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Cruzando a América do Sul

Casal de ciclistas poloneses cruza a América do Sul e vive experiência de hospitalidade em Minas Gerais

Revista Bicicleta por Therbio Felipe M. Cezar
47.207 visualizações
23/04/2014
Cruzando a América do Sul
Sandro Ferreira Lôbo
Foto: Rolando (Przemek) e Dorotea (Dorka)

“Sonhos que despertam da dormência a fim de descobrir, aprender, ver e desfrutar de todos os dias.” Encontrei esta frase na abertura do site dos personagens presentes no relato a seguir. Demonstra, a priori, que o espírito de aventura segue presente na grande maioria das experiências cicloturísticas, já que as histórias contadas por todos nós a respeito de incríveis viagens que a bicicleta nos permite através do cicloturismo sempre estão impregnadas de certa emoção e descoberta. Dias atrás, tivemos mais uma dessas visitas especiais.

O que passo a narrar me chegou através do ciclista de Uberlândia – MG, Sandro Ferreira Lôbo, que teve tal experiência e postou, em uma rede social, retalhos desta aventura, emocionando a muitos de nossos companheiros do universo da bike.

O casal polonês Rolando (Przemek, de 45 anos) e Dorotea (Dorka, em polonês, de 40 anos) voou desde a Polônia para Salvador-BA, em meados de março de 2011. De lá para cá, já se vão dezessete meses de pedalada e mais de 25.000 km rodados. Após passagem pela Bahia, o jovem casal tomou outro voo rumo a Manaus – AM levando consigo a bike Tandem com reboque trazidos da Polônia. Cruzaram desde aí os países que estão limítrofes à Amazônia e paralelos ao oceano Pacífico, como Venezuela, Colômbia, Equador, Bolívia e Chile, seguindo até Ushuaia, na Argentina.

Tomaram um novo caminho do sul da Argentina até o Paraguai, por onde entraram em nosso país, percorrendo assim o estado do Mato Grosso, sentido Pantanal Mato-grossense.

Mais um bom trecho pelo interior pleno de paisagens e vultos, até chegar a Minas Gerais, entraram no estado pela cidade de Iturama. Quando passaram pela cidade de Prata – MG, sentido Uberlândia, cruzaram pela estrada com o ciclista mineiro Sandro Lôbo, no dia 6 de setembro deste ano. 

Sandro buscou estabelecer contato com o intrépido casal a fim de saber de onde tinham partido e para onde se dirigiam. Porém, ao serem abordados, decidiram não parar, o que acreditamos ser por não dominarem o idioma português e, com toda a razão, para evitar riscos. As únicas informações que nosso amigo ciclista de Minas Gerais obteve naquele momento é que eram da Polônia e que tinham um filho. Sandro seguiu seu caminho, desejando boa viagem aos dois. 

No dia seguinte, ao ir à padaria, Sandro encontrou o jovem casal literalmente perdido no bairro Tubalina, onde reside. Ao avistarem-no, foram logo tomar informação, já que Sandro estava acompanhado de sua bike e devidamente paramentado. Após este encontro, no dia 8 de setembro, Sandro ficou tremendamente inquieto ao imaginar as incertezas que poderiam cercar os dois ciclistas poloneses. As preocupações iam desde as condições técnicas da bike, praticamente sem freios, até questões relacionadas com a segurança, enfim, com a possibilidade de continuidade da expedição. Vale lembrar que o casal seguia em direção a Pato de Minas e Montes Claros e quem conhece tal caminho sabe que se trata de um trecho com certos riscos.

Sandro buscou o auxílio, então, de três amigos seus: Felix (mecânico), Agnaldo (proprietário de uma bicicletaria) e Guilherme (proprietário de um negócio atacadista), a fim de juntos colaborarem com a empreitada do casal visitante, incluindo mantimentos e peças para a bike. Sandro e os amigos tomaram rapidamente a estrada que segue a Patos de Minas a fim de interceptar o casal o mais breve possível. Eles se encontraram a 100 km de Uberlândia, nas proximidades do trevo de acesso a Iraí de Minas/Perdizes. O encontro foi pleno de significados, porque os brasileiros trataram de consertar o freio a disco dianteiro, substituindo disco e pastilhas, além de ceder um jogo de pastilhas reserva.

A camaradagem e desprendimento dos brasileiros rompeu as fronteiras do idioma e garantiu minutos preciosos de estima, admiração e gratidão mútuos, visto que não houve qualquer custo para os visitantes poloneses.

Rolando, natural de Zakopane, e Dorotea, natural de Bydgoszcz, seguiram seu rumo ao encontro de outras culturas e pessoas maravilhosas. Eles contam em seu diário de bordo, que seguem sua aventura com um orçamento pequeno, mas com um entusiasmo imenso, e que não planejaram detalhadamente sua viagem, apenas se deixaram levar pelos caminhos e por aquilo que o mesmo os brindava.

Parece que mesmo antes de partirem, lá em seu site, o casal deixou um recado a todas as pessoas que encontrariam nesta trajetória de sonho, como o Sandro, o Agnaldo e o Guilherme. Segundo suas palavras, o recado é mais ou menos este: “...Como uma criança que não teve oportunidade de viajar para o exterior e aprender sobre o mundo distante, só lhe resta sonhar. Agora, é hora de realizar este sonho. Afinal, o objetivo não é o mais importante, mas o caminho que conduz a ele...”

Quem quiser, como nós, seguir estes personagens incríveis, basta acessar tandempl.wordpress.com onde existe, além do mapa que estão seguindo, referências e inferências do que viveram durante estes tantos meses. 

Dobra wycieczka, przyjaciele! ‘Boa viagem, amigos’!

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