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Alugue uma bicicleta

Quem não tem uma bicicleta, utiliza o sistema de aluguel para experimentar uma forma diferente de mobilidade. Quem está visitando a cidade e não pode levar a bicicleta junto, aluga uma bike por lazer, para passear e conhecer os pontos turísticos do lugar. Até quem tem uma bicicleta utiliza o sistema de compartilhamento pela falta de um lugar seguro para estacionar a sua bicicleta: a de aluguel, fica bem guardada na estação. Esses são alguns motivos que fazem cada vez mais pessoas aderirem ao compartilhamento de bicicletas. Conheça algumas cidades brasileiras que possuem estações com bicicletas disponíveis para alugar.

Revista Bicicleta por Anderson Ricardo Schörner
39.793 visualizações
06/03/2015
Alugue uma bicicleta
Foto: Tabach

O modelo de bike sharing, ou compartilhamento de bicicletas, está se popularizando em várias cidades do país. Os soteropolitanos, por exemplo, passaram a contar com essa nova opção de mobilidade desde o Dia Mundial Sem Carro 2013, em 22 de setembro. Um dia após a inauguração, quase três mil pessoas já haviam se cadastrado no projeto, denominado Salvador Vai de Bike. Desde então, mais de 113 mil viagens foram realizadas com estas bicicletas. O baiano Wagner Figueiredo (Guiné) afirma: “Em Salvador, muita gente falou que não daria certo, por vários motivos. O principal deles era o fato da capital baiana ter muitas ladeiras, além de não existir uma cultura da bicicleta como mobilidade urbana. Mas tudo isso foi abaixo já nos primeiros dias e até os mais fanáticos pela magrela foram surpreendidos: o projeto deu certo e todo mundo usa à vontade”. 

A ideia do sistema consiste em instalar estações em pontos estratégicos da cidade onde os clientes cadastrados podem retirar uma bicicleta para realizar seus trajetos e devolvê-la em qualquer estação. Em Salvador, o credenciamento no valor de R$ 10 é anual, com o qual o cliente tem o direito de realizar viagens de 45 minutos diários ininterruptos. Caso queira utilizar por mais tempo e sem custos, é preciso esperar um intervalo de 15 minutos para liberar novamente a bicicleta. Caso o cliente utilize a bicicleta de forma contínua por mais tempo, pagará uma taxa de R$ 5 para cada 30 minutos excedentes.

Embora o sucesso seja evidente, alguns pontos ainda precisam melhorar. Segundo Wagner, “a falta de informação ainda é um grande vilão para os usuários das bicicletas compartilhadas. Informativos de como usar a bicicleta e como se comportar no trânsito ajudariam muito. Esses informativos poderiam ficar em algum espaço no totem do compartilhamento. O sistema de marchas, por exemplo, é super eficiente, porém, muitos não usam porque não sabem ou porque têm medo. A regulagem do selim é outra explicação básica: muitos usam as bikes com os selins baixos porque não têm prática ou não conseguem regular. A sinalização também poderia ser melhorada com adesivos refletivos. Outro problema é que, segundo a Petrobras, Salvador tem uma das maiores zonas de salitre do planeta, sem falar na umidade. Neste caso, as bicicletas se danificam rapidamente. Além da ferrugem, as peças de borracha ressecam, exigindo uma manutenção com periodicidade menor”.

Salvador é a quinta capital brasileira a implantar o sistema. São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Recife são as outras capitais já contempladas. Todas fazem parte do Projeto Samba Transportes Sustentáveis, do grupo Serttel, que também administra aluguel de bicicletas em Petrolina, Santos e Sorocaba.

O engenheiro pernambucano Ângelo Leal, proprietário da Serttel, afirma que teve a iniciativa de trazer o modelo de aluguel de bicicletas depois de conhecer sistemas semelhantes na Europa. Peter Cabral, diretor executivo da Samba Transportes Sustentáveis, diz que atualizações foram necessárias para introduzir o modelo no Brasil. “Nós sentimos o fenômeno da bicicleta no mundo, e o Ângelo aceitou criar inovação e tropicalizar o sistema. As bicicletas foram desenvolvidas pela própria empresa, assim como a tecnologia, aplicações para o celular e as estações, que são alimentadas através de energia solar. Conseguimos verticalizar todo o procedimento e o sistema de auto atendimento é único. A empresa está na vanguarda, o projeto piloto desenvolvido no Rio de Janeiro entre 2008 e 2009 foi o primeiro da América Latina. Nos orgulhamos dessa brasilidade do sistema, avançado e barato o suficiente para ser exportado a outros países”, diz Peter.

No Rio, as bicicletas de aluguel tiveram um início tímido e sofreram com casos de vandalismo e problemas de operação. Em novembro de 2011 o Itaú passou a patrocinar o sistema, quando foi reformulado e ganhou as ruas da capital carioca. Arlindo Pereira mora em Cordovil, Zona Norte do Rio, e realiza seus deslocamentos pela Zona Sul utilizando, além da sua bicicleta particular, uma bicicleta de aluguel. “Antes de começar a faculdade, ia de casa ao Metrô do Irajá na minha própria bicicleta. Chegava no metrô e alugava uma bicicleta do Bike Rio para ir ao trabalho, no Jardim Botânico. Hoje, continuo usando a bicicleta de aluguel em dias nublados e para lazer. Mas como o Bike Rio fecha às 22 horas, e agora eu saio da faculdade justamente neste horário, não pego mais o sistema liberado para voltar ao metrô. Por isso, acabei comprando uma segunda bicicleta e deixando-a no bicicletário da Estação Siqueira Campos”, afirma Arlindo, que só vê no sistema essa desvantagem do horário. “Não vejo motivo para o fechamento às 22 horas, dado que o sistema é informatizado e automático. No mais, acho que o sistema de bicicleta de aluguel já vingou”.

Em São Paulo, houve integração do sistema de aluguel com o bilhete único, que unifica toda a bilhetagem dos meios de transporte disponíveis, como metrôs, trens e ônibus. Inaugurado em 2012, o Bike Sampa já possui mais de 140 mil usuários cadastrados. O projeto tem disponível três mil bicicletas em 300 estações. Para concorrer com as bicicletas patrocinadas pelo Itaú, o Bradesco Seguros também passou a patrocinar, em dezembro de 2013, um projeto de bicicletas compartilhadas denominado CicloSampa.

Em Porto Alegre o sistema também tem sido bem aceito e vem crescendo. No final de agosto foram implantadas sete novas estações. No início de setembro, mais três estações entraram em funcionamento. Dessa forma, a capital gaúcha conta agora com 38 estações e 380 bikes disponíveis. Mais de 334 mil viagens já foram feitas na cidade, segundo o “contador” visível no site do BikePoa.

Em Pernambuco, a novidade foi a integração entre os sistemas Bike PE e Porto Leve. Até o final de agosto, esses sistemas operavam de maneira independente. Com a união, o sistema passou a ser intermunicipal e os usuários agora podem usufruir de todas as 80 estações disponíveis no Recife, Olinda e Jaboatão dos Guararapes.

Mas não são só as capitais que possuem bicicletas para aluguel. Petrolina, no sertão de Pernambuco, por exemplo, possui quatro estações em funcionamento e mais seis estações em implantação. A cidade possui 300 mil habitantes, além de 200 mil habitantes da cidade vizinha, Juazeiro do Norte, que frequentemente circulam por Petrolina, o que têm tornado a mobilidade um problema. O serviço de aluguel de bicicletas foi implantado como uma forma de incentivo aos petrolinenses buscarem formas alternativas de locomoção.

No estado de São Paulo, o sistema também está presente em Santos e Sorocaba. Em Santos, o sucesso foi imediato: lançado em novembro de 2012, a média diária de viagens na segunda quinzena de dezembro foi de quase mil. A cidade é propícia para o ciclismo, pois é plana e com clima agradável. No final de 2012, 20 mil viagens haviam sido feitas com as bikes alugadas; hoje, a página virtual do Bike Santos apresenta uma contagem de mais de 450 mil viagens realizadas.

Em Toledo e Curitiba, ambas no Paraná, o serviço foi suspenso. O motivo, segundo a empresa administradora, Bicicletaria.net, foi um pico de utilização que exige a automação do sistema, ampliação da frota e do horário de atendimento. Espera-se agregar parceiros para conseguir suprir essas necessidades, já que a empresa não possui nenhum patrocinador e também não recebe repasse público, e cobrar o custo do usuário inviabilizaria o sistema.

Cidades como Belo Horizonte e Florianópolis também estão no caminho para implantar o sistema de aluguel de bicicletas. A Prefeitura de Joinville também enviou à Câmara de Vereadores um projeto de lei para implantação do serviço de aluguel de bicicletas.

O sistema de compartilhamento de bicicletas também é um modelo utilizado em faculdades, hotéis e edifícios residenciais. A start-up Compartibike, criada em 2010 por quatro jovens paulistanos, por exemplo, foi a primeira a instalar o sistema de compartilhamento de bicicletas em condomínios no Brasil; atualmente, também possui estações em espaços públicos, como em Indaiatuba – SP e Riviera de São Lourenço, litoral norte paulista, na cidade de Bertioga. Além disso, há bicicletarias e agências de cicloturismo que colocam bicicletas à disposição de quem interessar. Outra inovação nessa forma de utilização da bicicleta foi lançada recentemente. Trata-se de uma plataforma on-line, denominada Spinlister, que permite a qualquer pessoa que tenha uma bicicleta parada, alugá-la. O usuário pode fazer uma busca por região e encontrar uma bike disponível por perto.

Rodrigo Lages Vitorio, advogado, membro da Comissão de Trânsito da OAB/RJ e especialista em Bicicletas Públicas na Associação Transporte Ativo, acredita que as pessoas estão abertas para experimentar essa nova alternativa de mobilidade. “O sucesso ou fracasso dos sistemas de bicicletas públicas dependem mais da conveniência para o usuário do que a própria chamada ‘cultura da bicicleta’. Se o sistema estiver muito presente, havendo estações espalhadas na região, as pessoas logo descobrem que é melhor se deslocar por ali com a bicicleta pública. Vale lembrar que não há registros de um sistema de bicicletas públicas que tenha sido instalado em uma escala considerável – com pelo menos 30 estações e uma centena de bicicletas em uma região de alta densidade – que não tenha tido êxito”, afirma Rodrigo.

Peter também visualiza o sistema como uma forma de trazer mais pessoas ao pedal. “A ideia do compartilhamento de bicicleta não é atender grandes viagens, mas sim pequenos deslocamentos em que a bicicleta é efetivamente o melhor modal. O usuário logo percebe que o compartilhamento funciona, vê que é possível utilizar a bike e cria o hábito de pedalar”, diz ele.

O sucesso dos modelos de compartilhamento de bicicletas nos mostra uma tendência de crescimento desse sistema no mundo inteiro. Algumas características que hoje impedem a democratização do serviço no Brasil, como a exigência de cartão de crédito para o pagamento e de um celular para a liberação da bike na estação, por exemplo, provavelmente terão que ser substituídas por alternativas de maior aceitação entre os usuários. Wagner exemplifica: “tive a oportunidade de conversar com pessoas de várias classes sociais. Uma médica que nunca tinha pedalado na rua relatou que as laranjinhas são ‘conhecidas’ e têm o respeito dos motoristas, por isso, ela passou a utilizá-las. Já um porteiro, além de chegar mais rápido ao serviço, está economizando mais de R$ 200 por mês com transporte, porém, ele só fez o cadastro porque um morador do prédio em que trabalha emprestou o número do cartão de crédito e ensinou a fazer a tal conectividade”. Mesmo assim, o modelo existente se populariza e se fortalece, e o mais importante: está trazendo mais pessoas para o pedal.

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