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Buenos Aires a Montevidéu

Revista Bicicleta por Arnaldo Soares
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20/05/2014
Buenos Aires a Montevidéu
Foto: Arnaldo Soares

Como toda boa viagem, nossa travessia de Buenos Aires a Montevidéu não foi planejada. Certo dia, jantando na casa de nossos amigos Gesten e Tânia, eles nos contaram que iriam pedalar de uma capital até a outra. Esta informação foi suficiente para que Sabrina, minha esposa, decidisse: “Nós vamos com vocês”. Só me restou concordar. Foram duas semanas corridas. Sabrina e Tânia montavam os roteiros com distâncias e atrativos, enquanto eu e Gesten fazíamos o plano do que levar, compra de passagens e reserva de hotel (apenas para o primeiro e último dia).

Quanto às bikes, decidimos levar hardtails por conta dos alforjes. Para despachá-las, optamos por desmontar as quatro bikes e acomodá-las em caixas de papelão. O Gesten é dono de uma loja de Bike aqui em Curitiba, BikeSul, e por isso foi fácil obter caixas. Nos alforjes, além do mínimo necessário para pedalar uma semana, levamos peças de reposição, câmaras, ferramentas, raios e primeiros socorros.

Eu e Sabrina saímos de Curitiba num voo da TAM, enquanto Gesten e Tânia saíram num voo da Pluna. A conclusão quanto à companhia aérea foi de que, embora a TAM tivesse tarifa um pouco mais cara, a diferença foi por água abaixo quando Gesten e Tânia tiveram que pagar US$ 120 extras pelas bicicletas (a TAM não cobra pelas bikes).

A fim de facilitar a montagem das bikes em Buenos Aires, optei por levar um kit de granadas de CO2 que despachei junto com os alforjes, no caso nos alforjes da Sabrina que quase foi presa por terrorismo... Entretanto, após as devidas explicações à Polícia Federal e, comprovado que se tratava de ampolas para encher pneus, fomos liberados sem as mesmas que foram confiscadas, provavelmente para encher os pneus da bike de um dos policiais.

Juntos novamente no aeroparque (aeroporto central em Buenos Aires), arrumamos um local sob uma escada rolante para abrir as caixas e montar as bikes. Obviamente, montar foi a parte mais simples quando me lembro de que tivemos que encher oito pneus com uma bombinha de mão...

Saímos do aeroporto pedalando por Buenos Aires até nosso hotel, que ficava próximo ao Obelisco. No caminho, encontramos um casal de argentinos que pedalavam pela cidade e resolveram nos conduzir por caminhos pelos quais pudemos desfrutar as belezas arquitetônicas do bairro da Recoleta. Após fazermos o check-in, fechamos o primeiro dia saboreando um Kobe baby-beef no Cabana Las Lilas, no Porto Madero.

Abrimos o segundo dia às 6 h pedalando 13 km até o Porto Madero novamente, de onde parte o BuqueBus, um enorme catamarã ferry-boat que atravessa o Rio da Prata até Colônia Sacramento, já no Uruguai. Embora seja relativamente simples o embarque, é um pouco confusa a operação de transferência da bike para o barco, pois é necessário que se estacione a bike no local de embarque dos carros (confesso que fiquei com uma sensação de que nunca mais iria vê-la), para fazer o check-in, fazer a imigração, entrar na sala de embarque e então descer até o pátio e reaver a bike para, aí sim entrar no barco, juntamente com o carros. 

A travessia dura em torno de duas horas no catamarã, que é bastante confortável. Chegando no porto de Colônia, desembarcamos e pedalamos até o centro histórico, há cerca de 10 km, onde fomos procurar uma pousada. Nos hospedamos numa charmosa e bucólica pousada chamada Plaza Mayor, com um lindo pátio interno no melhor estilo dos jardins italianos. 

Colônia Sacramento foi fundada ainda no império português, no século XVII, como ponto de apoio à rota de comércio de Portugal na América Espanhola. No entanto, poucos meses após sua fundação, tropas espanholas e indígenas sob comando do governador de Buenos Aires conquistaram a província dos portugueses. O centro histórico de Colônia é tombado como patrimônio da humanidade pela Unesco.

No terceiro dia, saímos de Colônia às 8 h pedalando pela rota 1 (a belíssima rodovia que atravessa o país) por 69 km até Colônia Valdense, onde deixamos a R1 para seguir por uma estrada vicinal mais 13 km até Colônia Suiza, atravessando Nueva Helvécia, onde fizemos uma visita ao Santuário de Schonstatt, o primeiro fora da Alemanha, fundado em 1943. A apenas 8 km de Nueva Helvécia, Colônia Suiza é uma cidadezinha de imigrantes suíços, alemães e italianos que mal aparece no mapa. Lá encontramos o Hotel Suizo, um hotel fazenda secular, cuja construção remete à época em que a instalação era dedicada à cultura do trigo e da produção de pães.

No quarto dia, nos despedimos de Colônia Suiza às 8 h e retornamos 13 km até a R1, onde pedalamos mais 15 km até Ecilda Paulier, para então seguir pela R11 até San José de Mayo, totalizando cerca de 75 km. Neste dia tivemos o único imprevisto da viagem. Meu pneu dianteiro, embora com líquido anti-furo na câmara, não resistiu a um caco de vidro e tivemos que fazer um pit-stop para a troca.

San José é uma cidade datada do século XIX, cujo centro possui uma praça onde um monumento homenageia em diversas esculturas e brasões, seus fundadores. Na Basílica Catedral San José é possível ver o suntuoso altar criado pelo escultor catalão Domingo Mora. O ponto negativo ficou por conta da pouca disponibilidade de hotéis e pousadas, o que nos levou a buscar uma opção a alguns quilômetros do centro. Mas como tudo sempre dá certo, encontramos um hotel em meio a um parque na entrada da cidade, onde desfrutamos um bom vinho e um queijo da região que compramos pelo caminho.

Dicas

• Para quem quiser pedalar pelo Uruguai, vale destacar que o país é bem plano e as estradas têm ótima pavimentação.

• O custo de alimentação e hospedagem não difere muito do Brasil. Mantendo-se um bom padrão, pode-se estimar uma média de R$ 30 a R$ 40 por refeição e de R$ 120 a R$ 180 uma diária de casal.

• O povo uruguaio é bastante simpático e costuma respeitar bastante os ciclistas. Ao longo das estradas é fácil encontrar panaderias (padarias) e pequenos restaurantes para fazer lanches, abastecer com água, energético e cereais.

• Embora nas cidades pequenas as bicicletas sejam um meio de transporte muito comum, não deixe de levar peças sobressalentes, pois os modelos que circulam nestas cidades costumam ser simples e o acesso a peças melhores é bem restrito.

• É prudente levar dinheiro em espécie, pois diversos estabelecimentos ao longo do percurso não aceitam cartões de crédito.

• Outro item importante é o cadeado. Embora seja menos arriscado que no Brasil, também há muitos furtos, principalmente em Montevidéu.

• Os preços das peças e das bikes em Montevidéu são próximos aos dos EUA, por isso, é interessante visitar as lojas.

• Por fim, aproveite os queijos, os pães, os vinhos, os doces de leite e, claro, as carnes, que são sensacionais.

No quinto dia, havíamos planejado ir até Las Piedras onde pernoitaríamos para então seguir para Montevidéu. Mas como Las Piedras fica muito próximo do nosso destino e já que eu e Sabrina não conhecíamos Montevidéu, optamos por ir direto e apenas fazer parada em Canelones, já que neste dia teríamos cerca de 120 km pela frente. Assim, deixamos para trás San José e pedalamos pela R11 até Canelones, 50 km, onde mudamos de rodovia para a R5. Paramos para almoçar e fizemos uma parada técnica na Bodega CataMayor para degustar um pouco das uvas da região e então seguimos direto até Montevidéu, chegando na entrada da cidade por volta das 18 h. 

Em Montevidéu, podemos destacar o Mercado Municipal, onde comemos uma parillada fantástica, o restaurante La Otra e o La Perdiz, este último próximo ao Shopping Punta Carretas. Vale uma pedalada pela Rambla que é a avenida à beira-mar, uma visita ao Teatro Sólis e ao bairro Pocitos. Quanto às bikes, a cidade possui boas lojas da Trek e uma loja conceito da Specialized onde eu e Gesten ficamos quase loucos.

Após sete dias fantásticos, chegou a hora de voltar e, por consequência, pensar em como faríamos isso... A solução foi um tanto inusitada. Fomos até aqueles quiosques que embalam malas em plásticos e pedimos para embalar as bikes. O serviço nos custou cerca de US$ 50 por bike. Mas custou muito mais para os garotos que trabalhavam ali que perderam alguns quilos para enrolar cada bike. Bom, naquele momento, evocamos nossa capacidade de desapego, pois pensamos que resgataríamos apenas pedaços das bicicletas em Curitiba, mas qual a nossa surpresa quando o único dano foi apenas um bar end quebrado.

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