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Maria Bicicleta

Projeto dos jornalistas Vitorino Coragem e Laura Alves reúne na internet fotos e histórias de mulheres que optam pela bicicleta em Lisboa e Porto, Portugal.

Revista Bicicleta por Anderson Ricardo Schörner
5.111 visualizações
20/12/2015
Maria Bicicleta
Foto: Vitorino Coragem

O resultado do projeto Maria Bicicleta é simples, e talvez por isto mesmo, tão cativante. Você acessa o site mariabicicleta.com e se depara com uma bela imagem de uma ciclista portuguesa de Lisboa ou Porto. Ao passar o mouse sobre a foto, um depoimento daquela ciclista sobre sua relação com a bicicleta, seus desafios no cenário urbano, os benefícios que a bike trouxe para sua vida. Une-se uma bela fotografia a um pequeno texto para transmitir uma grande mensagem.

Durante 20 semanas, a jornalista Laura Alves (também autora do livro A Gloriosa Bicicleta – Compêndio de Costumes, Emoções e Desvarios em Duas Rodas) e o fotógrafo Vitorino Coragem colheram o testemunho de 20 mulheres (uma por semana) e reuniram o documentário em séries de cinco fotos sobrepostas por cinco depoimentos. Laura e Vitorino também são ciclistas urbanos e o objetivo da dupla é revelar as histórias e experiências dessas mulheres com a bicicleta, focando em uma parte específica deste universo.

Segundo Laura, “recuperamos memórias das mulheres participantes sobre a sua história de infância com a bicicleta e desconstruímos alguns mitos e preconceitos que afastam algumas mulheres de experimentar pedalar em ambiente urbano. Ao mesmo tempo, o projeto tem como objetivo promover a ciclocultura no público feminino, incentivar mais mulheres a andar de bicicleta na cidade sem receios e, também, promover o respeito e igualdade de gênero do ponto de vista da mobilidade e segurança rodoviária”.

Assim como nota-se aqui no Brasil, o ressurgimento da bicicleta é algo visível em Portugal; e o público feminino menor, também. Este foi um dos motivos da criação do projeto. “Em Lisboa”, diz Laura, “aumentou exponencialmente o número de pessoas a circular de bicicleta nas grandes cidades. Mas, ainda assim, o número de mulheres ciclistas, por muitas razões, é muito menor comparando com o número de homens ciclistas. Além disso, havia a noção empírica de que a forma como a mulher vive a bicicleta é diferente da forma como o homem a vive: mais emocional e sensorial, ao invés de mais técnica e competitiva, como é o caso deles. No caso feminino, a bicicleta é de certa forma um meio de afirmação individual, de quebrar algumas barreiras psicológicas que por vezes impedem as mulheres de serem mais arrojadas e livres, e explorar este aspecto também nos interessou. Estamos falando de uma generalização que foi o nosso ponto de partida, mas que se tem vindo a comprovar através das histórias que temos registrado. As mulheres ciclistas são ainda poucas, comparando com o número de homens, mas a tendência é para que haja cada vez mais”.

Os desafios de Lisboa

Não só as histórias das mulheres de Lisboa são semelhantes às que ouviríamos das mulheres daqui: as dificuldades também não são muito diferentes. Os desafios de quem opta pela bicicleta em Lisboa passam pelo respeito e boa convivência no trânsito, e no caso particular das mulheres, esta luta pelo respeito é ainda maior, “pois existe algum machismo cultural e alguma desconsideração na estrada”, diz Laura, que acrescenta: “esperamos que no futuro haja tantas mulheres ciclistas nas cidades que isso seja absolutamente normal e deixe de ser assunto”.

Outra cultura que Laura aponta como obstáculo para que mais pessoas despertem para a bicicleta é a ideia imposta há décadas de que a bicicleta é um meio de transporte para pessoas menos favorecidas. Em partes mais planas, como a zona de Aveiro, a bicicleta nunca foi abandonada, mas em Lisboa, a jornalista conta que poucos usavam a bike no trânsito.

Segundo a jornalista, “isso mudou há dois ou três anos, quando assistimos a uma autêntica explosão, quer por ser um fenômeno de moda, dado que a própria mídia e marcas comerciais usam a bicicleta como sendo algo ‘cool’, quer porque há o exemplo de outras cidades europeias onde a ciclocultura é flagrante, e porque as pessoas começam a ter uma maior consciência ecológica e procuram uma maior qualidade de vida nas cidades onde o automóvel asfixia os cidadãos. Também é certo que a crise econômica que Portugal tem enfrentado nos últimos anos tem influenciado muitas pessoas. Afinal, andar de bicicleta é uma forma de poupar dinheiro, e isso tem uma importância inegável para muitas pessoas. Isso não quer dizer que quem anda de bicicleta é pobre, no sentido de ser a única opção que se tem. Andar de bicicleta é, pelo que nos é dado a sentir e a perceber, sinal de riqueza de espírito, de pensar no futuro e no bem-estar e qualidade de vida nas cidades, ao invés da ditadura do automóvel que retira o espaço de convivência e de comunidade que é desejável entre as pessoas”.

Além disso, a falta de infraestrutura é outro ponto desfavorável ainda, e especialmente para as mulheres, que prezam muito mais pela segurança na hora de optar pela bicicleta. “Portugal começou a planejar infraestrutura ciclística a pouco tempo, e nem sempre estas obras são bem executadas. Desde janeiro, por exemplo, o Código de Estrada incluiu algumas medidas que beneficiam os ciclistas e procuram zelar pela sua segurança, e isso já é bastante positivo”.

Confira o projeto

O projeto Maria Bicicleta teve início em 16 de fevereiro, terminando em 30 de junho. As 20 histórias reais de mulheres que pedalam em Lisboa estão disponíveis em mariabicicleta.com. Para conhecer mais sobre o trabalho dos autores, visite o site pessoal de Laura Alves em alauraescreve.pt, e de Vitorino Coragem em vitorinocoragem.com.

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