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Costa dos Coqueiros - Bahia

Revista Bicicleta por Lucia Saraiva
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23/01/2014
Costa dos Coqueiros - Bahia
Trecho: Mangue seco a Praia do Forte, costeando pela praia e seguindo rigidamente pela tábua de maré.
Foto: Zena Tomio; Lucia e Eluziram

Nossa viagem à Costa dos Coqueiros foi planejada incluindo todos os contratempos que podem acontecer, como furar pneus e regular freios e câmbios. Até tomamos algumas aulas sobre esses assuntos e aprendemos o básico. Estávamos acostumadas como os “mimos” dos nossos amigos de bike masculinos, que sempre nos auxiliam nos circuitos. Desta vez seria diferente - Elas por Elas!

E assim, as três Lu's - Lucia Saraiva, 51 anos, idealizadora desta saga. Lourdinha Pinto, 53 anos, e a menina Eluziram Ribeiro, 34 anos - partiram de Salvador de carro, com o fotógrafo profissional Zena Tomio como motorista, pela Linha Verde em direção ao terminal de Pontal, em Sergipe Salvador e atravessaram de barco o Rio Real, bastante largo que ainda abriga o quase extinto peixe-boi, e que divide as fronteiras de Sergipe e Bahia.

Chegamos em Mangue Seco, uma vila de pescadores localizada no município baiano de Jandaíra, última praia no extremo norte do litoral baiano, que serviu de inspiração e cenário de algumas cenas do romance Tieta do Agreste, de Jorge Amado. Neste local de rara beleza, sentimos a degradação pelas construções de alvenaria à beira do Rio Real, sem quaisquer critérios...

Hospedamos-nos na Pousada Suruby, literalmente situada à beira do rio e muito bem arborizada, inclusive com pequenos animais silvestres (porquinhos da índia e jabutis) com ótimo preço, boa acolhida e principalmente boa comida caseira de frutos do mar da região, claro! 
Fomos dormir cedo, mas a maré era de lua cheia no seu ápice, o coeficiente de maré estava com 102 e por este motivo a maré era muito alta, o que, por um lado era bom, pois poderíamos acordar e tomar café da manhã tranquilamente, saindo às 09 h 30min, esperando a maré (e o rio) vazarem para iniciar a nossa tão esperada aventura. O problema era o sol que ficava mais quente... 

A Cicloviagem

Logo de início tivemos que passar por um manguezal fechado e grandes dunas de areia branca, fofa e muito quente, até ter acesso à praia que fica numa península lindíssima, onde é largo e compacto, ótimo para se pedalar. Neste trecho e neste dia estava para acontecer um evento anual da região – o Rally Alagoinhas/Mangue Seco – por conta disso, passava por nós dezenas de veículos 4 x 4, além de vários quadriciclos, e alguns motoristas tiravam muitas fotos nossas, talvez incrédulos.

Na próxima comunidade, Siribinha, tínhamos vontade de conhecer o Igarapé batizado de “Cavalo Russo”, mas não foi possível pois a altura do rio não permitiria o retorno seguro de barco. Um barquinho a motor nos atravessou até a comunidade na outra margem do Rio Itapiruru, considerado um raro rio perene no nordeste. Do outro lado, tínhamos uma estradinha de barro para pedalar. Depois de 52 km pedalados no primeiro dia, chegamos a Sitio do Conde, onde nos aconchegamos na Pousada Bem Viver e almoçamos uma comida caseira muito boa e por um precinho módico, no Restaurante da Dona Dulce.

Acordamos cedo no segundo dia, demos um banho de respeito nas magrelas, com direito a escova e lubrificação. Isto é fator imprescindível, pois a areia entra nas catracas e pode prejudicar o bom andamento da viagem. A cada dia teríamos que sair mais tarde, tendo que acrescentar cerca de 40 minutos por causa da maré. Saímos às 10 horas em direção a Barra do Itariri, novamente com praia bem extensa e areia dura. Chegando à comunidade, nos deparamos com muitos banhistas, pois era domingão. Neste trecho, Lourdinha tomou um belo banho... Até aqui, foram 66,35 km pedalados. 

Seguindo o nosso roteiro, “sem estresse”, continuamos pedalando com uma areia favorável até a Comunidade de Baixios, aonde chegamos às 14 h 15 min. Antes, atravessamos outro rio, o Inhambupe. É um rio que não dá pé, por isso o salva-mar Edmilson lançou sua prancha oficial e veio ao nosso encontro para dar uma forcinha. Embalamos nossos equipamentos e documentos para não termos surpresas desagradáveis... A prancha levou a Lourdinha primeiro, que morria de medo de águas profundas e não sabia nadar. Depois levou Elu, e logo apareceu um barquinho com um pescador muito querido que levou nossas bikes para a outra margem. Eu gosto de águas e atravessei a nado. Nos aconchegamos na Pousada Kawan e almoçamos na Pousada Encanto's. Até aqui foram 89,10 km.

Saímos de Baixios e há oito quilômetros encontramos uma lagoa linda e limpinha, chamada Mamucabo. Seguimos pela praia e encontramos uma cascavel perdida na areia... Tentamos pegar ela com uma forquilha e recolocar no matagal próximo, mas ela se armou e resolvemos largá-la para não termos que procurar o Butantã. Provavelmente um gavião faria a festa: o céu estava cheio deles.

De Subaúma à Praia do Forte

Seguindo para a Comunidade de Subaúma, novamente nos deparamos um rio, aparentemente manso, que teríamos que atravessar... mas a correnteza não ajudava. Um nativo da região, da outra margem do rio, prontamente se jogou nas águas com uma faca entre os dentes e veio para nos ajudar. A faca era para pescar caranguejos que estavam dando bobeira e andando pelo manguezal frondoso e farto da região. Agradecemos o nativo, Lenilton, e fizemos uma parada em Subaúma para hidratar e lavar as sapatilhas. Nesta parada, conhecemos o querido fotógrafo Renivaldo, de Alagoinhas.

Passamos pela praia de nudismo de Massarandupió, no caminho para o Porto do Sauípe. Pegamos um atalho subindo pela restinga e saímos numa estrada de barro, que levou até a casa da amiga Dinha, que cedeu seus aposentos para todas nós. Até aqui, 128 km rodados! 

No outro dia, tocamos pedalando até a barra do Rio Sauípe e providenciamos outro barco para nos atravessar. Esse rio é extremamente perigoso, por conta de suas correntezas e redemoinhos frequentes. É área de manguezais frondosos lindíssimos e muita restinga. Já no outro lado, com um pouco de dificuldade pela areia molhada, tentamos pedalar e começamos a derrapar e dar boas gargalhadas. Um nativo de cima do morro de areia viu e gritou: “esperem um pouco, meninas. Logo fica tudo durinho”. Nestes trechos a areia tornou-se um pouco fofa e existiam muitas pedras. Mas também existiam lindas lagoas com as águas do mar mais baixas, muito convidativas, cheia de gringos por conta do complexo hoteleiro dali.

Nesse trecho, a limpeza provavelmente é feita diariamente, pois quase não existia lixo plástico. Infelizmente, em quase todo o percurso era uma tristeza o que a corrente trazia de lixo, que se depositava nas margens das praias desérticas. Ainda falta muito por fazer... Não adianta só preservar os milhares de ninhos de tartarugas marinhas demarcados por piquetes, certamente do Projeto Tamar, mas, principalmente, teria que se educar a população para não cuidar com o seu impacto na natureza. Do que adianta as tartarugas nascerem para logo depois morrerem sufocadas por plásticos. Lamentável!

A próxima comunidade a chegarmos foi Imbassay, com o Rio Imbassay para atravessar. A grafia correta deveria ser Imbaçai, que significa “caminho do rio” em tupi. Esse foi o rio mais fácil de atravessar, pois as águas batiam nas canelas. Paramos para hidratar e comer queijinho assado.

O roteiro estava quase no final, mas estava tão bom... Rumamos para a Praia do Forte, com a areia querendo tornar-se nossa inimiga. As magrelas afundavam, derrapavam, pediam colinho. Tentamos de tudo, mas algumas enseadas depois, chegamos na Praia do Forte. Chegamos em um boteco, pedimos petiscos, conversamos, rimos e já começamos a sentir saudades. Nosso companheiro Zena já estava presente, novamente, para nos levar para casa. 

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