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Girando até o Tour

Em 2011 realizei uma cicloviagem até a Itália para assistir ao vivo a etapa rainha do Giro d’Italia, no Colle delle Finestre. Esse ano, resolvi fazer algo parecido, mas dessa vez minha viagem foi para assistir a principal etapa de montanha do Tour de France... Abaixo, um pouquinho sobre a viagem

Revista Bicicleta por JB
37.370 visualizações
18/12/2013
Girando até o Tour
Foto: JB

Terreno plano? Só no primeiro dia. Visitei as cidades de Lecco, Onno, Bellagio e outras pequenas vilas, uma mais encantadora que a outra, mas a moleza parou por aí. Era hora de começar a subir. O dia seguinte já foi uma bela volta na montanha. Subi a famosa “Madonna Dell Ghisallo”, tradicional montanha que sempre faz parte do Giro di Lombardia e eventualmente é visitada pelo Giro d’Italia. Lá no alto, em seu Belvedere, encontra-se o Museo Del Ciclismo.

Até bem pouco tempo atrás este museu era dirigido por Fiorenzo Magni, que na época de Coppi e Bartalli era conhecido como “Il terzo uomo”, ou “o terceiro homem”, pois era o único a acompanhar e por vezes desafiar a dupla de campeões. Com algumas raridades e uma bela arquitetura, o mais impressionante no acervo do museu é a maior coleção de Maglia Rosa do mundo: são cinquenta camisas, dos anos 30 até hoje. Estão aguardando a do Nibali chegar.

Ainda em seu Belvedere se encontra a igreja da Madonna Dell Ghisallo, que guarda em seu interior outro verdadeiro museu com algumas bikes histórias. Nas imediações está também a Wooden by Ghisallo, uma pequena indústria artesanal onde o mestre Giovanni fabrica os aros de madeira há 50 anos.

Segui do Lago di Como para o Lago Maggiore, atravessando uma parte da Suíça com direito a montanha e visita ao belo Lago di Lugano. Digo brincando que nesse dia tirei meu diploma de cicloturista: foram 100 km em quase oito horas de pedal. Cheguei em Macagno e fiquei poucos dias, apenas o suficiente para descansar e encarar um pouco mais de subida. Desta vez subi até o Passo Forcora, 15 km de subida e quase mil metros de desnível. Lá em cima, Lá em cima há uma estação de esqui e um restaurante com uma vista incrível.

Deixei a região da Lombardia e desci para a Toscana onde fiquei uma semana com base na bela cidade de Castelnuovo di Garfagnana, região montanhosa aos pés do Alpe Apuane Tosco Emiliano. Por lá fiz várias incursões subindo a mítica San Pellegrino in Alpe com 25 km de subida e alguns trechos com 18% de inclinação. Também visitei o Parco Natural  Dell’ Orechiela.

Chegando à França

Já estava afiado com tanta subida... Era chegada a hora de seguir para a França.

Parti pela região do Piemonte, na Alta Valle di Susa. De Torino até Oulx, no meio do Alpe Italiano, a cidade ferve bicicleta. Não é para menos, pois de lá você pode partir para várias montanhas, uma mais famosa que a outra: Bardonechia, Sestriere, Galibier e tantas mais.

No dia seguinte literalmente atravessei do Alpe Italiano ao Alpe Francês. Subi de Oulx até Claviere, última cidade italiana, fronteira com Montgenèvre, passei pelo Col de Montgenèvre e desci até o Val dès Pres seguindo para Briançon. Alguns quilômetros à frente, parei e acampei na pequena cidade de  Le Monetier lês Bains. O dia seguinte foi totalmente alpino que não podia terminar melhor: fiquei em um camping no meio de dois glaciares, o La Meije e o La Grave. A vista era sensacional; de lá, se vê o Galibier. Como tinha tempo, resolvi ficar lá mais um dia e subir o Col di Lautaret. Lá em cima parece ser a meca do ciclismo de estrada. Há ciclistas de todo o tipo, famílias, atletas, turistas e até eu. O cenário é realmente impressionante.

De Le Monetier Les Bains para Bourg d’Oisans, no pé do Alpe d’Huez, mais um pedal maravilhoso, em um dos lugares mais lindos que já pedalei. Foram três dias duros, porém, um mais lindo do que o outro. Para chegar em Bourg d’Oisans, ainda passei pelo Lago du Chambon e mais um pouco de sobe e desce.

Quando cheguei a Bourg d’Oisans, fui ao escritório de turismo e eles me informaram que a cidade já estava lotada quatro dias antes da chegada do Tour de France. A orientação que me deram é que eu deveria ir até a cidade de La Grave. Sai de lá meio sem saber para onde ir, mas uma coisa eu sabia: não voltaria para La Grave, pois havia passado por lá e feito mais ou menos 18 km de descida, portanto, teria que subir tudo... A menos de um quilômetro do centro passei por uma praça que mais parecia uma extensão de um camping, pois havia ali uma centena de motor-homes estacionados, gente do mundo inteiro, famílias e fãs de todo o tipo. Havia até um riozinho com água cristalina do degelo das montanhas, propício para um banho. Acabei ficando por ali também...

O Tour

Nos dois dias que antecederam o Tour era possível ver que realmente não parava de chegar gente. As autoridades locais informaram que havia mais de um milhão de pessoas na região, um verdadeiro rush aguardando a corrida.

Na noite anterior ao dia da corrida, o tempo fechou. Choveu à noite, fazia frio e a previsão não era boa. Mas durante a corrida a situação estabilizou e pelo menos não choveu.

A etapa merecia atenção pois os atletas subiriam duas vezes o Alpe d’Huez, com chegada no cume. Assisti a primeira passagem na cidade, onde teve um sprint intermediário. Impressionante a velocidade do grupo ali na reta. Na sequência, subi para o Alpe d’Huez, enquanto os ciclistas realizavam a primeira subida e seguiam para fazer um anel de aproximadamente 40 km antes de voltar. Subi até um pouco mais da metade e de lá assisti Christophe Riblon, da Ag2R, passar acelerando e conquistar a etapa seguido de perto por Van Garderen e Moreno Moser. Logo atrás, veio o grupo de Froome. Depois de muito tempo ainda tinha ciclista subindo, sempre aplaudidos.

No dia seguinte, a 19ª etapa, teve largada ali em Bourg d’Oisans. Desde cedo havia um movimento inacreditável, quase impossível andar. Uma coisa impressionante foi ver a caravana publicitária; é realmente muito grande, muitos patrocinadores distribuindo uma infinidade de brindes. Posso dizer que este ano a emoção foi tripla: vi uma passagem de sprint, uma montanha e uma largada. Foi demais.

Após este deleite de ciclismo, comecei a voltar para a Toscana, já que meu retorno ao Brasil seria por Pisa. Na primeira etapa fui até Meana di Susa rever amigos e como último desafio desta viagem, subi ao Colle dele Finestre. Foram 20 km de subida, sendo metade de terra, quase 1.500 metros de desnível, três horas de subida e quase uma de descida. Em Susa ainda assisti a uma festa medieval.

Site dos museus visitados

www.museodelciclismo.it  (Madonna Del Guisallo)

www.veloretro.it  (Museo della bicicletta)

Parceiros

Cardoso Cycles
www.cardosocycles.com  

Anderson Bicicletas
www.andersonbicicletas.com.br

Shimano Latin America
HTTP://bike.shimano.com.br

Dádiva distribuidora
www.dadiva.com.br

ASW Racing
www.asw.com.br

Também recebi o convite de Luciano Berruti para ir até a sua cidade, Cosseria, na região da Liguria. Tive a honra de conhecer Berruti em 2011 durante a etapa do Giro d’Italia. Este cidadão é o ciclismo vintage em pessoa. Ele mantém em sua cidade o “Museo della Bicicletta”, muito organizado, cheio de raridades. Mas o mais legal é que indo ao museu provavelmente você será recepcionado pelo próprio e no mínimo terá uma aula de história. O homem sabe muito!

A bike da viagem

Nesta viagem usei uma Cardoso Cycles, quadro artesanal feito sob medida para mim. Comecei com um Bike Fit criterioso feito pelo amigo Cléber Anderson, da Anderson Bicicletas, assistido e assessorado de perto pelo artesão Denis Cardoso, da Cardoso Cycles. A bike tem uma configuração de Ciclocross/touring, com rodas 700.

A bike foi montada na Anderson Bicicletas e equipada com grupo Sora cedido pela Shimano, guidão, avanço e canote Control Tech, suporte de caramanhola PZ Race e pneus Challenge cedidos pela Dádiva Distribuidora.

A bike foi perfeita desde a sua concepção. Rodei confortável, mesmo com carga. Graças à sua coroa tripla e a “pequena” 11x34 atrás, fui capaz de superar todas as montanhas. Não tive nenhum problema mecânico e mesmo em condições adversas os engates do grupo Sora foram sempre precisos e confiáveis.

Durante todo o percurso, usei roupas, luvas e capacete ASW Racing, confortáveis e com ótimo forro na bermuda, ajudando a passar várias horas na bike.

Foram 1.300 km em pouco mais de um mês. Lindas paisagens, muita subida e muita vivência e cultura em duas rodas. Uma experiência inesquecível.

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