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Bike na bagagem

Viajar... Quem não gosta? Às vezes você se pega imaginando como seria conhecer aquele lugar bonito, mas distante, que você só conhece pelas fotos. Para muitos ciclistas, a primeira coisa que vem na mente é: quero pedalar lá! Sim, a magrela tem que ir junto, ou a viagem não será a mesma.

Revista Bicicleta por Pietro B. Petris
88.138 visualizações
27/08/2014
Bike na bagagem
Foto: Divulgação

Viajar com a bike na bagagem, eis o ‘desafio’. Levar a bicicleta em um carro com o auxílio de um rack é relativamente simples, mas como levar as bikes numa viagem de ônibus ou avião? Muitas empresas não aceitam transporte de bicicletas montadas ou cobram muito por isso. Além desse transtorno, a bicicleta pode sofrer arranhões e danos nos componentes.

Então, como transportar a bike em segurança?

Mala-bike e bike-case

Para resolver este problema, ciclistas foram desenvolvendo seus métodos de transporte, que vão desde plástico bolha até os bike-cases, embalagens específicas de bicicletas.

Um dos produtos mais comercializados é a mala-bike, acessório que tem se tornado item essencial para quem viaja longe com a magrela. O nome já diz tudo: trata-se de uma mala com compartimentos nos quais se abriga a bicicleta. O número de compartimentos varia conforme os modelos. Há um compartimento maior que abriga o quadro com o guidão virado em 90°, outros que abrigam as rodas (às vezes, apenas a roda dianteira) e, em alguns casos, outros menores para guardar o câmbio traseiro, os pedais etc, quando for necessário removê-los. Isso depende tanto do modelo da mala-bike quanto do tamanho e tipo da bicicleta.

A maioria das mala-bikes são fabricadas com tecidos como náilon e cordura, e algumas empresas aproveitaram isso para projetar e fabricar modelos dobráveis. Há modelos que podem ser invertidos, possuindo um compartimento que abriga todo o tecido dentro de si, transformando uma mala-bike grande em uma pequena bolsa portátil. Outros modelos possuem base rígida e/ou rodinhas e alças que facilitam o transporte.

Já os bike-cases são rígidos, podendo assim oferecer maior proteção à bicicleta. São, entretanto, mais pesados e mais caros. Enquanto uma mala-bike custa em torno de R$ 200 nos modelos mais baratos, um bike-case tem preço inicial rondando R$ 800. Uma desvantagem do bike-case é que ele não pode ser dobrado. Alguns bike-cases também possuem rodinhas e alças.

Existem ainda outras embalagens para bicicleta, como a Helium Bike Case, um modelo que combina partes maleáveis, rígidas e bolsas infláveis nas laterais para proteger a bicicleta. O preço é nada convidativo, custando $ 600 no exterior- o que com impostos e frete totalizaria em torno de R$ 3.500.

Improvisando, muitos ciclistas embalam as magrelas com papelão – a caixa da bike, obviamente, serve muito bem – além de espumas, plástico bolha e outros. São opções baratas, que dependendo da situação, dispensam uma mala-bike.

Mala-bike dá certo?

Existem vários relatos, opiniões e experiências sobre mala-bikes e bike-cases na internet, além de embalagens improvisadas. Para o público que necessita delas, as mala-bikes são muito úteis, mas não garantem tudo. O problema é o tratamento dado para as bicicletas em transporte. O descaso dos funcionários com bagagens causa danos e extravios constantemente, portanto, é bom tomar algumas medidas preventivas.

Cada tipo e modelo de embalagem tem suas vantagens, desvantagens e aplicações, então, é bom avaliar bem sua situação e saber o que é necessário.

As vantagens da mala-bike 

“Para viagens internacionais não tem jeito, é a melhor maneira, aí quanto mais rígida for melhor, e não adianta economizar. Em minha opinião a melhor mala-bike é da Evoc e a da Thule, que são semelhantes”, comenta Paulo de Tarso, presidente do Sampa Bikers, que acrescenta: “a Solid Sport tem uma mala-bike bem legal, preço bom e protege bem a bike. A desvantagem é o tamanho e a falta de rodinhas para carregar. Mas o custo benefício é excelente”.

Uma vantagem da mala-bike na hora do embarque é a similaridade com uma mala, o que pode amenizar muita implicância da parte dos funcionários. “Há tempos trouxe uma Phillips desmontada dentro de uma caixa e tive algum problema para embarcar com ela em Congonhas. Com a mala-bike, não tive nenhuma intercorrência para trazê-la no bagageiro do avião, junto com a minha bagagem. No momento do despacho informei no balcão da TAM do que se tratava, e como ela é uma bolsa ‘padrão’ para transportar bicicleta, passou rapidinho e sem custo. Pelas vantagens que oferece, uso sempre a minha mala-bike”, relata Valter F. Bustos, do Museu da Bicicleta (MuBI) de Joinville - SC.

A facilidade para transportar também é uma vantagem. Imagine-se carregando uma enorme caixa de papelão no saguão de um aeroporto. Chato, não? Agora, imagine-se carregando sua bike acomodada em uma mala, sendo facilmente puxada por uma alça, deslizando com a ajuda de rodinhas. Melhorou? 

Poder guardar sua mala-bike em um espaço relativamente pequeno também é uma vantagem, sendo que em modelos dobráveis, ela cabe no alforje da sua bike ou em algum guarda-volumes.

Como último ponto entram o baixo custo da mala-bike em comparação com os bike-cases e a estética em relação ao plástico-bolha e à caixa de papelão.

Desvantagens da mala-bike

A maioria das mala-bikes são feitas de tecido. Isso significa que servem para acomodar a bike desmontada e proteger contra arranhões, mas não contra peso ou impactos, coisa que fica a cargo dos bike-cases. Infelizmente, mala-bikes de baixa qualidade não protegem a bike e podem acabar sendo dinheiro jogado fora.

O professor Arnaldo, conhecido blogueiro e atleta, é usuário assíduo das mala-bikes e descreve sobre sua experiência com alguns materiais com os quais elas são confeccionadas, e a dificuldade em encontrar um equilíbrio entre confecção, custo-benefício e peso. “A mala-bike de nylon é uma das opções mais baratas e leves. Vazia, não ocupa o espaço maior do que um livro, e é a mais indicada para transporte no carro próprio. No entanto, quando usada com muita frequência, como é meu caso, não dura muito, considerando que desde o ano 2.000, tenho acumulado mais de 400 competições e mais de uma centena de viagens por todas as partes do planeta. Para viagens de ônibus ou várias bikes no mesmo veículo, as malas confeccionadas em lona ou algum produto semelhante tem a vantagem de serem mais resistentes ao uso contínuo e não custarem tanto. Porém, ainda é necessário proteger bem as partes mais sensíveis da bike. Bom mesmo são as mala-bikes de fibra ou um misto dos três materiais, com barras internas de alumínio, que evitam mais danos à bicicleta; mas estas tem um custo bastante elevado, pois a maioria é importada. Além disso, são mais pesadas, se comparadas aos outros modelos citados, o que pode facilmente ultrapassar os 23 kg com a bicicleta e levar ao pagamento de excesso de bagagem em voos aéreos, além de ocuparem um espaço muito grande, situação que inviabiliza o seu transporte em carros pequenos”, afirma.

Enquanto é manuseada pelos funcionários, a similaridade com uma mala comum pode ser uma desvantagem, sendo tratada como uma mala qualquer. Cabe ao ciclista identificar bem sua mala-bike como portadora de objeto frágil, além de informar aos funcionários da companhia sobre o que se trata. “É engraçado andar com uma mala-bike. Os que sabem do que se trata te dão um sorriso de cumplicidade, mas a maioria te olha com o ar de pergunta: ‘O que é isso?’, e eu tenho vontade de prender um cartaz na mala escrito: É uma bicicleta! Boa viagem!”, ironiza Luli Cox.

Vantagens do bike-case

A principal vantagem dos bike-cases é que eles podem oferecer grande proteção para a bike por serem rígidos – nos modelos bem feitos, é claro. Com o relato frequente de descaso dos funcionários de companhias aéreas, um bike-case pode ser um escudo de proteção para a bicicleta.

As vantagens da similaridade com uma mala comum e a estética também se aplicam aos bike-cases.

Desvantagens do bike-case

A principal desvantagem do bike case é não poder comprimi-lo ou dobrá-lo, tornando-o pouco prático para guardar. Seu peso também pode ser incômodo. E ainda há a questão do preço, por ser mais caro do que uma mala-bike.

Quando a mala-bike ou bike-case é dispensável

 “Acredito que a mala-bike seja um acessório importante para algumas pessoas, mas não para todos que viajam com suas bicicletas. Ela garante que a bicicleta chegará protegida e inteira ao seu destino, o que pode ser fundamental no caso de uma competição, mas seu peso e tamanho geralmente são complicações no caso do cicloturismo, onde menos é mais. Se vou realizar uma viagem que envolve ter que transportar a bicicleta de avião, prefiro usar uma caixa de papelão, que geralmente são jogadas fora pelas bicicletarias, de forma que posso me livrar dela assim que chegar ao meu destino, tendo a possibilidade de montar a bicicleta já no aeroporto e sair pedalando dali mesmo. Em minha volta ao mundo toda vez que precisava colocar minha bike num avião usava uma caixa de papelão e nunca tive problemas. Não tem segredo, protege muito bem e, geralmente, não custa nada”, relata Arthur Simões, de São Paulo - SP.

Será que você precisa de uma mala-bike? Para quem faz viagens com frequência, é sem dúvida um bom investimento, quase indispensável. Para quem viaja com frequência e quer garantia de proteção, um bike-case de qualidade é um investimento melhor ainda. Mas talvez aquela viagem de fim de ano já tenha um custo alto e uma caixa de papelão pode suprir a sua necessidade. É importante avaliar! 

Minha mala-bike ou bike-case não protege bem alguns componentes, e agora?

Alguns modelos de mala-bike protegem bem os componentes maiores, mas pode deixar a desejar com relação aos pequenos e mais sensíveis.

“Em 1999, viajando para o Sulamericano de Triathlon com uma mala-bike de pano, cheguei ao destino com o garfo da minha bike entortado. Em 2001, viajando para outra competição com uma caixa de papelão, tive a caixa aberta e alguns de meus pertences roubados. Em 2008, viajando para o mundial de Xterra no Havaí, com um case rígido de má qualidade, cheguei ao destino com ele quebrado”, diz o triatleta Rodrigo Lageani, de São Paulo - SP.

Paulo de Tarso acrescenta: “os maiores problemas que tenho em viagens nesse modelo de mala é quebrar gancheira e problemas no freio a disco, empenando o disco da roda. O ideal é tirar o disco da roda”.

Mas calma! Ainda dá para aumentar a proteção da bike. “O truque é fazer da bicicleta desmontada algo rígido, monobloco e o mais leve possível, de tal forma que aguente os desaforos do transporte e fique protegida”, diz a cicloativista Renata Falzoni, da capital paulista.

Reforços de papelão, espumas, borrachas, cordas e similares podem acrescentar proteção no conjunto e evitar danos à bike.

Legislação

Há regras que devem ser consideradas com tempo antes de viajar levando a bicicleta. Obviamente existem limitações em relação ao que e quanto pode ser levado num avião ou ônibus. Uma caixa com uma bicicleta certamente não é pequena, portanto, essa área exige atenção, inclusive como fator de decisão da embalagem a ser usada.

De ônibus

A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) garante ao passageiro a franquia de até 30 kg no bagageiro do ônibus, mas o volume não deve ultrapassar 0,3 m³, nem ter mais de um metro em qualquer das dimensões. O passageiro pode levar consigo objetos de até 5 kg que caibam no porta-pacotes do ônibus. 

As dimensões de uma mala-bike podem exceder essas medidas, mas isso não significa necessariamente que ela será retida no embarque, já que ela não ultrapassa a cubagem máxima permitida. Há empresas que aceitam as bicicletas montadas, desde que algo as proteja e não danifique outros objetos do bagageiro, mas a grande maioria exige que elas estejam desmontadas e embaladas apropriadamente (caixa de papelão, mala-bike, bike-case). 

Como prevenção adicional contra danos na bike, seria de ajuda pedir para colocar a bike no bagageiro por conta própria. Isso fica mais fácil se você chegar cedo para o embarque. É importante lembrar que nem todas as empresas de viação são regidas pelas normas da ANTT, portanto, pode haver companhias que cobram pelo transporte ou que não o permitem. A verificação prévia é indispensável.

No avião

No caso do transporte aéreo, a ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) diz que a franquia dos voos nacionais para aeronaves com mais de 31 assentos é de 23 kg de bagagem. Pode-se despachar mais de um volume, desde que o peso total não exceda esse limite.

Caso o peso ultrapasse o limite da franquia, o transporte da bagagem ficará sujeito à aprovação da empresa e a cobrança por excesso de peso. Artigos esportivos deverão ser incluídos na franquia, da mesma forma que uma bagagem comum.

A maior parte das empresas aéreas exige que os pedais sejam removidos e embalados, o guidão virado paralelo ao quadro e com as extremidades embaladas, e a roda dianteira removida e afixada no quadro de modo que não se solte. Algumas também exigem que a bike fique acondicionada em algum tipo de embalagem, como uma mala-bike.

Mas existem empresas mais ‘amigas da bike’. “Em viagens pelo Brasil a dica é não levar mala-bike e viajar pela TAM. Pode levar a bike montada, sem tirar as rodas, só com o guidão alinhado com o quadro e os pedais removidos, protegida, de uma forma que o funcionário do aeroporto consiga empurrar a bike. Viajo a mais de 20 anos assim e nunca tive problemas”, recomenda Paulo de Tarso.
A TAM é a empresa de aviação que acumula as melhores experiências - o que pode ser constatado em fóruns e blogs -, não só pelo transporte gratuito da bicicleta, mas também com o tratamento dado a ela.

As normas citadas aplicam-se aos voos que saem do Brasil. Para voos com origem em outros países, aplicam-se as normas do local de origem da viagem.

Lembretes e dicas para viajar com a bike

É muito importante verificar previamente as condições da empresa com a qual se pretende viajar para evitar problemas posteriores, além de pesquisar a reputação da empresa, segurança, relatos sobre tratamento dado às bikes e similares. Isso pode evitar muita dor de cabeça.
Lembre-se do que foi relatado sobre a proteção que a mala-bike e outros tipos de embalagem oferecem para a bike. E com isso em mente, certifique-se de que a bike irá bem protegida.

Outro lembrete importante é com relação aos pneus e outros itens que usem fluidos sob pressão a bordo de aeronaves. “Ao viajar com bikes, é imprescindível murchar os pneus para que os mesmos não explodam durante o voo. Recomendo deixar os pneus numa pressão de no máximo 15 psi” e nunca colocar cartuchos de CO² dentro do case. Além de proibido, o material pode explodir durante o voo e danificar não só sua bicicleta, como outras bagagens”, diz Rodrigo Lageani. 

Mas não é necessário esvaziar completamente os pneus! Em alguns casos, isso pode resultar em prejuízo. “Deve-se tomar cuidado para não murchar os pneus demais porque quem usa líquido selante em pneus tubeless corre o risco de ficar sem”, recomenda Luli Cox.

Caso a bike tenha freios a disco, deve ser colocado entre as pastilhas algo que não permita que os pistões do freio saltem para fora caso o manete seja pressionado. Bikes com freio a disco, novas e na caixa, vêm com esses espaçadores instalados. A nota fiscal da bicicleta deve ir junto, caso contrário, na volta de uma viagem ao exterior, a bicicleta pode ser taxada como produto importado, o que resultaria em pagar 60% – em alguns estados existe acréscimo de ICMS - do valor da bicicleta como imposto.

Problemas com a bagagem

Caso a bagagem sofra danos ou seja extraviada, o proprietário deve procurar imediatamente a empresa de transportes para resolver o problema ou não será atendido posteriormente.

Extravios são comuns em viagens aéreas. Para ter sua bagagem encontrada e devolvida, é necessário apresentar o tíquete da bagagem, já que ele comprova a responsabilidade da empresa sobre ela (isso também é válido em transportes terrestres). Para realizar uma reclamação, o passageiro deve preencher um formulário chamado Registro de Irregularidade de Bagagem, abreviado por RIB. É possível que a empresa se recuse a preencher o formulário. Neste caso, deve-se reclamar diretamente junto à ANAC ou órgão responsável pela aviação civil no país onde se encontra o passageiro.

Para auxiliar na recuperação em caso de extravio, identifique a mala ou embalagem da bike com seu nome completo e alguma forma de contato. 

Um último ponto: talvez os funcionários não conheçam bem as regras da empresa quanto ao transporte de bicicletas, e isso é bem comum. Luli Cox dá a dica: “os preços de transporte de bike variam de companhia aérea para companhia aérea e é importante ler e saber quais são as regras. Para muitas companhias aéreas a tarifa para o Brasil é diferente, e se você embarca em um aeroporto do interior que não está acostumado a despachar bikes o atendente pode não saber e querer te cobrar errado. Portanto, tenha em mãos as normas para se proteger”.

Paulo de Tarso complementa com relação a levar a bike com rodas nos voos da TAM: “É importante ter impresso em mãos as informações do site da TAM, no menu bagagens especiais, pois muitos funcionários desconhecem essa informação e é importante bater o pé se o funcionário pedir para tirar as rodas. Não precisa”.

São vários detalhes a considerar, mas quando se trata de proteger a magrela, todo cuidado é pouco. Boa viagem para você e para a sua bicicleta! 

Confira alguns vídeos de como utilizar mala bike 

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