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Do Porto a Aveiro

Descobrindo Portugal de bicicleta

Revista Bicicleta por Regina Helena Dworzak
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10/08/2015
Do Porto a Aveiro
Foto: Regina Helena Dworzak

Unindo duas paixões – bicicleta e turismo – aproveitamos uma viagem programada com um grupo para tirar uns dias em um pedal internacional. Teria que ser um passeio curto, de um dia somente, para sentirmos o gostinho de um pedal europeu. Com auxílio da Porto Rent a Bike, optamos em ir do Porto até Aveiro, por ser uma cidade que eu ainda não conhecia e porque o passeio seria praticamente à beira-mar, plano e fácil de cumprir. A distância parecia bem razoável, aproximadamente 85 km.

Alugamos uma bicicleta híbrida Kreidler RT5, quadro de alumínio, câmbio Shimano Deore 27 velocidades, suspensão dianteira com trava, aro 28, com lanternas a dínamo, suporte para nosso alforje e que se mostrou uma bike muito robusta e agradável de pedalar. Foi difícil nos despedirmos delas no retorno ao Porto. 

O tempo estava firme, com sol, durante toda a semana e estávamos animados para nosso pedal programado para iniciar em um sábado. Embora a previsão anunciasse chuva, não queríamos acreditar que o tempo poderia mudar tão drasticamente, mas mudou. O dia amanheceu chuvoso e nós, intrépidos bikers desejosos de aventura, corremos para preparar as bicicletas bem cedo e enfrentar o tempo ruim. Por um tempo a chuva engrossou e tivemos que esperar para prosseguir.

A paisagem da Foz do Rio Douro é incrivelmente linda. No caminho encontramos os pescadores na Foz, em seguida o mar e as praias. Apreciamos a paisagem seguindo por uma ciclovia que vai beirando todo o litoral. Paramos muitas vezes para as fotos, encontramos muitos outros ciclistas pelo caminho. Nesse momento, ainda pela manhã e descansados, não havia pressa... Tudo era lindo e um passeio que não queríamos que terminasse! Mas com o atraso na saída e as mil fotos nos primeiros 4 km, percebemos que planejamento é fundamental em qualquer pedal. Não iríamos conseguir voltar de bike a tempo de devolvê-la no mesmo dia, então, o plano B - a volta de trem - entraria em ação. O Plano B é sempre recomendado em qualquer pedal. Não há pior situação para um ciclista do que se ver no meio de sua aventura com problemas ou atrasos e não saber como resolvê-los. Neste caso era fácil, se precisássemos poderíamos até pernoitar em Aveiro e voltar no dia seguinte, a região é toda de pequenas vilas e cidades, ninguém ficaria perdido no meio do nada. Há casos em que não se tem esses recursos e aí planejamento é tudo!

O circuito que fizemos atravessa a Reserva do Estuário do Rio Douro, uma parte por estradas locais e segue pela “CicloRia”, que é um projeto criado para a promoção da mobilidade ciclável e estímulo ao lazer e turismo na Ria de Aveiro criado pela Câmara Municipal de Murtosa, Estarreja e Ovar e a Universidade de Aveiro. A ligação entre Esmoriz e a Praia do Furadouro acompanha a rua da Floresta e a Avenida da Nato (OTAN), atravessando um extenso pinhal de terreno arenoso. A trilha da Floresta, como é chamada, tem seu início em Ovar e é um dos trechos mais bonitos do pedal. No caminho existem muitas mesas para piqueniques, onde pudemos fazer uma pequena pausa para descanso e um lanchinho.

Antes de chegarmos à trilha da Floresta, ainda no município de Vila Nova de Gaia, as ciclovias são perfeitos tapetes, respeitadas por pedestres, automóveis e pelos próprios ciclistas. Passamos pela praia de Miramar, local em que está construída uma pequena capela barroca à beira-mar, chamada Senhor das Pedras, sobre os rochedos. Em todo o percurso há dunas e muitas passarelas para chegar às praias. Há também muitas placas de aviso das áreas de preservação.

Um pouco adiante, a ciclovia se torna uma passarela de madeira que atravessa a região das dunas, pertinho do mar, muito bom pedalar ali! A passarela tem uma bifurcação e neste momento precisamos de auxílio de um morador local para ter certeza do caminho. Indicação dada, seguimos até alcançar o início da CicloRia.

Seguindo em direção à Praia do Furadouro, Torreira e depois a São Jacinto que se estendem ao longo de uma península formada por um dos braços da Ria de Aveiro, a paisagem continua incrível. Atravessamos a Reserva Natural das Dunas de São Jacinto, local onde as aves marinhas e típicas do estuário fazem seus ninhos.

Paramos para almoçar no caminho, por volta das 13 h 30 min, numa marisqueira em Torrão do Lameiro. O cansaço já começava a dar sinais, o terreno plano pode parecer mais fácil de encarar, mas exige que você pedale constantemente. Não há grandes descidas para aliviar as pedaladas. Tínhamos pedalado cerca de 50 km e ainda faltavam 25 km até São Jacinto, de onde saem as balsas para cruzar a ria até Aveiro.

A travessia de balsa foi rápida e permitiu um breve descanso, quando desembarcamos e seguimos a estrada, conhecemos a famosa Praia da Barra. Já era tarde e sabíamos que o plano A estava descartado. Devolver as bikes no mesmo dia seria impossível. Ligamos para o Angelo, da Porto Rent a Bike, e avisamos de nosso atraso, ficando combinado entregar as bikes no dia seguinte pela manhã. Tranquilos quanto a isso, seguimos cruzando a ponte na direção oposta de Aveiro até a Praia da Barra.

A decisão de incluir a Praia da Barra no roteiro àquela hora não foi muito boa. Já cansados, o pedal não rendia e a noite começava a se aproximar. Pegamos a estrada em direção à Aveiro e aqui passamos um momento delicado da viagem. Sem conseguir localizar uma ciclovia, seguimos pela autoestrada, sabendo que não era muito seguro e provavelmente nem permitido. Paramos algumas senhoras para perguntar sobre o caminho, mas a indicação não ajudou muito, e continuamos na autoestrada. Alguns quilômetros adiante encontramos uma ciclovia paralela à rodovia, que maravilha!

A partir desse momento, queríamos chegar logo a Aveiro e pegar o primeiro trem em direção ao Porto. Quando entramos na cidade me encantei. A Veneza portuguesa, como Aveiro é chamada, é encantadora desde o primeiro olhar. Não teríamos tempo de desbravá-la, mas era ponto de honra provar os famosos doces de ovos moles. Foi o melhor doce que já provei em uma viagem!

Finalmente fomos à estação de trem e ao chegar em Porto já era noite e seria um desafio encontrar o nosso hotel. GPS a postos, deixamos o cansaço de lado por mais algum tempo. Fomos recebidos com alegria pelos nossos companheiros de viagem, todos curiosos para saber da nossa aventura. Valeu cada experiência e que venham muitos outros desafios! 

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