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Até logo, Roberto Gómez Bolaños

Revista Bicicleta por Therbio Felipe M. Cezar
32.206 visualizações
05/12/2014
Até logo, Roberto Gómez Bolaños

A Telefunken que tínhamos sintonizava dois canais. Quer dizer, sintonizava mais ou menos dois canais. Àquela época, 1974, meus pais já haviam me apresentado Vila Sésamo e minhas tardes eram embaladas pelas lições de cidadania, higiene, além de números e cores, sem falar nas canções de Marcos Valle. Usar o lápis de cor e fazer o liga-ponto foram coisas que aprendi vendo tal programa.

Dez anos mais tarde, em 24 de agosto de 1984, chegava à telinha tupiniquim El Chavo del Ocho e El Chapulín Colorado, mas eu estava ocupado demais com as descobertas de um país recém saído da ditadura.

Mal sabia que aqueles programas mexicanos mostravam a realidade de uma pequena vila humilde de gente trabalhadora, formada essencialmente de latinos, tão parecidos com os brasileiros daquela época e de agora.

O Chaves era um moleque órfão, faminto, que morava na Casa nº 8, mesmo que ninguém tenha visto tal casa naquela rua. Ah, e o seu sanduiche de presunto, hein? Talvez nunca tenha andado de bicicleta, penso eu.

A doçura das personagens emprestou a um enorme contingente de brasileiros uma razão a mais para rir de suas próprias mazelas. Aceitar ser ridículo, e porque não, também foi um aprendizado, afinal, isto não feriu, magoou, usurpou ou violentou a infância de ninguém, ao contrário. Rir das próprias perdas, aceitar as derrotas ou as fraquezas, não fez de Chaves o menino de rua não-desejado. Sempre havia alguém que se preocupava com ele.

Claro, havia quem queria dar-lhe cascudos diante das travessuras.

Em nenhum momento Chaves ensinou crianças brasileiras a pegar em armas, a bater no seu amigo, a maltratar um animal. Em nenhum momento Chaves foi imoral. Não foi necessário dançar na boquinha da garrafa para conquistar corações e mentes. Ao mostrar a debilidade humana, Chaves apelava para aquilo de mais corriqueiro de qualquer um de nós, o ato de errar, tão simplesmente, e rir disto, ao final.

Vejo, agora, o quanto perdi por não ter dado atenção a este tão improvável e despretensioso programa de televisão.

A comoção gerada mundialmente pela perda do seu alter-ego, Roberto Gómez Bolaños, faz juz ao carisma do gentil pivete dono de um sorrisso ‘sem querer querendo’ apaixonante. Mas, mais importante do que o pranto é o quanto este homem fez rir a várias gerações. E é o sorriso que fica.

Dublado em mais de 50 idiomas, atingiu a milhões como uma flecha com endereço certo.

A Bolaños, o agradecimento por ensinar a todos, diariamente, a superar o inevitável.

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