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Ciclismo no norte de Minas - A luta para sair do anonimato

Conheça a história de José Carlos Braga Pereira, que há 15 anos organiza eventos ciclísticos em Janaúba – MG, com a esperança de fortalecer o esporte no norte de Minas e revelar atletas a nível nacional.

Revista Bicicleta por Anderson Ricardo Schörner
2.933 visualizações
03/12/2015
Ciclismo no norte de Minas - A luta para sair do anonimato
Foto: Divulgação / Arquivo Pessoal

Muitas competições ciclísticas já alcançaram uma grande visibilidade e glamour. Porém, há muitos organizadores, em regiões menos favorecidas, que fazem o possível para dar vida a pequenas competições e incentivar o ciclismo. Um desses organizadores é José Carlos Braga Pereira, de Janaúba, norte de Minas. 

Braga, como é conhecido em sua cidade, organiza provas de mountain biking há 15 anos, porém, ainda hoje sofre para conseguir apoio e divulgar o ciclismo na região. “Temos realizado várias provas ao longo desses anos com enorme dificuldade, bancadas com o apoio de empresários, amigos e simpatizantes. Grandes empresas tendem a ajudar mais os eventos de renome, enquanto os pequenos e médios eventos são desprezados. É difícil conseguir parcerias que patrocinam com dinheiro os eventos, que permitissem colocar uma premiação maior e oferecer uma estrutura melhor. Acabamos dependendo do comércio local. Saímos de porta em porta pedindo ajuda para realizar os eventos e conseguimos arrecadar um pouquinho aqui e um pouquinho ali para, no final, oferecer uma premiação de R$ 2 mil para dividir em 10 categorias e pagar despesas com cartazes e troféus. Além disso, não podemos cobrar um valor muito alto nas inscrições, tem que ser um valor acessível. Também não conseguimos formar uma categoria elite, pois teríamos que ter uma premiação em dinheiro com um valor bem mais alto para atrair os atletas desta categoria”, lamenta. 

Outro problema é a omissão das prefeituras e secretarias de lazer e esporte. Segundo Braga, “as prefeituras, por exemplo, poderiam ajudar atletas com o deslocamento para participar das provas, apadrinhar o atleta de sua cidade ao menos em uma prova no decorrer do ano, fazendo assim um marketing do município através da mídia dos eventos realizados. Podia-se também incluir essas provas no calendário de eventos da cidade e colocar uma premiação boa, valorizando os atletas que participam e atraindo pessoas à cidade. Infelizmente, o poder público, que deveria ser o principal interessado na promoção do esporte, saúde, mobilidade e sustentabilidade através da bicicleta, não apoia”.

Aqueles que se dedicam a praticar o MTB na região sofrem com a falta de apoio, mas mesmo assim, o norte de Minas tem sido berço de ótimos atletas. “O ciclismo tem crescido muito aqui em Janaúba e cidades vizinhas. Atletas que saem daqui têm conseguido excelentes colocações em algumas provas de expressão nacional, tais como Copa Internacional e Copa Grande Sertão. Mesmo sem conseguir patrocínio, sem bicicleta ou acessórios top, e sem poder se dedicar tanto aos treinos por ter que conciliar a carreira de ciclista com outra profissão, muitos têm conseguido resultados importantes: que dirá se recebessem apoio e pudessem se dedicar apenas ao esporte?”, diz Braga.

Mesmo assim, o mineiro é insistente e continua realizando seus eventos, na esperança de um dia atrair grandes patrocinadores e atletas, além de incentivar cada vez mais pessoas da região a aderirem à bicicleta. Ele afirma que “cada evento é uma história para contar, é uma experiência marcante. O que dá forças para continuar é saber que há uma equipe de pequenos empresários e amigos que mantém esta importante parceria. Os eventos que organizo têm uma média de 100 participantes. Apesar de todas as dificuldades, estamos sempre buscando melhorar e temos uma preocupação muito grande em agradar a maioria dos atletas”.

Acreditando que o futuro reserva novos e bons ventos, Braga está à frente de mais um evento em 2014: a primeira Copa Norte de Minas, que teve a primeira etapa em 16 de março, e terá a segunda etapa em 15 de junho e uma terceira ainda a ser confirmada. Muitos atletas da região participaram. As categorias principais percorreram um trecho de 50 km, enquanto as categorias amadoras enfrentavam um trajeto de 25 km. Bruno Sampaio Rodrigues, de Montes Claros – MG, foi o grande campeão percorrendo os 50 km em 1 h 48 min 39 s.

Uma das participantes da primeira etapa foi Rosana Maria Barbosa, de Porteirinha – MG, a mais rápida entre as mulheres com o tempo de 1 h 31 min 29 s para percorrer 25 km. “Minha participação na Copa Norte de Minas foi ótima. O percurso foi bem elaborado e também vale ressaltar todo o empenho do Braga, que sempre consegue muitos brindes, frutas para os atletas, coisas que parecem pequenas mas que tornam as corridas agradáveis e boas de participar”, revela a atleta.

Ela diz que o esporte tem crescido na região e elogia os eventos. “O MTB é bastante falado e as competições são boas e bem elaboradas. Eu comecei a me interessar pelos passeios e provas de bike porque meu esposo já pedalava. Hoje, é o esporte que eu amo e acho muito lindo”, diz Rosana, que também compartilha do discurso de Braga: a falta de apoio dificulta a vida não só dos organizadores, mas também dos atletas. “O que falta mesmo é patrocínio, que ainda é muito fraco na nossa região. Temos que tirar tudo do nosso próprio bolso, então, quando a bike quebra fica muito apertado para nós. Também não podemos participar de todas as corridas. O MTB precisa de mais incentivo e valorização, para se fortalecer”, conclui ela.

Essa é uma realidade país afora... Muitos pequenos eventos acabam por falta de apoio, e muitos potenciais atletas desistem do ciclismo pelo mesmo motivo. Apesar de todas as dificuldades que a região e os pequenos organizadores enfrentam, Braga é um exemplo de determinação, pois mesmo com tantas dificuldades, continua desenvolvendo seus eventos e buscando parcerias para fazer o ciclismo no norte de Minas evoluir, revelar atletas para o Brasil e fomentar a cultura da bicicleta, o que implica no seu uso não só como esporte, mas também como meio de locomoção, turismo e lazer. 

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