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L´Eroica - No centro da Toscana no coração do Chianti na memória do ciclismo

O que acha de pedalar pela Toscana e viver cenas de um ciclismo antigo? O que acha de vivenciar uma história escrita por verdadeiros heróis, onde a tecnologia contava pouco e a realidade era outra?

Revista Bicicleta por Cecilia Rocha Mendes
5.004 visualizações
08/03/2016
L´Eroica - No centro da Toscana no coração do Chianti na memória do ciclismo
Foto: Divulgação

Viver a Eroica é dar um salto ao passado, voltar numa época em que pedalar era sinônimo de poeira, lama, trabalho duro e espírito de aventura. Imagine percorrer as famosas “strade bianche”, palco de históricas batalhas entre grandes atletas como Coppi e Bartali. Hoje, esta é a grande oportunidade para reviver estas fortes emoções. 

Mas afinal, o que é a L'Eroica?

© Giuseppe Cacace

A Eroica não é somente uma prova, mas um evento “cult” mundial que acontece no início de outubro, na região do Chianti, desde 1997. Neste dia, as velhas bicicletas saem dos museus e das garagens e retomam a estrada, junto com as típicas blusas de lã, caramanholas de alumínio e câmeras de ar penduradas no ombro.

Eroica é a verdadeira paixão pelo ciclismo, a realização de um sonho, de uma experiência fundada nas raízes mais profundas do esporte. Os heróis de hoje são aqueles apaixonados que chegam dos quatro cantos do mundo. Não existe uma língua oficial, mas somente a linguagem do ciclismo, da emoção e da festa.

L’Eroica significa A Eroica, que se refere a este evento original, que acontece em Gaiole in Chianti, na Itália, no primeiro domingo de cada outubro, desde 1997.

​Atualmente, são milhares de participantes que, com muito entusiasmo, se dividem entre os três diferentes percursos, combinando as paisagens cinematográficas da Toscana como o Chianti, as Cretas Seneses e a encantadora Val d'Orcia.

Percursos

Não faltarão opções: você poderá escolher quantos quilômetros pedalar, de acordo com o seu espírito de aventura e preparação física. A escolha do percurso pode ser feita no momento da inscrição, mas há possibilidade de modificar antes da partida sem nenhuma penalidade para o ciclista. As opções são:

Passeggiata: 46 km com 700 metros de ascensão
Percurso curto: 75 km com 1.900 metros de ascensão
Percurso médio:  138 km com 2.300 metros de ascensão
Percurso longo: 209 km com 3.251 metros de ascensão

© Luigi Sestili

Como participar

Em face do sucesso nos últimos anos, a participação é limitada a, no máximo, 5.000 ciclistas. Porém, em 2016, em virtude da comemoração dos 20 anos da Eroica, a organização está estudando uma modalidade para abrir vagas ilimitadas, permitindo, assim, a participação de todos que fizerem a inscrição através do site. 

Para participar é necessário consultar o regulamento a ser divulgado no final de dezembro. Ali você encontrará todas as informações, desde o tipo de bicicleta até os acessórios permitidos.

Aqui vão algumas informações antecipadas:

Bicicleta

São permitidas bicicletas em aço construídas até 1987 ou bicicletas vintage que respeitem as características especificadas no regulamento. Entre elas: câmbio no tubo oblíquo, pedais com firma pé (não é permitido nenhum tipo de clip e sapatilha), fios do freio externos ao guidão, rodas em alumínio, aço ou madeira, mas sempre com perfil inferior a 20 mm etc.

Provavelmente você já deve estar assustado com tanta informação, mas não se preocupe, pois através da Bottega L’Eroica, na cidade de Gaiole, você poderá alugar bikes já preparadas para o evento.

© Giuseppe Cacace

Vestuário

É necessário vestir-se com roupas em estilo vintage, como blusas e bermudas de lã, evitando mostrar roupas feitas com materiais técnicos de fabricação recente. 

Acessórios

Em consonância com o espírito evocativo histórico, a organização convida todos os participantes a enriquecerem seus trajes com outros acessórios antigos, desde sapatos, chapéus, óculos, garrafinhas de água etc. Quanto à utilização de capacete, este é o único acessório moderno aconselhado e recomendado.

© Divulgação

Pontos de alimentação

A alimentação é o “top” deste evento. Nada de isotônicos, maltodextrinas ou suplementos. Chegando aqui nossos heróis descansam suas bikes e se deliciam com a típica comida toscana. Isso mesmo, comida e bebida! Obviamente não poderia faltar o majestoso vinho Chianti acompanhado pelo prato de Ribolita!

Com uma grande variedade de embutidos, queijos, vinhos e outros produtos típicos, é difícil retornar à estrada. Mas não se preocupe, tem gente que ainda encontra tempo para um cochilo debaixo das parreiras e oliveiras antes de voltar ao percurso. Afinal, aqui ninguém se importa com o tempo, o que vale é se divertir. A classificação final passa a ser uma mera lista em face da rica experiência vivenciada.

Eroica 2015 - a minha experiência

Cheguei em Gaiole no sábado de manhã e, como vocês podem imaginar, com uma expectativa bem alta após ter lido maravilhas daqui.

Bem, já começo dizendo que seria necessário um poeta para descrever este espetáculo!

Outubro, abrindo as portas ao outono europeu, oferece uma sincronia de cores que vão desde o ocre das parreiras, ao acinzentado das oliveiras e ao verde intenso dos famosos ciprestes da Toscana. Tudo isso com um contorno de castelos e colinas de tirar o fôlego.

Entrando no centro de Gaiole, encontramos milhares de ciclistas sorridentes, passeando com amigos e família. Mas o que me marcou foi a dimensão da Eroica: não é somente uma festa que contempla o ciclismo, mas, sobretudo, eleva a cultura, a história e a gastronomia local. 

Passeando pela área expo se encontra de tudo: peças, roupas e acessórios para sua bike de época. Do outro lado da cidade, há outros expositores “mais modernos”... Afinal de contas, ciclismo é ciclismo e, aqui, o passado, presente e futuro caminham juntos.

Todavia, uma curiosidade não saía da minha cabeça: por que a Eroica se tornou tão amada e procurada por milhares de ciclistas?

Giancarlo Brocci, inventor e promotor deste evento, me respondeu: “Eroica é a redescoberta do ciclismo, aquele verdadeiro, o esporte feito para o esporte, baseado nas raízes genuínas e que hoje oferece a possibilidade de reviver a beleza da fadiga. Hoje precisamos reencontrar um esporte onde o campeão seja autêntico, incontestável, não construído. As pessoas hoje querem história, querem algo que vá além da relação peso e potência”.

E, enquanto conversávamos, fui apresentada a Andrew Hampsten, um dos emblemas deste ciclismo. A sua famosa foto, no Passo Gavia, em 1988, debaixo de uma tempestade de neve, é a prova! Esta foi, sem dúvida, a melhor resposta à minha pergunta. 

A Eroica já desembarcou em vários países como Espanha, Estados Unidos, Japão e África do Sul.  Giancarlo Brocci nos presenteou antecipando uma novidade: em novembro de 2016, haverá uma versão na América do Sul, mais exatamente em Punta del Este, no Uruguai. Então, não perca tempo. Comece a tirar a poeira de sua velha magrela, ajustar o câmbio, os freios e treinar muito, porque, aqui, o espetáculo é verdadeiro!

Dicas

Quando fizer a escolha do percurso, lembre-se que há vários trechos nas chamadas “strade bianche”. Essas são estradas de cascalho batido, que causam um maior atrito e dificuldade técnica, requerendo um esforço e habilidade maiores que o asfalto.

As bicicletas podem ser alugadas, mas aconselho sempre pegar ao menos um dia antes para testes. As bikes de época ou vintage têm uma geometria muito diferente das atuais e a nossa postura com certeza irá sentir. Este fator também poderá causar um maior desgaste físico. 

Não deixe de passar na Eroica caffè, um local charmosíssimo que, ao invés de quadros de artistas renomados, é decorado com páginas de revistas de época, retratando um ciclismo histórico e glorioso.

Chegue uns dias antes e aproveite para pedalar por esse território. Existem vários burgos e castelos históricos, além de gastronomia e ótimas cantinas onde se pode fazer degustação do vinho Chianti. Atenção, porém, aos percursos: o asfalto é ótimo, mas de repente você poderá se deparar com trechos de “strade bianche” não indicados aos ciclistas de road bike com pneus normais e rodas de carbono. 

A L’Eroica de Fellippe Chiari

Fellipe, de Nova Lima – MG, participou da L’Eroica neste ano. Ele montou a própria bicicleta para viver a experiência, contada a seguir.

“Foi uma aventura bem diferente, tudo vintage, desde roupas, bikes, garrafas e carros que seguem. Comprei uma Caloi 10 1979 e comecei a reforma em fevereiro. Desmontei ela completamente e troquei os componentes. Nada (exceto coroa e aros) foi cromado ou polido. Garimpei as peças novas e consegui, por exemplo, o câmbio traseiro ainda lacrado na embalagem original vinda do Japão. Instalei selim e bolsa de ferramentas brooks, garrafa antiga, guidão Cinelli e alavancas de câmbio Campagnolo, que foram deslocadas para a parte de baixo do quadro devido ao regulamento.
Cheguei em Gaiole in Chianti um dia antes da largada e fui ao centro pegar meu kit. Havia muita gente, muitas bikes e feira de peças usadas. Na inscrição, ganhei uma linda lata com alguns petiscos e um vinho com rótulo temático. Fiz o percurso de 46 km, com 50% em asfalto e 50% em terra. O trecho todo foi sob uma temperatura de 12°C e uma leve chuva. As subidas tinham de 3% a 9% de inclinação. Aos 38 km houve uma parada para lanche, onde serviram vinhos, pães, Nutella e presunto parma. As paisagens são de tirar o fôlego e a experiência é muito interessante. Valeu cada centavo investido e cada hora que trabalhei em minha bicicleta”.

 

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