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D’Aprille

Revista Bicicleta por Valter F. Bustos
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30/03/2016
D’Aprille
Foto: Valter F. Bustos e Teresa D’Aprille

A importância do acervo que constitui o Museu da Bicicleta não está pautada pela antiguidade de suas peças, apesar de não negarmos essa possibilidade, mas na diversidade da coleção que permite muitos olhares e reflexões que vão muito além do objeto. O “antigo” é apenas um detalhe das muitas ou nenhuma informação que pode estar relacionada a ele.

aAfinal, a compreensão e os sentidos das coisas é individual, ou seja, varia de pessoa para pessoa. Como se diz, o que é bonito para um, pode ser feio para o outro e vice-versa. Pesa, com certeza, a quantidade de informação e saberes acumulados ao longo de nossas existências e que podem ajudar nas tomadas das decisões, ou qual o melhor caminho a seguir. Fazemos escolhas o tempo todo. No meu caso, tenho uma escolha muito difícil para fazer a cada mês, e essa decisão recai sobre a bicicleta a ser apresentada na seção Raridades aqui da revista. Lidar com o material é bem menos complicado. Quando o objeto traz no seu bojo uma dose de valores imateriais, tudo muda pela dificuldade dessa quantificação. Acho que ficará mais fácil daqui para a frente.

Para este número, escolhi essa Alfamec Tirreno de MTB ano 1997, que pertencera à Teresa, portanto, uma bicicleta, um objeto material que é dotado de certo valor de mercado, e ponto final. No entanto, quando falamos de uma bicicleta que pertenceu a essa grande figura, fundadora do “Saia na Noite” - aqui não se trata do verbo sair, mas do vestuário feminino, saia - a coisa toda muda de situação pois os valores imateriais com os quais ela está impregnada, não têm preço.

Teresa, como muitos dos amigos que deixei em São Paulo, acompanharam a gestação do Museu da Bicicleta cuja fecundação se deu em Sampa, mas o nascimento ocorreu em Joinville. Da mesma forma eu acompanhei de perto a fecundação e o nascimento do “Saia” que teve o seu “pré-natal” feito pelo não menos importante, Arturo Alcorta, que junto com outras pessoas iniciou essa luta para que a bicicleta tivesse esse reconhecimento atual e quase tardio na cidade de São Paulo. Sabemos que a luta não foi pequena e quase uma montanha era removida por dia, sem contar as preciosas vidas perdidas ao longo desses anos. Portanto, a ciclovia da Avenida Paulista é fruto dessa luta iniciada há muito tempo. Com essa Alfamec, Teresa esteve presente nessas empreitadas. Após o reconhecimento merecido, afinal, o Saia na Noite completa 23 anos em 16 de outubro. Com ela, a Tere competiu em várias edições da Prova 9 de Julho, inaugurou bicicletários em São Paulo, subiu a majestosa e encantadora Serra de Dona Francisca, em Santa Catarina, em uma visita que nos fez em 2005. Também, puxou muitos passeios do Saia acompanhada por essa mulherada maravilhosa que pedala com força, beleza e muita graça.

Teresa mantinha uma tradição que era quebrada somente no Dia dos Namorados, portanto, no decorrer desse período homem não tinha vez. Infelizmente, a violência que se espalha pelo país e os inumeráveis roubos de bicicletas mudaram essa realidade e a rapaziada, em número pequeno, acompanha os passeios das meninas. Temos uma amizade sincera e apaixonada. Nem por isso, Teresa me deu mole naquele início. Recordo que logo nos primeiros passeios, ela convidou a Rose (minha mulher) para conhecer o grupo e pedalar com elas num sábado. Eu queria ir junto de qualquer maneira, mas a Teresa estava irredutível e não amolecia de jeito nenhum:

“Teresa, eu quero ir”.

“Valtão, não dá; você sabe que é só para a mulherada”.

“E se eu colocar um vestido da Rose, você libera?”

“Tá; quero ver se você tem coragem”.

Na ocasião, eu usava barba e topei a brincadeira, sendo bem recebido pelo grupo que logo me tascou o apelido de Maria Barba. A sensação foi muito boa, pois pude sentir o espírito de amizade e companheirismo que permeava entre elas, e isso prevalece até hoje, segundo Teresa. O passeio terminou numa das lojas da saudosa doceria Brunella, que era localizada na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, nos Jardins, sem contar as muitas fotos e a promessa de memoráveis passeios que viriam. Naquele dia, todos nós sentimos que o Saia na Noite seria para sempre. Parabéns meninas, e plagiando o grande mestre Samuca, beijos no coração.

 

Ficha Técnica

Bicicleta ALFAMEC, modelo Tirreno de MTB, aro 26, ano 1997.

Procedência; Brasil.

Condição: original/conservada.

Acervo: MuBi.

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