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Do agreste pernambucano para o vale catarinense

Quando o pernambucano Kleson Rodrigues foi apresentado em seu primeiro dia de trabalho em Blumenau – SC, onde passou o ano de 2013, alguns colegas perguntaram: “você é o cara que trouxe a bike e não a mulher?”. As brincadeiras e a fama de “maluco” logo deram lugar a uma curiosidade sobre o ciclismo que fez com que muitos começassem a pedalar. Em poucos meses, a empresa ganhou infraestrutura amigável aos ciclistas e houve até a formação de um grupo de pedal entre os colaboradores.

Revista Bicicleta por Anderson Ricardo Schörner
4.409 visualizações
22/08/2015
Do agreste pernambucano para o vale catarinense
Foto: Kleson Rodrigues / Arquivo Pessoal

Quando dona Maria Amara da Silva conseguiu dar a primeira bicicleta ao filho, Kleson, ele tinha 11 anos. Era uma bicicleta vermelha com pneus aro 14 que fez parte da infância e adolescência de Kleson, assim como acontece com a maioria das pessoas.

O que ele não imaginava é que a bike ressurgiria em um dos piores momentos de sua vida, há três anos. “Estava tratando de uma forte depressão, com psicólogo e remédios para dormir, mas nada amenizava”, relembra Kleson. “Foi quando dois grandes amigos, Amauri Augusto Santana e Claudio Marcelo da Silva me incentivaram bastante para que eu comprasse uma bicicleta e fosse pedalar com eles aos domingos”, diz.

Kleson aceitou o desafio. Comprou uma Caloi TRS e se apaixonou pelo esporte já no primeiro pedal. “Sou eternamente grato aos dois. Hoje, para onde quer que eu vá, minha bicicleta vai comigo. Tanto é assim que ela percorreu mais de 3.100 km de Altinho – PE para Blumenau – SC”, afirma. As melhorias que a bicicleta trouxe para a vida de Kleson o transformaram de incentivado a incentivador. Ele passou a compartilhar sua paixão pela bike como forma de oferecer algo bom que as pessoas também pudessem experimentar. Foi assim no agreste pernambucano com a sobrinha Júlia Emannuely (acima), por exemplo, a quem ele deu uma bicicletinha de presente. E foi assim também no vale catarinense com os colegas de trabalho...

No início de 2013 Kleson chegou a Blumenau. Ele é consultor de sistemas e se instalou em Santa Catarina para uma temporada de trabalho na empresa Pública Informática. Recém-chegado e sem conhecer o pessoal, logo surgiram as brincadeiras com relação à sua bicicleta. “Alguns me perguntavam se eu era o cara que havia trazido a bicicleta ao invés da mulher. Eu dizia que sim e eles riam. Então comecei a responder várias perguntas sobre bicicletas e logo no primeiro mês houve duas aquisições”. 

As dúvidas e curiosidades cresciam a cada dia. “Durante toda a primeira semana vários colegas perguntavam: ‘e aí, já foi pedalar? Caso for para tal lugar, é bom passar pela Rua Tal, Bairro Tal’. Enfim, indicavam roteiros e falavam sobre os obstáculos, como os morros”.

A fim de fazer um pedal de incentivo e motivação, Kleson rodou 82 km em uma manhã entre Blumenau e as cidades vizinhas de Pomerode, Timbó e Indaial. “A temperatura de apenas seis graus no trecho de Pomerode a Timbó, para quem vem de um ‘frio de 19 graus altinenses’, foi o maior obstáculo”, conta Kleson. De fato, as diferenças entre o sul e o nordeste são muitas. A cultura, as cidades, as pessoas, a forma como agem e se relacionam, entre outras coisas, são distintas. 

Mas o clima, segundo Kleson, foi o que mais se diferenciou. “Aqui no sul é muito frio. Tive que adequar os meus horários de pedal, pois enquanto eu saía às quatro horas da madrugada em Altinho para não pegar um sol escaldante no início do pedal, em Blumenau saía entre nove e dez horas da manhã. Mas o simples prazer de pedalar é semelhante em ambas as regiões. Não importa onde eu pedale, o que importa é o prazer que isso proporciona. As belíssimas paisagens de Blumenau são mais que uma razão para andar de bicicleta, são algo que nos motiva cada dia mais a viver”.

Ele explica o intuito deste primeiro pedal: “depois que comecei a pedalar tudo mudou em minha vida. Literalmente tudo. Então, queria de alguma forma me integrar com o pessoal do trabalho e a melhor maneira que encontrei foi apresentando algo bom, que faz bem à saúde, que nos faz esquecer o estresse cotidiano e que poderia beneficiá-los. Como a maioria pratica futebol, falei sobre a resistência que a bicicleta nos proporciona, e sobre como o pedal é um dos melhores exercícios aeróbicos para quem está um pouco acima do peso. Então, acho que esse foi o maior incentivo perante aos meus colegas de trabalho”.

Apesar da curiosidade, alguns colegas ainda foram resistentes para começar a pedalar. O maior problema? A falta de tempo e de infraestrutura. “Diante disso, comecei a perguntar para eles de quantos quilômetros  é o percurso entre a casa e a empresa, quanto tempo leva para realizá-lo de carro e como o trânsito atrapalha e incomoda”, lembra Kleson.

Dessa forma, aos poucos, os colegas foram aderindo à bicicleta. Até o presidente da empresa, Alexandre Hwizdaleck (ao lado), passou a pedalar com sua esposa. “Perdi o contato com a bicicleta quando vim para Blumenau para estudar e trabalhar. Quando comecei a namorar com Magda, hoje minha esposa, começamos a pedalar juntos, mas não com muita frequência. Voltamos mesmo para valer e com mais afinco após os incentivos de Kleson, que começou a cativar as pessoas para o pedal. Aos poucos aderimos também. Hoje minha esposa acompanha o grupo que foi criado na empresa com bastante regularidade, embora eu às vezes não possa ir, o que lamento muito. Quando posso andar de bicicleta, sinto uma sensação muito boa de liberdade, de curtir ainda mais a nossa região que é linda, além de proporcionar um momento em conjunto com a família e os amigos”.

Os reflexos no ambiente de trabalho foram imediatos. “Hoje existe uma interação bem maior entre todos na empresa. Organizamos os passeios e sempre há comentários e elogios com relação ao percurso e aos lugares que visitamos. A infraestrutura da empresa também está cada vez mais amigável ao ciclista. O banheiro foi devidamente equipado com um chuveiro elétrico e o estacionamento para bicicletas está sendo projetado com todos os requisitos de segurança e proteção à ação da chuva e do sol”, comemora Kleson.

Tudo isso levou o pessoal a criar uma equipe de cicloturismo denominada Pubbikers. Kleson afirma: “a empresa Pública Informática foi grande incentivadora nesse projeto de mobilidade urbana e vida mais saudável. Acredito que seja pioneira na região a dar esse incentivo aos seus funcionários, quebrando de uma vez por todas a impressão de que os profissionais de informática são sedentários. Ao menos aqui, além de profissionais de informática, somos ciclistas”.

Alexandre comenta: “como um dos sócios, percebo que o papel da empresa é fundamental para viabilizar o uso da bike para se deslocar até ao trabalho. Sem infraestrutura mínima, fica inviável. Por isso investiremos em reformas que viabilizarão comodidade, segurança e conforto aos nossos colaboradores que vierem a aderir à bicicleta”.

Colegas que aderiram ao pedal

André Burguer (acima): “Desde meus cinco anos sempre gostei de pedalar, até meus 17 anos ia todos os dias para o colégio de bicicleta, com chuva ou sol. Depois comecei a trabalhar e me desapeguei da bike por cerca de quatro anos. Eu já estava pensando em montar uma nova bike para voltar a pedalar e fazer alguma atividade física, já que estava levando uma vida muito sedentária, foi quando nosso amigo Kleson me convidou para um pedal de final de semana, e esse era o incentivo que faltava. Montei uma bike para voltar à ativa e hoje só tenho a agradecer a ele por este incentivo. Quando pedalamos nos esquecemos da correria do dia a dia, descobrimos belezas naturais e há integração com toda a galera do pedal”.

Hugo Haroldo Swarowsky: “Um fator muito positivo para quem anda de bicicleta é a versatilidade, pois no mesmo pedal você pode exercer a atividade física, lazer e locomoção. Atualmente, além das pedaladas quase que diárias, utilizo-me da bicicleta duas vezes por semana para ir ao trabalho. Um dos principais facilitadores que motivam a ir trabalhar frequentemente de bicicleta é o fato de a empresa ter entendido os benefícios que a bicicleta proporciona. Por intermédio disso, a mesma disponibilizou um chuveiro para utilização de quem vier de bicicleta, proporcionando maior conforto para os usuários”.

Bruno Debatin: “Muitos colegas adquiriram bicicletas, inclusive para a família, passaram a utilizá-las como meio de transporte e para lazer. Assuntos relacionados às bicicletas e aos passeios realizados começaram a fazer parte do cotidiano da empresa. Quanto à mobilidade, no meu caso não houve redução do tempo na realização do percurso, por exemplo, mas proporcionou a oportunidade de locomoção com saúde e diversão”.

Fernando Rafael dos Santos: “Sempre tive vontade de voltar a pedalar, pois quando era adolescente eu pedalava bastante, chegava a fazer 200 km em um final de semana. Com o incentivo do nosso amigo Kleson, acabei optando por usar a bike para melhorar a mobilidade dentro da cidade no percurso entre a casa e a empresa. Apesar das dificuldades de se pedalar em Blumenau, como o desrespeito dos motoristas para com os ciclistas e o descaso com a infraestrutura, a questão da mobilidade foi algo que melhorou 100%, pois não preciso ficar parado no trânsito ou esperando ônibus. Eu demorava 50 minutos para fazer o percurso, hoje levo 20 minutos no máximo, sem contar que isso é ótimo para a saúde e faz você se livrar do estresse muitas vezes causado pelos transtornos do trânsito. Como a empresa já percebeu a necessidade de se adaptar aos novos praticantes das pedaladas, já se manifestou para criar uma estrutura onde poderão ser guardadas as bikes e um ambiente próprio para que os ciclistas possam tomar banho, vestir-se e se preparar para o trabalho”. 

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