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Endurance 24 horas

Revista Bicicleta por Breno Bizinoto
33.644 visualizações
13/12/2013
Endurance 24 horas
Foto: Divulgação

O atleta mineiro Breno Bizinoto participou do Campeonato Mundial de Endurance, na Austrália. A competição começou ao meio-dia de 12 de outubro e teve duração de 24 horas. Uma competição extrema, que exige o máximo do físico e do psicológico dos atletas.

Breno voltou da Austrália com a medalha de prata. Só quem consegue tal façanha consegue exprimir toda a emoção e esforço de uma disputa neste formato. Breno conta para nós a sua experiência, a seguir.

Breno Bizinoto, sobre a conquista

Eu espremi um impressionante segundo lugar na categoria 23-29 anos. Acima de mim ficou um neozelandês. Em terceiro, ficou um australiano que passou 22,5 horas tentando me alcançar. Ele quase roubou a minha posição, diminuiu a diferença para quatro minutos, mas não me passou. Uma prova de 24 horas foi decidida por quatro minutos! Quem pedala sabe o quanto isso significa.

Foi muito, mas muito duro. Eu parei por, no máximo, quatro vezes, não mais do que cinco minutos por parada. Foram 24 horas direto mesmo. Eu tive assadura até nas mãos. Minhas costas martelavam a cada pedra que passava. O frio da madrugada foi tão grande que a Michelle, que fez meu apoio, disse que eu passava babando, sujo de terra e resto de comida que eu ia comendo enquanto pedalava em uma pista muito técnica, com pedras ameaçando cortar os meus pneus a qualquer vacilo que eu desse, ou me acidentar gravemente em uma das muitas curvas fechadíssimas de 180 graus que tinham lá.

Minha penúltima volta foi a pior. Só quem estava no meu corpo sabe o quanto foi difícil fazê-la, pensando que ainda não era a última. Eu cogitei desistir, deixar todo mundo me passar, eu ficaria contente com o quinto lugar. Minha cabeça estava tão desestruturada que eu achei que o australiano já tinha tirado os 20 minutos de vantagem e ido embora.

Então, comecei a lembrar das tantas pessoas no Brasil que estavam por trás dessas 24 horas, e o quanto eu devia a todos eles. Desde os patrocinadores, que foram a base para tudo isso acontecer, até cada amigo que me emprestou um farol para a corrida, emprestou mala-bike, roda reserva, deram dicas e torceram por mim não só nas 24 horas, mas nos longos dos seis anos de competição que eu acumulei até aqui.

Nessa hora eu acreditei que tudo era possível. Na metade da última volta, já com aproximadamente 350 km rodados, fiz uma força que não existia. Usei músculos que eu já não tinha – já estavam todos esfarelados. A dor era muito grande e a bicicleta parecia que tinha espinhos.

Quando cheguei na cronometram, eles repetiram o nome “Brazil” com aquele sotaque inglês, e eu não sabia de mais nada.

Enquanto a Michelle me ajudava a deitar no chão, eu via que a única posição que meu corpo conseguia ficar era aquela da bicicleta. Por alguns minutos, ou hora, fiquei completamente aleijado. Meu corpo não fazia a simples tarefa de tirar o capacete ou levar uma garrafinha de água até a boca. Até hoje, qualquer tarefa como abrir uma tampa de refrigerante ou um saquinho de comida, faz meu antebraço doer muito.

Então, ficou mais do que provado que a minha reação na última volta, acreditando no impossível, espremendo leite de pedra, levou o Brasil ao segundo lugar do World Endurance MTB Organization 24 Hour Solo.

Nas diversas entrevistas que me solicitaram, os repórteres ficavam loucos por ter um brasileiro participando do mundial nesse ano. Antes da prova, quando eu dizia que nunca tinha competido 24 horas, eles me diziam: “I’m sorry”, sinto muito. Está tudo bem agora. Nós carregamos a brincadeira como ninguém e mostramos um show para o mundo. A torcida que eu tive do outro lado do mundo foi impressionante e muito importante para isso tudo acontecer. Essa vitória está longe de ser só minha. Assim como eu fiz na última volta, todos acreditaram em algo impossível.

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