REVISTA BICICLETA - Ciclocidadania, para além do conceito
Divulgue sua marca aqui!
Lube Cera Premium

O Portal
da Bicicleta

SHIMANO
Revista Bicicleta - Edição 82

Leia

Revista
Bicicleta



+bicicleta - Ideias - Ciclocidadania

Ciclocidadania, para além do conceito

Revista Bicicleta por Therbio Felipe M. Cezar
1.533 visualizações
20/03/2016
Ciclocidadania, para além do conceito
Foto: Roman84 / Depositphotos

Foi na Edição 08 da Revista Bicicleta que publicamos, por primeira vez neste meio, aspectos sobre o que viemos a denominar de Ciclocidadania. Era agosto de 2011, algo bem distante do ano de 2007 quando, em um trabalho acadêmico no Curso de Turismo da Universidade de Uberaba, chegamos a propor enquanto docente da área que Ciclocidadania seria uma:

“Experiência de humanização do cotidiano no contexto das cidades, em forma de ação socioeducativa pró-mobilidade humana, cujo engajamento deste movimento social extrapole as obrigações e direitos formais, e resulte concretamente em empreendimentos de defesa da vida e de um futuro possíveis, tendo a bicicleta como meio de intervenção prioritário.”

A bicicleta foi o meio de intervenção escolhido àquela época, para concretizar tal experiência, ainda que fosse, particularmente, através de meu projeto Professor Sobre Rodas. Havia que tentar colocar em uma só palavra o conjunto de expectativas próprias e que começavam a dar sinais de resultados, até então, não esperados.

Como todo o conceito, o tempo e o uso trouxeram aprofundamentos e derivações. Mais personagens da mobilidade humana pelo país passaram a fazer uso do conceito a fim de explicar algumas formas mais complexas de atuação que superavam as expectativas morais de nossos papéis sociais.

Queria-se a ampliação do conceito de cidadania, para além do exercício dos direitos e deveres, civis e políticos, diante do Estado ou da Constituição. Fazia falta engajamento livre, para longe da mera obrigação moral. E entendíamos que tal interpretação, ainda que pessoal e particular, diante do ser cidadão carecia de renovação. Por este motivo, adotamos a palavra ‘ciclo’. Talvez, se olhasse por outro viés, haveria de ter adotado a desgastada palavra ‘eco’.

Por admitir, pessoalmente, que a educação não se restringe a meios institucionalmente escolares, entendemos que a Ciclocidadania seja uma ação socioeducativa emancipadora, que gera liberdades. A ação de educar é uma escolha que supera ou transcende as quatro paredes das instituições de ensino e pode estar presente em diálogos online, em eventos culturais, em ocupações do espaço público pacíficas, em vídeos, em mostras fotográficas, em literatura, em pedaladas pelas cidades, e por aí vai. Sendo assim, compreendemos que o conceito seja aplicável.

A Ciclocidadania, por ser uma livre escolha reflexiva sobre a realidade (ética) enaltece os valores humanos porque assim quer a cidade para pessoas. Ela é uma ação consciente de quem quer a mudança, então, começa por mudar a si próprio antes de esperar que as transformações surjam à revelia de si. Inúmeros são os grupos de ciclistas pelo Brasil adentro que se esmeram em promover transformações nas cidades que beneficiem a todos, sem exceção. Seria fácil citá-los às centenas, mesmo que desconheçam tal fato.

Agir com Ciclocidadania, por exemplo, é ter em mente que a natureza é um bem que pertence a todos, que os impactos da presença humana no ambiente devem ser aqueles cujos resultados não comprometam a vida qualitativa das gerações futuras. Por este motivo, a bicicleta é o veículo da ciclocidadania e da sustentabilidade.

Toda ação ciclocidadã pressupõe o engajamento comunitário com fins de gerar condições amplas e plenas para todos, tendo como objetivo prioritário aqueles sujeitos para quem as escolhas foram limitadas, pela força, pelo poder ou pela injustiça social. 

O conceito indica ainda que ao valer-se da bicicleta como veículo não violento, todo o cidadão (e cidadã) escolhe a maneira de ser protagonista da cidade que constrói cotidianamente. Encontra, também, uma forma concreta de atuar individualmente gerando impactos e resultados positivos plurais, que atingirão uma escala que nem sequer se tem plena noção.

O conceito de Ciclocidadania remete à experiência de “com-vivência” excetuando a mera abordagem de “sobrevivência” nas cidades. Aponta para a construção coletiva de uma realidade possível de ressignificação das ruas e, por consequência, dos coletivos humanos que as tomam, sejam pedestres, ciclistas, skatistas, patinadores, prestadores de serviço de coleta e de entrega, carroceiros, catadores, recicladores (burros sem rabo) etc.

Enquanto comportamento, é a adoção de uma postura de vigília ante à globalização insidiosa e excludente no tecido da cidade, se opondo à gentrificação, ao higienismo social, à apatia diante da violência urbana, bem como em oposição à hegemonia do veículo automotor frente ao pedestre e ao ciclista.

A Ciclocidadania é um resgate do plural e da alteridade em um mundo engessado de individualismos. 

Viva a Bicicleta, sempre!

 

Comentários Facebook
Comentários
Nenhum comentário. Seja o primeiro a comentar.

Para postar seu comentário faça seu login abaixo.

E-mail
Senha

 

Cadastre-se Aqui | Esqueceu a senha?

Edições On-lineCadastre-se Esqueceu a senha?
E-mail
Senha
Revista Bicicleta 2012 © Todos os Direitos Reservados