REVISTA BICICLETA - LiberBike - Viver a liberdade nos caminhos sul-americanos
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LiberBike - Viver a liberdade nos caminhos sul-americanos

Ele segue pedalando com um sorriso. Aliás, ele sempre está com sorrisos estampados. Quem conhece este gaúcho de 34 anos recém-cumpridos, fluente em idiomas e natural de Passo Fundo, compreende que são indissociáveis, sorrisos e Daniel Felipe da Silva Guerra. Enquanto esta edição está na gráfica ele dá o primeiro giro dos pedais na linda cidade colombiana de Cartagena de Índias, ao norte do país, escolhida como origem do seu Projeto Cicloturístico LiberBike. Quem quiser saber o seu destino, confirmo que será o caminho livremente percorrido, experimentado e compartilhado. Rumo ao Fim do Mundo – Ushuaia - Argentina, Daniel redescobre-se pedalando e sorrindo, e nós, sorrimos com ele.

Revista Bicicleta por Therbio Felipe M. Cezar
7.154 visualizações
29/09/2015
LiberBike - Viver a liberdade nos caminhos sul-americanos
Foto: Daniel Guerra e Alan Zart

Interpreto que a cicloviagem de Daniel não se trata de ‘mais um cicloturista a pedalar através da América do Sul’, como diriam alguns céticos acostumados em criticar confortavelmente os feitos dos outros. Primeiro, porque nunca se trata, apenas, de ‘mais um cicloturista’. E segundo, jamais se trata, apenas, de América do Sul.

Explico que inicio este texto desta forma, porque não seria justo que o leitor achasse que depois dos queridos Antonio Olinto e Rafaela Asprino, do estimado Arthur Simões, do fraterno Thiago Fantinatti, do paladino Felipe Besné Navarro, do carismático Charles Zimmermann, do atento olhar do Walter Magalhães, do feliz Beto Ambrósio Filho, do cheff Aurélio Magalhães, do matador de leões Alexandre Costa Nascimento, dos encantadores Pedarilhos Ana Vivian e André, entre milhares de tantas outras referências de cicloturistas que a matéria não permite citar por motivos lógicos, não houvesse mais caminhos a trilhar ou personagens para criar novas histórias. 

É por sabermo-nos inspirados por estes intrépidos ciclonautas (entenda-se que intrépido deve ser traduzido por ‘aquele que não se abate diante dos obstáculos) que seguimos escrevendo e pedalando, pedalando e escrevendo, enquanto tantos realizam o que nós, tão somente e pelos mais variados motivos, sonhamos.

Vivenciei a gênesis da cicloviagem LiberBike de Daniel meses atrás, no norte de Florianópolis – SC, fato este que me deixa imensamente confortável para conduzir uma reflexão a respeito.

A bicicleta aparece na vida de Daniel em inúmeras oportunidades, desde a infância até os dias de hoje. Quando moleque nos Pampas, Daniel ganhou do pai, que é caminhoneiro e conhece como ninguém as estradas e vastidões do país, uma pista para que junto com o Marcelo Pekeno (nome muito bem conhecido do Audax e do MTB no Rio Grande do Sul) pudessem brincar não tão longe dos olhos atentos e carinhosos de Dona Fátima, sua mãe.

Daniel conta que quando menino corria de bicicleta na volta do mesmo quarteirão onde vivia, mudando apenas o sentido da trajetória. E assim se conduzia pelo extremo respeito aos pais e aos outros, característica que guarda até os dias de hoje.

Durante os 14 anos que viveu em Florianópolis, se tornou conhecido no métier do surf, aproveitando a oportunidade de morar na Lagoa da Conceição e, depois, na Praia Brava. Daniel diz que queria novos desafios e tomou a decisão de vender o carro e partir para a Austrália para aprender inglês durante um ano.

A maneira que fez para conseguir sua bicicleta naquele país pode parecer pitoresca, para nós, mas muito comum naquele lado do mundo: sua bicicleta foi adquirida na rua, em meio a outras quatro bicicletas, em bom estado e que estavam ali deixadas sobre o passeio para quem delas necessitasse e pudesse levar. Em alguns países, aquilo que não nos serve mais pode, na grande parte das vezes, servir ainda para alguém. É uma lição que o Brasil precisa, com urgência, aprender e exercitar.

Daniel passou a usar a bike como um meio multiuso, tanto para ir de casa à escola de inglês e para o trabalho em um estábulo de cavalos durante as madrugadas, da mesma forma, é claro, para os picos de surf.

Ao regressar a Santa Catarina, passou cinco anos estudando Relações Internacionais em Floripa e trabalhando, sendo assim, não teve quase tempo para pedalar.

Porém, quando teve a oportunidade de realizar o Mestrado de Empreendedorismo e Internacionalização em Portugal, a bicicleta voltou com força renovada. Ao fazer os cálculos de quanto gastaria com transporte urbano para ir de casa ao local das aulas percebeu que, em dois anos, caso usasse uma bicicleta, a economia faria uma enorme diferença. Mobilidade por bicicleta e economia parece que convivem lado a lado, não é mesmo?

Porém, uma ótima surpresa foi ser avisado que seu mestrado iniciaria dali há praticamente um mês. Então, veio aquela pergunta tentadora: o que você gostaria de fazer que ainda não fez? A resposta escolhida foi imediata, rodar desde a bela cidade do Porto – Portugal até Santiago de Compostela, Galiza, Espanha. 

A escolha de Daniel foi de valer-se do lazer (expressão que provém da palavra latina Licere, a qual quer dizer, entre outras coisas, licença) para conhecer. Então, nos permitimos refletir que ser livre, possivelmente, não devesse ser interpretado como o ato de ‘fazer o que se quer’, porém, ao contrário, ‘ter licença para fazer o que se quer’. 

Pegou uma mochila de não mais de cinco litros, poucas roupas, leu sobre a rota a pedalar e foi, sem mapa mesmo, seguindo apenas as flechas indicando o Caminho. Uma escolha tão livre de expectativas a não ser estar no Caminho. Ao chegar lá, foi tomado por uma intensa vontade de voltar mais vezes, só que sempre por um novo caminho, quem sabe com trilhas fechadas, com novos equipamentos. E isto aconteceu ainda mais duas vezes seguidas.

Sobre o Caminho de Santiago de Compostela, Daniel comenta que ao chegar em frente à Basílica, a vontade que tinha era de continuar pedalando, quem sabe até voltar para o Porto de bicicleta, não queria apenas dar por cumprida a demanda.

Outras cicloviagens se sucederam durante os dois anos de estudos pelo país-irmão, sendo uma delas indo da cidade do Porto até Sevilla, na Espanha.

Anos mais tarde, quando viveu em Londres, Daniel trabalhou elaborando roteiros para estudantes em uma escola de inglês, usando esta ferramenta como uma estratégia de marketing. Mas, faltava uma cicloviagem com um propósito maior.

O LiberBike surgiu quando Daniel percebeu que viajar fazia parte de sua personalidade, que, enfim, havia encontrado um estilo de vida que é ele mesmo. Se deu conta de que acompanhou a ascensão das Ecovias na Europa e a tomada de decisão das cidades europeias pelas ciclo-estruturas, por uma mobilidade mais inteligente e humana.

A razão maior do LiberBike se dar neste momento da vida de Daniel é que tem a sensação de que, com tudo o que a vida lhe proporcionou e com as aprendizagens devidamente fazendo parte de sua bagagem, ele pode realizar um levantamento de informações, em forma de mapeamento da América do Sul, que sirva para elaborar, futuramente, uma Ecovia com estrutura cicloturística suficiente para dar o melhor aos cicloviajantes que escolham singrar pela Pachamama. 

Não pretende, e nem sequer lhe passou pela cabeça, algo que pareça um control C + control V dos 70 mil quilômetros europeus, mas que tenha a cara, a cor e a emoção presentes, inexoravelmente, em território sul-americano.

Quando lhe perguntam sobre as expectativas, Daniel diz não criá-las para si mesmo, já basta aquelas que as pessoas criam sobre ele e sobre o que quer realizar. Parece lugar comum, mas não é. Muitas pessoas foram unânimes em dizer, antes de sua partida, aquela frase que eu e tantos cicloturistas ouvem com muito carinho: “você é louco?!”

Mas, como bem diz o dito popular: ‘e por não saber que era impossível, foi lá e fez’.
Daniel aceita a incerteza do caminho. Aceita o dia-após-dia. Aceita a responsabilidade de tomar a decisão sobre si e compreender a aquiescência que o caminho dispõe. O Caminho lhe dá licença para ser livre. E para tanto, se desapegar das coisas, faz parte. As pessoas e o tanto que sentimos a respeito delas, levamos conosco. O resto, damos licença.

Acredito que se Daniel pudesse ser ouvido agora, no final desta matéria, ele daria uma sonora gargalhada, teria brilho nos olhos e abriria aquele sorriso. Palavras? Talvez ele dissesse: a vida não deveria ser entendida como uma linha reta que une dois pontos, nascer e morrer. E arremataria com mais um longo e sincero sorriso.

O que você faz para ser feliz, Daniel? Eu pedalo! Aguarde, na Revista Bicicleta, maiores informações sobre a licença de Daniel para percorrer o caminho que escolheu. 

Viva a Bicicleta, sempre! 

A LiberBike

LiberBike, conquiste a sua Liberdade 

Retrata uma viagem incrível de bicicleta pela América do Sul por Daniel Guerra.

Saiba mais: www.liberbike.com

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