegou de verdade. A região da Borgonha é famosa por seus vinhos “Chablis” entre outros, mas o que mais me chamou a atenção foi a facilidade de se pedalar lá, pois por ela passam os principais rios da França, o Sena, Loire e Yonne. 

A partir do século XVI foram construídos inúmeros canais interligando os rios e facilitando o transporte fluvial. E para os ciclistas foram feitas centenas ou milhares de quilômetros de ciclovias, super charmosas que vão acompanhando os canais e interligando as cidades.


 
Toda a região é bem sinalizada, com ótimos campings. Deixando Borgonha, e indo para Savoia, ainda tive pedaladas inusitadas e mudança de planos momentâneos. O destino era Annecy, porém no trajeto encontrei um casal de cicloturistas romenos, ele com 25 anos e ela com 21, nos encontramos na estrada e ele falou que estavam indo para Aix les Bains para assistir uma etapa do “Tour de France”. 

Resolvi ir com eles, e logo estávamos no meio da descida da montanha “Dent du Chat”, (Dente de Gato). O casal seguiu viagem, e eu fiquei por lá mesmo, o que foi ótimo, já que Aix Les Bains é menos famosa que a vizinha Annecy e consequentemente é mais barata. Fiquei dois dias e pedalei por lugares incríveis, inclusive por Annecy. 

Partindo dos lagos segui direção Valle della Maurienne, coração dos alpes. Depois de dois dias de viagem, parei para acampar em uma vinícola da família de um rapaz que conheci na cidade, o Florent. A vinícola é centenária e está na quarta geração. Parti então para Saint Jean de Maurienne. Na “porta” para os alpes, a cidade é conhecida como capital mundial do ciclismo de montanha, e não é por menos, pois em cada esquina há uma saída para uma grande montanha. 

Fiquei dois dias instalado num camping na saída da cidade e a vista que eu tinha da barraca era simplesmente incrível. Ainda em Saint Jean fiz um giro de bike maravilhoso e subi a Lacets du Monvernier. A estrada parece realmente um punhado de laços debruçados na montanha, e a vista no altiplano é inesquecível! Com esse “debut” de montanha segui para Valloire. A cidade é uma estação de esqui, e para chegar lá a quilometragem rodada partindo de Saint Jean não foi muita, porém toda em subida, completando com o “Col du Telegraph”, uma subida de 15 km, que levei mais de três horas para terminar. 

Chegando em Valloire, me instalei em um camping e assisti a transformação da pequena estação de esqui num formigueiro de ciclistas. Na manhã seguinte a expectativa e ansiedade pela passagem do “Tour de France” eram grandes e as sete da manhã o camping já estava agitado. O dia começou lindo, mas não me deixei impressionar pelo sol, pois em alta montanha o tempo pode mudar a qualquer momento. 

Então me preparei bem para a jornada, pois a previsão da passagem dos primeiros atletas era por volta de 16h30, e as nove da manhã comecei a “escalada” do “Col du Galibier”, subindo sempre devagar e curtindo o visual inacreditável das montanhas. De Valloire até o cume são 20 km de subida, e quando eu estava quase na metade o tempo fechou, o céu ficou cinza e começou a chover. Quanto mais eu subia pior o tempo ficava e quando faltavam mais ou menos 8 km para o cume avistei uma pequena construção toda em pedra, uma queijaria, e ali os proprietários aproveitavam a ocasião vendendo seus deliciosos queijos, cafés e bolos. Entrei, tomei um café para esquentar e pedi permissão para trocar algumas roupas molhadas e me equipar melhor. 

Ao sair da queijaria fiquei ali num pequeno espaço coberto analisando a situação e pensei em descer alguns quilômetros, pois com chuva naquela altitude provavelmente esfriaria muito. 

Assim fiz, comecei a descer, e quando havia descido mais ou menos uns dois quilômetros achei um lugar com uma boa visão da estrada e ao mesmo tempo um pouco escondido da chuva. Fiquei ali um bom tempo e percebi que a chuva havia parado e mesmo meio receoso resolvi voltar e subir a montanha, pois assistir ao “Tour de France” no “Col du Galibier” não acontece todo dia! 

A parte final da subida era pura festa, muita gente havia passado a noite na montanha aguardando a competição, e a cada curva aparecia uma “figura” diferente: tinha o Hulk, o Superman, o Batman, todos curtindo a etapa e esperando os ciclistas. Aos poucos começaram a passar os primeiros batedores, e depois a caravana publicitária com todos os patrocinadores distribuindo uma infinidade de brindes, e aproximadamente meia hora depois o carro da direção de prova abrindo caminho para os atletas. 

Pouco a pouco o frenesi aumentava com a passagem dos primeiros competidores acompanhados de suas equipes de apoio, e uma visão inesquecível foi o funil humano pelo qual o ciclista passava, com todo mundo aplaudindo e gritando o nome de seu atleta favorito, porém sempre respeitando o “adversário”. 

No fim da etapa fiz questão de subir até o cume, pois assisti a etapa mais ou menos a uns oitocentos metros do “GPM” (grande prêmio de montanha), pois devido ao “mar” de gente era praticamente impossível chegar ao topo da montanha. A noite foi agitada com a vila totalmente lotada, e era difícil fazer qualquer coisa. 

Dia novo, nova travessia alpina. A intenção era chegar no “Col d’Izoard”, já praticamente vizinho da Itália, e assistir mais uma etapa de montanha do “Tour”, mas achei que seria demais e arriscado. Então fiquei pelo meio do caminho e acampei em “Les Monetier les Bains”. O camping é localizado no meio do “Col du Lautaret”, no meio de duas geleiras, e seu nome já é sugestivo: “Les Deux Glacier” ou seja, os dois glaciares. A vista é inacreditável, mas que lugar gelado! 

No dia seguinte, mais uma vez parti, porém desta vez com uma sensação estranha pois estava próximo o fim deste rolê. Na pequena cidade de Claviere, já na Itália, parei num pequeno panifício, comi um pedaço de pizza e tomei um café para esquentar. 

Me equipei com as roupas de nylon para chuva e pensei: “agora é só descida, logo mais estou em Susa”. Mas não foi bem assim, um sobe e desce que não acabava, a pedalada foi longa e parece que não rendia. Só cheguei em Susa no fim da tarde, a cidade era a minha meta final na Itália. Tenho amigos na cidade e por isso escolhi finalizar por lá. Fiquei alguns dias com eles, o suficiente para descansar um pouco e procurar nas bicicletarias locais uma caixa de papelão para preparar a bike para o retorno ao Brasil. Mas nesse meio tempo dei “aquele” rolê para fechar e deixar saudades. Partindo de Susa fui até Avigliana e subi o “Colle di Braida” para visitar a Sacra di San Michele, um monastério milenar no alto da montanha com uma vista incrível de todo o Vale di Susa, da cidade de Torino até as montanhas na divisa com a França. 

E com esse rolê de deixar saudade finalizei mais uma cicloviagem, já pensando na próxima!

Foram 1.500 km, quatro países, 35 dias, sem acidentes nem problemas mecânicos, apenas um pneu trocado. Como dica de cicloturismo, a Holanda sempre é maravilhosa em qualquer aspecto, mas recomendo também toda a região da Borgonha (França), um lugar possível para todos, inclusive em viagem com crianças.

Bike da Viagem

Nesta viagem pedalei uma Road Touring. Montei a bike com um quadro de estrada (speed) da marca First, modelo Flash. O quadro de alumínio é leve e rígido, e mesmo com carga foi eficiente nas subidas. O grupo utilizado foi o Shimano Sora 3X9, com coroa tripla, totalmente adequada ao ciclo turismo, muitas possibilidades de marcha e a mais reduzida 30X34, que faz a diferença na hora de subir uma montanha com mais 18 kg de carga. Rodas Shimano modelo R500, leves e resistentes, com apenas 20 raios na dianteira e 24 na traseira. Não tive nem um raio quebrado e elas continuam alinhadas. A montagem e bike fit ficaram por conta da Anderson Bicicletas.

Apoiadores

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shimano.com.br
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