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Bike e Maresia

Amamos bicicletas! Mas é claro que não é só de bicicletas que gostamos, e praia é uma daquelas coisas que praticamente todo mundo curte. Combinar as duas coisas, então... para nós é tudo de bom!

Revista Bicicleta por Pietro Battisti Petris
44.348 visualizações
01/01/2016
Bike e Maresia
Foto: BlueOrange Studio / Shutterstock

Mas para a bicicleta as coisas não são tão legais na beira do mar. Você provavelmente já sabe por quê. Basicamente: o mar é um gigantesco fabricante de sal, que está dissolvido na água. Com a rebentação das ondas e as cristas na superfície ocorrem ‘sprays’ de água salgada, que são colhidos pelo vento e trazidos em forma de gotículas muito pequenas rumo à terra. E água salgada é corrosiva.

Com isso temos a famosa maresia, também chamada ressalga, que costumamos associar com o forte cheiro vindo do mar. É claro que o cheiro não é nenhum problema perto dos prejuízos causados pela corrosão em veículos, equipamentos, redes elétricas, objetos metálicos e é claro, bicicletas. Mesmo objetos guardados em lugares fechados e dentro de casas sofrem com isso. Estima-se que 20% do ferro produzido todo ano seja usado para repor o que foi corroído!

Posso ou não pedalar na praia?

Eis então, o impasse: se eu pedalar na praia a maresia vai estragar minha bicicleta? Sendo bem objetivo: se você for descuidado, sim. Mas o contrário também é verdade, se você cuidar bem da magrela dificilmente terá problemas.

Primeiro ponto a analisar e cuidar: há horas em que a maresia não existe. Como dito antes, quem traz a água é o vento, então quando o vento sopra da terra para o mar, as gotículas de água salgada são jogadas para o alto mar. Isso acontece principalmente à noite, e quando isso ocorrer, aproveite para pedalar tranquilo.
Já quando a maresia sopra livre, é necessário lembrar de que a bicicleta vai precisar de um cuidado especial ao terminar o passeio. Quanto mais forte o vento e a umidade, maior a maresia. Então se estiver ventando muito, talvez seja melhor deixar a magrela escondida ou se preparar para dar um bom trato nela depois do passeio corrosivo. Além de que pedalar com muito vento pode ser cansativo e desanimador.

Como prevenir os danos da maresia?

Como diz o velho ditado: é melhor prevenir do que remediar. Como amamos nossas bicicletas, este é um ditado muito apropriado. Há alguns cuidados básicos que devem ser tomados.

O vento da praia

Por que o vento às vezes sopra para um lado, às vezes para outro? O vento é uma massa de ar, que se desloca conforme a pressão atmosférica. Ele sopra de lugares com pressão mais alta para lugares com pressão mais baixa.
De dia, a terra e o mar recebem quantidades iguais de energia do sol. Mas a terra não absorve muito bem essa energia, ficando quente. Já o mar absorve bem a energia, enviando-a para o fundo, tornando-se mais frio do que a terra. Como a terra está quente, o ar sobre ela aquece e expande, abaixando a pressão atmosférica. Enquanto isso, a pressão sobre o mar, que está mais frio, é maior, e por isso o vento sopra em direção à terra.
À noite, a situação inverte: o mar, que acumulou energia, está mais quente que a terra, e por isso o vento sopra da terra para o mar.

As peças mais afetadas são parafusos, raios, niples, corrente e cabos de aço. Essas peças não costumam ser inoxidáveis e ficam expostas. Quadro e componentes principais fabricados com alumínio, carbono ou titânio praticamente não são afetados pela maresia, pois são materiais muito resistentes à corrosão.
Uma medida simples é proteger essas peças com parafina, cobrindo cabeças de parafusos e blocagem das rodas e do canote do selim. Parafina é usada em pranchas de surf, que é praticado na praia, portanto, você vai encontrar sem dificuldades. A parafina usada em pranchas de surf é macia e fácil de modelar. E caso não encontre parafina de surf, pode usar a parafina das velas mesmo! Uma leve aquecida deixará ela mais fácil de trabalhar. Movimento central e movimentos de suspensão podem ser vedados com parafina também. Lubrificante de silicone ou silicone em forma ‘pastosa’ também pode ser útil.

Já a corrente e transmissão ficam totalmente expostas e não podem receber parafina. Lubrificantes com ação teflon são indicados, pois ajudam a repelir a água. Mas não em excesso, ou a areia vai grudar nele.

Um bom desengripante como o famoso WD-40 é de grande ajuda nos raios, niples, cabos de aço e na bicicleta em geral. Passar ele com a ajuda de um pano será mais fácil e não desperdiçará tanto líquido. Apenas cuide muito para não deixar o desengripante ou qualquer outro lubrificante entrar em contato com os discos, pastilhas de freio ou aro, no caso dos V-Brakes. O ideal seria tunar a bicicleta com peças inoxidáveis, como parafusos de titânio, raios de alumínio, carbono ou kevlar (sim, kevlar!) e cabos de aço inoxidável. Mas isso pode não ser muito barato...

Outra coisa importante é qual bicicleta será usada para isso. Se há mais de uma bicicleta disponível, talvez seja melhor deixar a bicicleta boa em casa e usar uma mais simples. Muitas pessoas tem uma bike simples apenas para pedalar na praia. Lembre-se que pedalar na praia é puro passeio e lazer, portanto, praticamente qualquer bicicleta servirá. Alugar uma bike também é uma boa opção.

Guardando a bicicleta

A maresia não se limita à rua na beira da praia. Ela invade casas, garagens, depósitos... qualquer fresta é caminho livre para ela. Portanto, mesmo guardada, a bicicleta deve receber cuidados. É bem simples: você precisa cobrir bem a bicicleta, com uma capa de material impermeável como nylon ou uma lona. Ainda assim, com o tempo podem aparecer os efeitos da maresia. Banhos periódicos seguidos de um ‘tratamento’ com um bom desengripante vão conservar a magrela.

Algo pior que a maresia...

Existe ainda outro fator, não raro mais prejudicial que a maresia (no caso das bicicletas): areia! Sabe aquela areia fina que fica na rua e na calçada à beira do mar? Ela é uma inimiga penetrante da bicicleta!

A areia entra em peças móveis, como movimento central, direção e movimento de suspensão. Lá dentro ela não só pode enferrujar (pois também possui sal) mas também danifica rolamentos, corrente, engrenagens e dentes – afinal de contas, são partículas criando atrito lá dentro.

Mas não se preocupe: para prevenir a areia fina, os passos descritos acima contra maresia -  principalmente a parafina ou silicone no movimento central e de suspensão – terão efeito protetor contra a areia também. Nenhuma grande mudança precisa ser feita.

Pedalei em beira-mar com maresia e areia, e agora?

Agora entram cuidados simples que devem ser seguidos, de certa forma, urgentemente. A água salgada não vai demorar para agir, e se você esperar para lavar ela conforme você lava normalmente, a coisa pode ficar feia.

O primeiro passo é dar um banho caprichado na bicicleta assim que possível. Lembre-se sempre de cuidar com jatos de água em partes móveis como movimento central e cubos!


© Paulo de Tarso

Segundo: o banho removerá a água salgada, mas é provável que ela já tenha agido um pouco. Por isso, após o banho, lubrifique a bike novamente, corrente, câmbios e cabos de aço. Lubrificantes com ação teflon podem ajudar a proteger da água salgada. Um pano com desengripante pela bicicleta em geral vai bem. São medidas simples, mas que devem ser atentamente observadas após cada pedal.

Não deixe a diversão de lado!

Há um cuidado a ser observado acima de todos os outros: não deixe de se divertir por causa da maresia! Pedalar na beira do mar é muito bom, portanto, não deixe a corrosão te assustar e ficar sem a bicicleta.

Como dizem muitos ciclistas: nenhuma bicicleta dura para sempre. Cuide bem da magrela mas aproveite ao máximo o uso dela. Bicicletas foram feitas para servir os seres humanos, não os seres humanos para servirem as bicicletas. Bom pedal!

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