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Ansiedade pré-pedal

“Amanhã vai ser duro aguentar o pedal”. “Impossível subir aquele morro pedalando, vou sobrar e atrasar o pelotão”. “Eu acho que não estou preparado para essa corrida, nem vou largar”. “Acho que minha preparação não foi suficiente, vou deixar esse Audax para uma próxima oportunidade”. “O pedal ainda nem começou e já estou com o coração na boca”. “Dá um frio na barriga só de pensar no pedal de amanhã”. “Não consegui dormir essa noite, talvez seja melhor cancelar esse pedal”.

Revista Bicicleta por Cristiano Lima dos Santos
3.316 visualizações
07/10/2016
Ansiedade pré-pedal
Foto: Lon Chiosea / 123RF

As frases ao lado talvez exemplifiquem o que muitas vezes pensamos nos dias que antecedem um pedal, seja ele um pedal de treino duro, uma competição (ainda que amadora), um cicloturismo por uma região desconhecida e até mesmo um pedal com um grupo de colegas que pedala com um ritmo mais forte. Independente do contexto, a ansiedade pode se fazer presente e em alguns casos pode nos trazer grande desconforto, ou nos levar à desistência de um projeto tão esperado.

A ansiedade está presente em diversas situações. Existem pessoas que ao ver um morro já sentem o coração acelerando e antes de começar a escalar já estão sentido o “coração na boca ”. Outras pessoas ao avistarem uma descida mais técnica ou íngreme sentem aquele frio na barriga, a tensão muscular aumenta e até pra modular a força no freio fica difícil. A ansiedade pode nos atrapalhar em diversas situações de nossa vida, seja no esporte ou na vida pessoal. Conseguir gerenciar a ansiedade é algo importante e qualquer pessoa pode aprender isso. Então, é preciso saber identificá-la.

O que é ansiedade?

Ansiedade pode ser definida de maneira geral como um estado psíquico de apreensão ou medo devido a uma situação desagradável ou perigosa, sempre acompanhada de sintomas físicos. O foco do perigo antecipado pode ser externo (está no ambiente, fora de nós), ou interno (pensamentos, crenças). A ansiedade quando dentro de certos limites é natural e útil, funciona de maneira adaptativa, incitando a pessoa a procurar soluções positivas. O problema é quando ela atinge um limiar elevado e com um caráter sistemático, assim sendo o que devia ajudar acaba por se tornar um grande problema.

Ansiedade pré-competitiva ou “pré-pedal”: (antes do pedal com os amigos, competição, desafio, cicloturismo): é aquela que ocorre cerca de 24 h antes de uma competição ou evento e provoca um sentimento negativo e desagradável. Nós comumente chamamos essa condição de “estar muito nervoso”. Normalmente quando temos certeza sobre nossa preparação, ou seja, nossa capacidade de enfrentar um desafio está equilibrada com as exigências do pedal, a ansiedade se mantém em níveis favoráveis. Mas quando a percepção da nossa capacidade frente à demanda é incerta ou insuficiente, a sensação de ameaça iminente pode se estabelecer e os níveis de ansiedade podem trazer prejuízos.

Alguns sintomas da ansiedade:

Fisiológicos e motores: respiração acelerada e curta, batimentos cardíacos acelerados, tensão muscular, dores de estômago, diarreia e micção frequente, fadiga excessiva, sudorese profusa, mãos úmidas, formigamento no estômago, palpitações, leve tontura, dor de cabeça, boca seca, agitação ou dificuldade de se concentrar, insônia etc.

Psicológicos: pensamentos negativos e intrusivos, autodiálogo negativo, foco reduzido e redundante sobre algum aspecto específico desconsiderando os demais, incapacidade de concentração, emoções à “flor da pele” etc.

O impacto da manutenção desse estado ansioso por um longo tempo pode ser contraproducente para todos nós, já que envolve um desgaste considerável para o ciclista.

O desgaste físico e mental pode causar um esgotamento prévio que atrapalhará consideravelmente a performance do ciclista durante o pedal, impedindo-o de aplicar tudo aquilo que planejou e aprendeu durante os treinos. O aproveitamento fica reduzido e o que deveria ser um momento de descontração e diversão se torna um tormento e os objetivos planejados podem não ser alcançados, gerando intensa frustração.

Como gerenciar e superar a ansiedade pré-competitiva ou “pré-pedal”?

O primeiro passo é identificar o seu estado. Saber reconhecer um estado de ansiedade possibilita que ações para gerenciá-lo sejam postas em prática. Basicamente, para gerenciar a ansiedade temos de regular o nosso nível de ativação, através do uso de técnicas somáticas (controle das respostas fisiológicas da ansiedade) e técnicas cognitivas (técnicas para controle dos pensamentos).

Técnicas somáticas

As técnicas somáticas estão centradas nas respostas fisiológicas do organismo. Ou seja, busca a identificação e alteração dos padrões fisiológicos presentes na ansiedade. Por exemplo: uma pessoa ansiosa apresenta tensão muscular em algumas regiões do corpo, respiração curta e rápida aliado a batimentos cardíacos acelerados. Então, o que acontece se relaxássemos as tensões musculares e respirássemos de maneira longa e lenta? Logo as respostas fisiológicas se tornariam contrárias as da ansiedade, diminuindo ou mesmo neutralizando as sensações desagradáveis. As técnicas somáticas servem para que a pessoa aprenda a controlar seu nível de ativação, identificando, experimentando e alterando seus padrões fisiológicos, desenvolvendo controle de algumas respostas básicas e voluntárias do nosso organismo. Exemplos de técnicas somáticas: técnicas de relaxamento e controle da respiração (relaxamento progressivo de Jacobsen), yoga (pranaiamas e alguns asanas) e biofeedback.

Técnicas Cognitivas

As técnicas cognitivas basicamente visam alterar o padrão de pensamentos presentes em um estado ansioso. Quando ficamos muito ansiosos é comum que pensamentos negativos surjam ou que foquemos em situações das quais sentimos medo e que podem estar presentes no dia do pedal. Uma técnica muito útil para contornar esses pensamentos é a técnica do PARE e de autoinstruções que já citei em um artigo anterior da revista. Pensar nas situações como desafio. Por exemplo, se em uma situação você costuma pensar: “amanhã vai chover, isso vai tornar o pedal impraticável”, deve tentar dar um novo significado a esse pensamento como “eu não gosto de chuva no pedal, mas vou aproveitar a oportunidade para aprender a pedalar nessas condições”. 

Existem “n” possibilidades de se avaliar uma mesma situação e não apenas uma, então, treinemos buscar alternativas mais positivas. Quanto mais tentarmos fazer isso, melhor nos tornaremos nessa tarefa. O que eu quero dizer é que quanto mais praticarmos uma forma de pensamento, melhores ficamos nela, mais a aprimoramos. Isso é valido para o estado ansioso, quanto mais ficamos nele mais o desenvolvemos. A boa notícia é que quanto mais ficarmos em um estado agradável, maior é a tendência de conseguir mantê-lo.

Nós podemos sentir a ansiedade, mas não podemos nos tornar ela, precisamos aprender habilidades para gerenciá-la.

Exercícios aeróbicos são excelentes para reduzir a ansiedade geral. Então, bora pedalar galera!

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