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Cicloviagem Caminho da Fé

Viajar por quase uma semana, por diversas cidades, fazer muito exercício, alimentar-se bem, divertir-se, ficar em contato direto com muita natureza, conhecer diferentes culturas e ainda com baixo custo, parece inacreditável, mas uma cicloviagem pode lhe proporcionar tudo isto! Um dos primeiros passos é escolher o roteiro que pretende percorrer. A cicloviagem pode ser nacional ou internacional, com ou sem apoio, mas seja ela qual for, o melhor de tudo será percorrer longas distâncias sobre uma bicicleta e prazerosamente sentir o vento e o giro das pedaladas.

Revista Bicicleta por Claudia Franco
39.185 visualizações
24/11/2016
Cicloviagem Caminho da Fé
Foto: Claudia Franco

Desde que ingressei no mountain biking há quatro anos atrás, interessei-me por percorrer o Caminho da Fé devido aos excelentes relatos de cicloturistas que conheci. Finalmente, ao planejar mais uma cicloviagem de final de ano, decidi-me pelo Caminho da Fé. Foram cinco dias de pedalada e falar a respeito do mesmo não é tarefa fácil, pois há diversas nuances e aspectos muitos ricos.

O Caminho da Fé é a maior trilha de peregrinação do Brasil e foi inspirado no Caminho de Santiago de Compostela com o objetivo de incentivar e apoiar romeiros a fazerem peregrinação ao Santuário Nacional de Aparecida. Em setembro de 2013, o Caminho da Fé passou a fazer parte dos roteiros do programa “Caminha São Paulo”, da Secretaria de Turismo de São Paulo. 

A peregrinação pode ser realizada tanto a pé como de bicicleta. Eu, Marcello Ruivo, Professor Arnaldo e mais 13 pessoas percorremos o caminho de bicicleta.

O ramal original do Caminho da Fé tem 497 km de extensão, quase dois mil metros de altimetria acumulada, e grande parte do percurso se dá pela Serra da Mantiqueira, por trilhas, bosques, estradas vicinais e também asfalto.

A Serra da Mantiqueira tem uma formação geológica datada da era arqueana que compreende um maciço rochoso que possui grande área de terras altas, entre mil e quase três mil metros de altitude, ao longo das divisas dos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Na Serra da Mantiqueira existem diversas unidades de conservação, como a área de proteção ambiental Serra da Mantiqueira, dividida entre os três estados, o Parque Nacional de Itatiaia, dividido entre Minas e Rio, e os Parques Estaduais Serra do Brigadeiro e Serra do Papagaio, em Minas, e Campos do Jordão, em São Paulo. Cerca de 10% da serra encontra-se em terras fluminenses; 30% da serra está localizada no estado de São Paulo, e os demais 60% estão localizados no estado de Minas Gerais.

Os recursos são extremamente simples, mas tudo muito organizado, desde a reserva nas pousadas até a sinalização do caminho. Percorrê-lo é um exercício de humildade e simplicidade, pois o peregrino precisa se despojar do supérfluo e carregar consigo somente o que cabe em sua mochila. A hospedagem se dá em pousadas muito simples, algumas delas sendo a própria casa da pessoa que mora ao longo do percurso. As refeições nestas pousadas são bem simples, mas feitas com muita dedicação e amor. Em todos os lugares os peregrinos são reconhecidos e recebidos extremamente bem. Em cada parada, o peregrino contribui para o desenvolvimento econômico e social das pequenas cidades e também a integração cultural com os habitantes da região.

Iniciamos a cicloviagem no dia 26 de dezembro e a finalizamos no dia 30. Foram cinco dias de pedal consecutivos perfazendo três cidades por dia.

1º Dia: Águas da Prata, Andradas e Barra Crisólia
2º Dia: Ouro Fino, Borda da Mata e Tocos de Moji
3º Dia: Estiva, Consolação e Paraisópolis
4º Dia: Luminosa, Campista e Campos do Jordão
5º Dia: Pousadas, Pindamonhangaba e Aparecida

Pedalamos em média 70 km por dia. É uma quilometragem grande para quem não tem experiência em moutain biking ou para quem não está preparado fisicamente e emocionalmente. O cansaço e a dificuldade do caminho colocam à prova o humor dos participantes da viagem. Por isto a quilometragem diária deve ser reduzida se a pessoa dispuser de mais dias para a viagem. Desta forma, terá mais tempo para apreciar as magníficas paisagens e interagir mais com as pessoas da região. É um aprendizado ímpar!

Ao escolher percorrer o Caminho da Fé, é necessário ter em mente claramente seus objetivos. É necessário ter uma motivação original com significado para o que se quer, do contrário todo o esforço pode perder o sentido.

Para quem é mountain biker (esportista), a motivação pode vir da superação das montanhas, pedalar até o mais alto cume e saber que deu conta do recado. Para alguns a motivação está vinculada à religião, a chegar ao destino final.

Por isto, ao optar por percorrer o Caminho da Fé, é necessário realizar com antecedência uma ótima preparação física, dispor de equipamentos adequados e preparação emocional. 

É necessário saber aonde quer chegar, porque quer chegar, o que vai levar do Caminho e principalmente o que vai deixar pelo Caminho.

É importante definir um objetivo e estabelecer as etapas a serem cumpridas de acordo com a sua capacidade. Se a sua viagem não tiver um propósito, é bem provável que você não encontre forças para continuar, como ocorreu com diversos participantes do nosso grupo. Muitos deles não pedalaram o caminho todo, por falta de condicionamento físico, por falta de experiência e por subestimar a farta quantidade de informações e alertas que receberam a respeito das dificuldades que enfrentariam durante os cinco dias.  Alguns membros não se prepararam adequadamente para os desafios, não encararam a cicloviagem com responsabilidade e alguns até com certo desrespeito. Com isto causaram problemas para si mesmos e também para o restante do grupo. Não compreenderam que colocaram em risco a própria segurança e a de outros membros do grupo também. 

Uma cicloviagem pelo Caminho da Fé demanda do participante maturidade e seriedade, pois as dificuldades lhe serão apresentadas a cada hora, e é necessário estar preparado para superá-las. O Caminho da Fé não é apenas uma viagem, é uma jornada de aprendizado, de grande exercício de convivência, de respeito mútuo, respeito à natureza, às cidades e aos seus habitantes. Por isto, percorrer o Caminho da Fé sem um propósito é um contrassenso. No caminho estamos de passagem, mas precisamos chegar ao destino final melhor do que quando o iniciamos.

Ao final do dia de pedalada chegar ao simples conforto de uma pousadinha no meio da mata era um grande presente, mas sinceramente, só me sentia completamente feliz quando estava pedalando pelas montanhas. É o meu momento “Dom Quixote”, que dizia que gostava do conforto da pousada, mas somente conseguia se sentir vivo quando cavalgava o seu cavalo Rocinante. Assim sou eu com a minha bicicleta. 

Localização pelo Caminho da Fé e sua condição

O Caminho é todo sinalizado, por isto, não é necessário mapas e nem GPS. Basta ficar atento às setas amarelas que estão pintadas em postes, muros, cercas, barrancos, costas de placas das estradas, entre outros lugares. O terreno onde o ciclista roda como um todo é muito bom. Possibilita ao biker ótimas sensações, pois são poucas as “pegadinhas”, como pedras escondidas ou sulcos mal posicionados. Consegue-se desenvolver uma boa pedalada para que o nível aumente. Ao chegar nas cidades, se tiver dúvida sobre por onde seguir, a população local lhe dará instruções para que você retome o caminho. Sente-se uma atmosfera amistosa no geral. Fontes de água na beira da estrada ajeitadas pelos moradores são surpresas agradabilíssimas.

Preparação e segurança

Pedalar muitos quilômetros exige muita preparação. É fundamental levar em consideração que durante muito tempo você pode estar sozinho pela trilha. Mesmo pedalando em grupo é comum que os ritmos sejam diferentes e com isto haja um distanciamento entre os ciclistas. Por isto sua saúde e condicionamento físico devem estar em perfeito estado. Durante o percurso seja prudente, acidentes não são bem-vindos, principalmente aqueles causados por impudência. Lembre-se de que manobras arriscadas e alta velocidade sem consciência de seu alto nível não cabem em um percurso como este. A ideia é chegar, e chegar bem. 

O socorro em trilhas como o Caminho da Fé está muito distante, sem que haja um pronto-atendimento. Leve medicação e alguns itens para algumas emergências, como ataduras e antissépticos. Nunca se aparte do grupo. Certifique-se de manter contato com o mesmo e caso haja um distanciamento maior, fique no lugar aguardando algum membro do grupo chegar até você. Deixe o seu itinerário, telefones de pousadas onde se hospedará com algum membro de sua família, desta forma em caso de necessidade saberão onde localizá-lo. Estando em grupo, faça da sua participação algo prazeroso para todos, seja gentil e submeta-se às regras do grupo: o individualismo não é bem-vindo, pense coletivamente!

Antevendo que algumas pessoas de nosso grupo poderiam ter dificuldades de cumprir o longo trajeto diário e se estivessem com peso extra de bagagem, certamente sucumbiriam nos primeiros 25 quilômetros, conseguimos uma caminhonete e um carro para apoio. Sem isso, poucas pessoas do grupo teriam finalizado a viagem. Também conseguimos bagageiros, alforjes, mochilas, bolsas para ferramentas, entre outros acessórios, o que nos proporcionou grande conforto para transportarmos nossas tralhas.

Apoio: Seguradora Porto Seguro, Thule e a grande amiga Neusa Telheiros.

O que levar: Leve o menos possível, pois qualquer peso adicional tornará o seu percurso muito difícil. Leve o essencial: ferramentas para reparo da bicicleta, uma gancheira, apenas uma troca de roupa e alimento para o percurso.

Planejamento: Planeje a viagem de acordo com o seu condicionamento físico. Estude o percurso, faça reservas com antecedência nas pousadas, revise o seu equipamento e certifique-se de que a sua bicicleta é apropriada para este tipo de viagem.

Investimento individual: Custo médio com hospedagem para seis dias: R$ 300,00. Custo médio com alimentação: R$ 250,00

Onde encontrar informações a respeito do Caminho da Fé

www.caminhodafe.com.br
www.olinto.com.br

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