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Lama lava a alma do ciclista

Desafio Avelino Bragagnolo 2015

Revista Bicicleta por Eduardo Sens dos Santos
4.969 visualizações
26/10/2015
Lama lava a alma do ciclista
Foto: Winston Gambatto

Acordo contente. Céu parcialmente limpo. Nuvens leves. Preparo meu café. A bicicleta já estava no carro desde ontem. Essa previsão do tempo deve estar errada. Chuva forte e trovoadas, com este céu? Erram sempre. Pego a estrada. Eli Young Band tocando no carro, com Even if it brakes your heart embalando os 50 minutos até a cidade de Faxinal dos Guedes.

Mas o céu vai fechando. E com ele a chuva chega. Monto as rodas na bicicleta. Tudo cinza, à exceção de uma Variant antiga laranja, com duas bicicletas no teto. Começamos o aquecimento. Os primeiros dez quilômetros são tradicionalmente muito velozes nesta etapa.

Largada e os batimentos sobem lá no alto. Consigo manter uma boa posição, mas não aguento o ritmo quando chegamos na trilha. Agora é o Iron Maiden, com Fear of the Dark que me vem à mente. Parece que estou entrando na Transilvânia e logo o conde sanguinário virá me atacar. Não acredito em fantasmas, mas é melhor não olhar para os lados. Troveja forte e venta e a lama começa a dar seu show especial. Estamos numa trilha no meio de um dos gigantescos reflorestamentos da Bragagnolo S.A. Árvores alinhadas perfeitamente umas às outras formam corredores. Lembro de Stanley Kubrick e O Iluminado. Estou me divertindo!

São uns 5 km de trilha até que vem o primeiro ponto de apoio. Palavras de incentivo fazem as pernas recuperarem o fôlego. Me desgarrei do pelotão, mas o meu grupo recomeça rápido agora por um pequeno aclive, com bastante vento, em direção ao rio Chapecozinho. Lá embaixo começará a segunda trilha. A descida é simplesmente alucinante, com curvas fechadas debaixo de chuva e trovões. Alguns moradores aplaudem na última casa antes da trilha. Agora sim, penso. O bicho vai pegar.

E são mais uns 7 km de trilhas. Água, verde, natureza, e as aves alardeando a presença destes intrusos e de seus brinquedos pedaláveis. A lama mostra que é um poderoso desengraxante e a corrente começa a gemer. Paro para uma limpeza rápida - a subida vai começar em poucos quilômetros - e agradeço aos céus por ter lembrado e trazer o óleo lubrificante.

Agora é morro acima. Faltam 16 km, pelos meus cálculos. E para meu desespero, são quase todos subindo mesmo. Estou sozinho, eu e minha bike. A chuva não dá trégua, o céu se fecha ainda mais. Encontro alguns ciclistas da categoria Sport pelo caminho, adorando a brincadeira: sorrisos de satisfação não são facilmente disfarçáveis.

Sim, agora falta pouco menos de 2 km para a chegada, e o céu parece jogar baldes de água por sobre nossas cabeças. A temperatura está agradável, a chuva parece lavar a alma, preparar para mais uma semana de trabalho, renovar as energias. Sim, somos bichos da terra, do céu, da água e do ar; precisamos disso para nossa sanidade mental.

Cruzo a linha de chegada. Frutas e o abraço dos amigos para repor as energias. Banho tomado, é hora do almoço, com gargalhadas ao ouvir as histórias malucas de cada um nessa feliz guerra que é uma prova de moutain bike. Como foi, me pergunta um amigo, e não vejo outra resposta: foi sensacional!

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