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Leandro Hernandez

Leandro Hernandez nasceu no México, já morou nos Estados Unidos, e há 11 anos vive no Brasil. É casado com uma brasileira, com quem tem dois filhos: um nascido no Peru e outro no México. Possui mais de 20 anos de experiência no mercado de tecnologia, sempre trabalhando em grandes corporações de países como México, Peru, Estados Unidos, Brasil e, agora, Finlândia. Atualmente, representa a F-Secure em toda a América Latina e tem como missão disseminar sua visão sobre segurança e privacidade digital, além de reforçar a expansão regional da empresa através de parcerias estratégicas. O executivo também pedala, tanto em eventos desafiantes como o Haute Route, quanto no dia a dia, utilizando a bicicleta como meio de transporte para ir ao trabalho. Conheça a história de Leandro em relação à bicicleta na entrevista a seguir.

Revista Bicicleta por Anderson Ricardo Schörner
2.546 visualizações
01/12/2015
Leandro Hernandez
Foto: Daniel Ferreira

Como e quando começou sua paixão pela bicicleta?

Meu primeiro esporte foi a natação, e um pouco de corrida. Então, há aproximadamente 15 anos, quando eu ainda morava na Cidade do México, minha esposa e eu estávamos em uma fila para retirar kits para uma corrida e uma senhora sugeriu que eu praticasse triatlo. Ela me disse: “se você sabe correr e nadar, por que não pratica o triatlo? É só pegar a bicicleta”. Eu pensei muito sobre a sugestão e lembrei que alguns colegas praticavam Ironman, uma competição famosa de triatlo, e decidi me unir a eles. Eles riram: “você não sabe do que está falando”. Não sabia, mas já estava decidido. Eu nem tinha uma bicicleta apropriada; só tinha uma mountain bike. Vendo minha determinação, meus amigos me emprestaram a bicicleta da esposa de um deles. Já no primeiro treino me levaram para um pedal de 140 km só de subidas - no México é só subida. Nessa primeira experiência, eu até caí da bicicleta algumas vezes, porque não estava acostumado com a sapatilha onde você tem que encaixar o pé... Depois que terminou o percurso me perguntaram: “e aí, como você se sentiu?”, e eu respondi: “eu me senti bem, acho que gostei”. Daí pra frente nunca mais parei.

© Arnaldo Pereira

Nome: Leandro Hernandez

Profissão: Vice-presidente da F-Secure na América Latina

Cidade: São Paulo - SP

Então, você começou a participar de provas extremas?

Eu gosto muito de desafios, por isso sempre estou em busca de provas que me desafiem. Já participei do Haute Route Dolomites Swiss Alps, que é uma prova que sai de Veneza, na Itália, em direção à Genebra, na Suíça. O percurso é difícil, são 933 km, passando por três países lindos, mas que exige muito de todos, especialmente pelas baixas temperaturas dos Alpes. Passei por todo tipo de terreno e clima: subidas impiedosas, descidas gloriosas, autoestradas lotadas, chuva, sol e muito, muito, muito frio. A sensação de desafio está presente o tempo todo, mas a de conquista também. As paisagens são impressionantes, mas o frio é tanto que você não consegue curtir muito o cenário; você só quer sair daquele frio. O evento Haute Route, definitivamente, foi um desafio e tanto. E também participei do L’Etape Du Tour, que acontece na França. Essa é um dia só. É só subida, uma prova de montanha bastante conhecida e que eu já participei duas vezes. É bem mais fácil.

E no dia a dia, qual é o uso que você faz da bicicleta?

Uso-a como transporte, de casa para o trabalho, e para atividades esportivas também. Comecei a ir de bicicleta para o trabalho há um ano e meio, do Butantã para a região da Avenida Luis Carlos Berrini, em São Paulo. Aproveitei o mês de dezembro, quando o movimento no trânsito diminui por conta das férias escolares, para fazer o teste, e gostei. Para se ter uma ideia, eu voltava para minha casa pela Marginal Pinheiros e demorava, dependendo do dia, quase uma hora. Com a bicicleta, o tempo para realizar o trajeto não passa de 20 minutos. Uso a bicicleta quatro dias por semana, e o carro apenas um.

E no finais de semana, onde você vai de bicicleta?

Geralmente eu vou com a minha equipe de corrida para estradas aqui perto de São Paulo.

© Arnaldo Pereira

Como surgiu essa equipe?

Conheci os membros da equipe, porque pertencemos à mesma assessoria esportiva. Todos são triatletas, então decidimos formar esse grupo.

Quais as principais dificuldades e obstáculos que você enfrenta como ciclista urbano?

A falta de educação de alguns motoristas por não respeitarem o espaço do ciclista e a pouca infraestrutura atual da cidade.

E quais os principais benefícios que a bicicleta lhe confere, na sua opinião?

Os principais benefícios são a saúde e o bem- estar. Além disso, existe uma economia significativa no tempo que o ciclista leva em um trajeto, e também de dinheiro, evitando gastos com gasolina, manutenção de carro, seguro etc. Se compararmos só os gastos com a manutenção entre um carro e uma bicicleta, a diferença é absurda. Com a bicicleta, você gasta muito menos em manutenção, não paga imposto para poder utilizá-la, não polui o planeta e sua vida torna-se mais saudável. Por exemplo, eu quase nunca fico doente. É muito raro mesmo. Além disso, eu preciso conciliar as tarefas do trabalho e cuidar da família, e o esporte te dá energia o suficiente para você balancear tudo isso.

O que você acha da bicicleta elétrica?  

Para uma pessoa que não necessariamente seja um atleta, eu acredito que pode ser uma saída. Utilizar a bicicleta elétrica como meio de transporte é perfeitamente uma alternativa, mas no meu caso não se aplicaria.

Existe muito roubo de bicicleta em São Paulo? Você já foi vítima?

Sim, e eu já fui roubado. Em uma das ciclovias, por exemplo, fizeram uma continuação do outro lado do rio Pinheiros e o trajeto passa por lugares perigosos e, por lá, os assaltos são frequentes. Um dia eu estava atravessando a ponte Eusébio Matoso quando avistei um pai com o filho. O menino estava apavorado e chorando, pois tinham sido roubados naquele momento.

A sede da F-Secure no Brasil mudou de endereço recentemente e houve uma preocupação em oferecer infraestrutura para quem se desloca de bicicleta. Que medidas foram tomadas nesse sentido?

Buscamos uma infraestrutura mais moderna e que tivesse um espaço capacitado para ciclistas, mas não somente para a minha utilização, como a de todas as pessoas que também querem utilizar esse meio de transporte. Convenhamos, se eu estou tentando convencer as pessoas a pedalar mais, então, preciso oferecer uma infraestrutura para isso poder acontecer. A existência de um bicicletário foi essencial na escolha da nova sede da F-Secure. Nesse prédio existe banheiro com vestiário e um espaço reservado para as bicicletas que fica trancado e só abre com o cartão de acesso ao prédio. Eu tenho uma mala específica para bicicleta, que deve ser pendurada no bagageiro. Carrego nela todos os meus pertences, como roupas e sapatos do trabalho. Chego no prédio, tomo banho, troco de roupa e subo para trabalhar.

© Daniel Ferreira

Você acredita que os executivos possuem certo preconceito em relação a trocar o carro pela bicicleta? Como avalia essa questão?

Eu acredito que muitos executivos têm um preconceito natural pela agressividade do trânsito, falta de estrutura urbana, falta de segurança, entre outros. De qualquer forma, é uma decisão pessoal. Eu decidi utilizar a bicicleta como meio de transporte, porque a infraestrutura ao meu redor permite que eu faça esse trajeto diariamente, talvez não seja a mesma situação para outras pessoas. Alguém que nunca pedalou, provavelmente vai analisar todas essas possibilidades. Uma pessoa que já utiliza a bicicleta para outras atividades poderá adotar mais facilmente a bicicleta como meio de transporte.

Como você avalia os investimentos da capital paulista em infraestrutura cicloviária?

Os investimentos que a cidade de São Paulo vem fazendo atualmente em ciclovias e em ampliar as faixas para ciclistas no final de semana são muito positivos para a comunidade, porque incentiva as pessoas a pedalarem nas ruas. Eu espero que com isso mais pessoas comecem a utilizar a bicicleta para ir ao trabalho.

Uma boa dica para quem está pensando em ir ao trabalho de bicicleta é usar o final de semana ou um feriado, quando o trânsito diminui, para checar se o trajeto é viável. Eu comecei exatamente assim, durante as férias de dezembro, e analisei o tempo do trajeto, o fluxo do trânsito, horários alternativos e horários de pico. 

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