REVISTA BICICLETA - Escuto histórias sobre bicicleta
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Escuto histórias sobre bicicleta

Performance/ocupação urbana itinerante de pesquisa e busca de linguagem, o projeto Escuto histórias sobre bicicleta foi idealizado pela atriz Emilia Alcoforado e o psicólogo-psicodramatista Fabio Alcoforado. Os irmãos utilizam a escutatória como ferramenta para o mapeamento afetivo da cidade, ouvindo histórias protagonizadas pela figura da bicicleta – e o resultado será uma peça teatral.

Revista Bicicleta por Anderson Ricardo Schörner
2.066 visualizações
31/08/2016
Escuto histórias sobre bicicleta
Foto: Talita Chaves

A ideia é tão simples quanto genial. Com uma placa com a frase “Escuto histórias sobre bicicleta”, os irmãos Emilia e Fabio vão às ruas, praças, saídas de trem e metrô, à espera de que algum transeunte pare para compartilhar, sempre com um toque de nostalgia e emoção, aquela boa lembrança em que a bici está presente.

“O Escuto histórias sobre bicicleta é uma pesquisa e busca de linguagem que usa a escutatória como caminho para o trabalho”, diz a dupla, “nosso objetivo é, literalmente, escutar as pessoas e suas histórias sobre bicicleta e estarmos inteiros e dispostos a trocar com cada um que nos aborda. Usamos a palavra escuto porque há uma diferença entre ‘ouvir’ e ‘escutar’. Como bem diz Rubem Alves, no texto Escutatória, em que carinhosamente nos inspiramos: escutar é complicado e sutil. E é através dessa sutileza, no meio do caos da cidade, dos ruídos diversos, das falas atravessadas e pessoas que correm, que colocamos nossos ouvidos à disposição para propor uma re(conexão) do passante com suas memórias afetivas sobre bicicleta e recebê-la”.

A inspiração veio durante um ensaio fotográfico, em que Emilia experimentava autorretratos e uma bela foto com uma antiga Caloi Berlineta, que estava no sótão da casa e pertencia a um tio, se destacou. “De cara veio a ideia de montar um espetáculo de teatro inspirada na foto”, recorda ela, “a presença dessa bicicleta na foto mexeu com nosso campo afetivo e resgatou memórias do tio pedalando com frequência na rua em que morávamos. Na mesma época, descobrimos o trabalho da Ana Teixeira, uma artista paulista que escuta histórias de amor nas ruas enquanto faz tricô”.

Assim que convenceu o irmão Fabio, que também é apaixonado por bicicleta, em outubro de 2014, a dupla começou a sair pelas ruas do Rio de Janeiro para escutar histórias e memórias afetivas envolvendo a bicicleta. Semanalmente, o projeto ocupa lugares caracterizados pelo fluxo constante de pessoas, e com a placa, os irmãos estimulam a aproximação do público de forma livre e espontânea. Mais de 40 bairros já foram visitados e, em maio de 2016, pela primeira vez, o projeto saiu do Rio de Janeiro, sendo realizado em São Paulo, no Bicicultura 2016. E as escutanças não têm prazo para finalizar: “nossa ideia é estar sempre pelas ruas, oxigenando o projeto com novas histórias e novos lugares”, contam.

Essas histórias e memórias servirão de base e de estudo para a montagem da peça “Bigorna: sobre a leveza insustentável das coisas”. De acordo com Emilia e Fabio, “o espetáculo será não só uma homenagem às pessoas queridas que se dispuseram a abrir suas memórias afetivas pra gente, mas também uma maneira de protagonizar a bicicleta como parte do nosso consciente coletivo. Enquanto disponibilizamos nosso tempo e nossos ouvidos às pessoas e suas histórias pessoais, seus universos particulares, vivenciamos momentos surpreendentes, especiais, de descoberta e até mesmo de tristeza. No nosso dia a dia, estamos sempre lembrando algumas histórias que escutamos por aí”.

No início, a dupla ia de ônibus até os locais da “escutança”, mas depois de dois meses de projeto, com a ajuda do pai (Paulo), Emilia e Fabio montaram uma bicicleta Tandem, que ajuda a compor o cenário e cria ainda mais simpatia com quem tem histórias sobre bicicleta para contar. Inteiramente construída por eles (mecânica e pintura), a Tandem é formada pela união de dois quadros Monark Tropical. Segundo Emilia e Fabio, “esta peça é fundamental e evidencia, para os que nos encontram nas ruas, a possibilidade real da ciclomobilidade”.

O que a dupla percebeu ao longo das ocupações é que a bicicleta está presente no coletivo consciente urbano e é crescente a discussão que fomenta seu uso como meio de transporte. “Nossa provocativa amplia essa discussão e desvenda, na prática, a importância social e as inúmeras formas de utilização das magrelas em diferentes regiões da cidade”, concluem. Com a essência de que “não é bastante ter ouvidos para se ouvir o que é dito, é preciso que haja também silêncio dentro da alma”, este lindo projeto certamente proverá uma belíssima peça.

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