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Saiba mais sobre o Ciclismo Paralímpico

Os Jogos Paralímpicos do Rio 2016 acontecerão entre os dias 7 e 18 de setembro. A capital carioca espera receber 4.350 atletas de 178 países para a disputa de 528 medalhas. Entre os 23 esportes disputados, os paraciclistas marcarão presença com o Ciclismo de Estrada e o Ciclismo de Pista. Além disso, o paratriatlo, assim com a paracanoagem, fará sua estreia nos jogos.

Revista Bicicleta por Anderson Ricardo Schörner
4.788 visualizações
25/01/2016
Saiba mais sobre o Ciclismo Paralímpico
Soelito Gohr, Tricampeão Mundial de Paraciclismo (2009, 2010 e 2014), quatro medalhas nos jogos parapanamericanos, vice-campeão mundial Scratch 2015 e líder do ranking brasileiro 2014.
Foto: Bruno de Lima

Cinco mil funcionários, 25 mil voluntários e 45 mil terceirizados. Este é o pessoal que o Comitê Rio 2016 prevê como necessário para realizar os Jogos Paralímpicos. Os números mostram a grandiosidade do evento, mesmo tendo uma história recente. Foi em 1945, como forma de auxiliar na reabilitação de soldados feridos na Segunda Guerra Mundial, que o esporte foi sugerido para pessoas com deficiência física, numa iniciativa do médico alemão Ludwig Guttmann. Depois de três anos aconteceu a primeira competição para atletas portadores de deficiência, na vila inglesa de Stoke Mandeville, hoje conhecida como Jogos Mundiais de Cadeirantes e Amputados.

Bandeira Paralímpica

O símbolo dos Jogos Paralímpicos é um pouco diferente dos anéis olímpicos tão conhecidos pelo mundo. Representando o lema “Espírito em movimento”, três arcos, os chamados Agitos, em vermelho, verde e azul se intercalam.

Os Jogos de Stoke Mandeville aconteceram simultaneamente às Olimpíadas de Londres 1948, com a participação de 16 atletas. Esta foi a inspiração para a criação dos Jogos Paralímpicos, que teve a primeira edição oficial em 1960, em Roma, na Itália. Em Barcelona, na Espanha, em 1992, pela primeira vez os comitês organizadores dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos trabalharam juntos. Os Jogos Paralímpicos serão disputados na América do Sul pela primeira vez no Rio 2016. Participam atletas com deficiências físicas (de mobilidade, amputações, cegueira ou paralisia cerebral) e deficientes mentais.

E as modalidades paraciclísticas?

O ciclismo paralímpico foi disputado pela primeira vez nos Jogos de 1984, realizados em Stoke Mandeville, na Grã-Bretanha, e em Nova Iorque, nos Estados Unidos. Em Seul 1988, foi incluída a prova de estrada. Rivaldo Gonçalves Martins foi o primeiro paraciclista brasileiro a participar de Jogos Paralímpicos, em Barcelona 1992. A partir da edição de Atlanta 1996, os atletas passaram a ser setorizados por categorias. Atualmente, a classificação é dada da seguinte forma:

LC – Locomotor Cycling (atletas com dificuldade de locomoção).

LC1 – Atletas com pequeno prejuízo em função da deficiência, normalmente nos membros superiores.

LC2 – Atletas com prejuízo físico em uma das pernas, permitindo o uso de prótese para competição.

LC3 – Atletas que pedalam com apenas uma perna e não podem utilizar próteses.

LC4 – Atletas com maior grau de deficiência, normalmente amputação em um membro superior e um inferior.

Tandem – Para ciclistas com deficiência visual (B1, B2 e B3). A bicicleta tem dois assentos e ambos ocupantes pedalam em sintonia. Na frente, vai um ciclista não-deficiente visual e, no banco de trás, o atleta com deficiência visual.

© Hamilton Cardoso

Handbike – Para atletas paraplégicos que utilizam bicicleta especial impulsionada com as mãos.*

De acordo com a deficiência, as bicicletas podem sofrer alguma adaptação. Por exemplo, cadeirantes participam de disputas com as handbikes, bicicletas movidas pelas mãos; paralisados cerebrais podem precisar de triciclos e ciclistas cegos utilizam bicicletas tandem, auxiliados por um ciclista guia não deficiente.

Paraolimpíadas ou Paralimpíadas?

Até 2011, a palavra portuguesa para designar o evento era “Paraolimpíadas”. Nesse ano, o Comitê Brasileiro adotou a grafia “Paralimpíadas”, para se assemelhar ao Comitê Paralímpico Internacional, que é chamado desse jeito desde 1989, quando foi fundado. O nome, no entanto, não faz sentido morfológico. Segundo a gramática da língua portuguesa, se tivesse de contrair uma das vogais, seria a pertencente ao prefixo “para”, e não à palavra adjacente. Portanto, pela regra, “Paraolimpíadas” ou “Parolimpíadas” estariam corretas, mas “Paralimpíadas”, não. Apesar de a regra ser clara, as entidades não abriram mão de utilizar o termo equivocado.

As provas de Ciclismo de Estrada, que serão disputadas na região de Copacabana, podem ter percursos com até 120 km disputadas em pelotão, além das disputas de Contrarrelógio, em que cada ciclista larga com a diferença de um minuto.

O Ciclismo de Pista, por sua vez, acontecerá no Velódromo que está sendo instalado no Parque Olímpico, na Barra da Tijuca. O parque está na área de 1,18 milhão de metros quadrados do antigo Autódromo Nelson Piquet. São três formatos: contrarrelógio, perseguição e velocidade. Paratletas brasileiros já consagrados, como Soelito Gohr e Lauro Chaman, são esperança de conquista da primeira medalha do paraciclismo nos Jogos.

O mineiro André Luis Novaes Cândido1 tem conseguido bons resultados em sua categoria, C5, e ainda sonha com uma vaga. Segundo ele, “a preparação dos paraciclistas da categoria C5, por andarem no ciclismo olímpico, é melhor e nos condiciona a um nível internacional. Em julho a confederação fará a convocação para o Parapanamericano no Canadá, que talvez seja a última chance de fazer um bom trabalho antes dos jogos. Mesmo sem patrocinador, a princípio sou reserva das duas vagas que o Brasil tem. Atualmente, as vagas são de Soelito Ghor, vice-campeão mundial de pista, e Lauro Chaman, campeão brasileiro, mas o país ainda pode abrir mais vagas com pontuação nas provas internacionais. Infelizmente, as obras estão muito atrasadas, o velódromo do Rio não tem nem previsão para ficar pronto, e no geral, os jogos custam muito caro”.

O ciclista André Luis Novaes Cândido. - © Vanusa Alberti

A bike de cada paratleta

TRICICLO

Para ciclista com equilíbrio comprometido.

TANDEM

Para ciclista com deficiência visual com necessidade de guia.

HANDBIKE

Para ciclista paraplégico.

BICICLETA CONVENCIONAL
Para os demais ciclistas.

Jady Malavazzi2 é uma das principais ciclistas paralímpicas do Brasil. Tetracampeã brasileira e quarta colocada na Copa do Mundo de 2013, ela iniciou no paraciclismo em 2011. Jady ficou paraplégica em decorrência de um acidente de carro em 2007, e diz que o esporte foi a base para sua reabilitação depois da tragédia. 

Segundo a paratleta brasileira, “está havendo um grande incentivo na modalidade paralímpica visando 2016. Ainda não estamos em um patamar ideal, mas houve uma melhora. Hoje, tenho o patrocínio da Caixa e do Ministério do Esporte, que me permite destinar meu tempo quase integralmente ao ciclismo. Além disso, empresas como a Shimano e a Vemex me dão suporte para melhor desenvolvimento nas pistas. Conto com uma equipe, com técnico, preparador físico, fisioterapeuta e nutricionista. Não é fácil encontrar pessoas dispostas a fazer parte de uma equipe para formar uma atleta. Demorei um bom tempo para isso, mas agora tenho pessoas ótimas junto comigo. Recentemente mudei para Brasília para conseguir ter melhor desenvolvimento nos treinos, focada em 2016. Enfim, busco fazer o necessário para ter uma estrutura ideal. Desde 2012, a equipe brasileira vem participando das principais provas internacionais para conseguir um número maior de vagas do que tivemos em Londres. Temos campeões de Copa do Mundo de Estrada, de Velódromo e vice-campeão mundial. Venho me dedicando muito aos treinamentos, a responsabilidade é grande, mas se tudo der certo vou conseguir participar pela primeira vez em uma paralimpíada e quero estrear bem em casa”.

Sobre a preparação do Rio de Janeiro para receber os jogos, Jady diz que “apesar dos atrasos com obras, parece que as coisas estão acontecendo. Estive recentemente lá, uma passagem de apenas um dia, mas deu pra ver que há obra espalhada por boa parte da cidade”.

A ciclista Jady Malavazzi. - © Vanusa Alberti

A paratleta Silvana Chimionato3 é outra promessa do Brasil para este ano. Apesar de ter iniciado apenas em 2014 no paraciclismo, ela teve uma ótima participação no Brasileiro em Brasília e lidera o ranking até o momento. Silvana tem uma limitação visual, classificada conforme laudos médicos e classificação oftalmológica na categoria T12 com revisão para T11 (cegueira total), pois do olho esquerdo a limitação é total e o olho direito tem apenas 2% de campo visual. 

Segundo Silvana, “todos os atletas estão muito ansiosos e treinando muito. No meu caso, faço treinamento acompanhado pela OCE de Belo Horizonte, com o treinador Gabriel Salgado. As minhas condições de treino são boas, tenho auxílio do meu marido Fernando Chimionato, que é meu guia nos treinos e competições de MTB que participamos. Ainda não temos patrocínio para o custeio de deslocamento, mas a Confederação Brasileira de Ciclismo arca com as despesas de estadia e alimentação minha e da minha guia e grande atleta, Maira Murakami. Minhas expectativas são as melhores possíveis, estou confiante em meus treinos”.

A paratleta Silvana Chimionato e sua guia Maira Murakami. - © Murilo Rezende / Seppia

Tanto Silvana quanto Jady relataram um mesmo obstáculo para a maior popularização do paraciclismo no Brasil: o alto custo do esporte. “No caso do paratleta deficiente visual”, diz Silvana, “é difícil obter os equipamentos, a bike tandem é muito difícil de encontrar em nosso país, especialmente uma que suporte o desgaste dos treinos e resista durante as provas. No meu caso, tenho o patrocínio da Scott e da Pedal Pro, de Franca, mas para quem não tem apoio é complicado”. Jady diz que “o paraciclismo é um esporte caro, e é difícil ter equipamentos tops. Outro fator é conseguir se dedicar exclusivamente a isso”.

Classificação 

Todos os atletas devem ser submetidos a testes funcionais para determinar a classe de disputa. Estes testes funcionais medem, principalmente, a força, amplitude e coordenação dos movimentos. O atleta deve ter um padrão mínimo de deficiência para ser elegível em uma das seis classes da modalidade. São elas:

TRI 1
Atletas paraplégicos, tetraplégicos e bi-amputados que utilizam a handbike e cadeiras de rodas.

TRI 2
Atletas com severo comprometimento de pernas que usam próteses.

TRI 3
Les autres (ou pessoas com alguma deficiência locomotora), que podem ser atletas com esclerose múltipla, paralisia cerebral, distrofia muscular, entre outros.

TRI 4
Atletas com comprometimento dos braços, como paralisia ou amputação.

TRI 5
Atletas com comprometimento moderado da perna, como amputação abaixo do joelho.

TRI 6
Atletas cegos ou de baixa visão, que são auxiliados por guias na corrida e no ciclismo (bicicletas tandem) e por tapper na natação.

Fonte: Comitê Paralímpico Brasileiro

A estreia do paratriatlo

Desde o primeiro Campeonato Mundial de Paratriatlo, realizado em 1989 na cidade francesa de Avignon, esta modalidade tem crescido e ganhado novos adeptos. E os Jogos do Rio 2016 receberam a prestigiosa missão de introduzir esta disputa na paralimpíada. São 750 metros de natação, 20 km de ciclismo e 5 km de corrida.

“Não poderia haver um cenário e um país melhor do que o Brasil para a estreia do paratriatlo”, afirmou recentemente o presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro e membro do Comitê Executivo do IPC, Andrew Parsons, que considerou ainda: “Copacabana é o local perfeito para a competição. Além disso, a modalidade teve um desenvolvimento grande no país e combina com o espírito jovem que esperamos do Rio 2016”.

Atletas com diferentes tipos de deficiência podem participar, e cada um utiliza equipamentos específicos de acordo com a sua necessidade. Um atleta paraplégico, por exemplo, utilizará uma handbike para o percurso de ciclismo e uma cadeira de rodas para o trajeto da corrida. Já o atleta deficiente visual utilizará uma bicicleta tandem e, durante a natação, o tapper, um bastão com ponta de espuma que o avisa sobre a aproximação do fim do trajeto.

Buscando uma vaga para a modalidade estreante, o baiano Leonardo Curvelo4 tem alcançado importantes resultados desde que iniciou no paratriatlo, há dois anos. Ele foi Campeão Mundial no Canadá em 2014 (único ouro do Brasil), conquistou a medalha de prata no Pan-americano do México 2014, entre outros.

O triatleta Leonardo Curvelo. - © Marta Lorensen

“Passe cinco minutos andando com uma bicicleta de triatlo com um braço apenas, e você vai entender o quanto difícil é”, diz Leonardo, que tem um braço amputado, “e além dessas limitações, ainda há a falta de patrocínio, fator importante em um esporte muito caro como é o paratriatlo e o paraciclismo. De toda forma, venho me preparando muito bem, estou me adaptando às dificuldades, e será muito bom ver o paratriatlo estrear nos Jogos do Rio 2016”. 
 
Se os Jogos Olímpicos sempre nos aguçam os sentimentos de persistência, resiliência e superação, as Paralimpíadas vão além e nos fazem reconsiderar atitudes e redefinir limites. Que venham os Jogos Paralímpicos – com o sucesso e visibilidade que merecem! 
 

BÔNUS

Um papo com Soelito Gohr

Tricampeão Mundial de Paraciclismo (2009, 2010 e 2014), quatro medalhas nos jogos parapanamericanos, vice-campeão mundial Scratch 2015 e líder do ranking brasileiro 2014.

O início no paraciclismo

Desde os 14 anos participo de competições de ciclismo. Em 1995, durante um treino, sofri um acidente no qual rompi o nervo do plexo braquial, causando danos no braço esquerdo, limitando meus movimentos.

As principais dificuldades para se manter como atleta paralímpico

Os maiores desafios são o incentivo financeiro e estrutural. O governo está fazendo uma parte, porém, a modalidade é cara. Ter uma estrutura por trás, com nutrição, acompanhamento médico, material de ponta, faz a diferença para subir os degraus do pódio.

A estrutura do Rio de Janeiro para receber as paralimpíadas

Qualquer país ou cidade pode realizar essas competições, basta querer, ter a vontade e fazer acontecer a inclusão dessas pessoas com deficiência no dia a dia. Dessa forma, as competições serão apenas consequência natural, como nas modalidades sem deficiência. Falta pouco tempo, mas com determinação acredito que tudo ocorra bem para que tenhamos um ótimo espetáculo.

A preparação para o Rio 2016

Cada atleta faz sua escala de treinos individual, buscando a melhor condição para a competição. Minha expectativa é ótima, mas em casa a pressão é maior, afinal a imprensa, os conhecidos, estão todos voltados para a competição. Espero estar bem preparado.

Penso que é um passo de cada vez, tudo é um somatório, estou bem focado nos treinos pois tenho competições importantes esse ano e me saindo bem nessas já é uma base para ano que vem, ou seja, o dever de casa é todo dia, treino, alimentação, dedicação ao máximo, isso tudo vai refletir na competição.

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