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Megamaratona Contra as Drogas

Um grupo de 36 ciclistas novamente encararam as maiores serras do Maranhão pedalando mais de 650 km em menos de cinco dias na edição 2015 da Megamaratona contra as drogas, com o tema: A luta contra as drogas não pode parar. Veja como foi esse pedal extremo.

Revista Bicicleta por Mauro Melo Albuquerque
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14/09/2015
Megamaratona Contra as Drogas
Foto: Mauro Melo Albuquerque

Um grupo de 36 ciclistas novamente encararam as maiores serras do Maranhão pedalando mais de 650 km em menos de cinco dias na edição 2015 da Megamaratona contra as drogas, com o tema: A luta contra as drogas não pode parar. Eles desafiaram todos os limites da resistência humana em condições difíceis de altimetria e de clima em uma prova de extrema exigência física, técnica e psicológica.

Viajando por estradas imprevisíveis sem acostamento e sem segurança, aconteceu de tudo: quedas, cãibras, fraturas, dores, altas temperaturas e chuvas, mas nada impediu os ciclistas  corajosos do Maranhão de cortarem o estado de sul ( Imperatriz) ao norte ( Capital São Luís) de bicicleta por uma causa muito nobre: "A luta contra as drogas". O evento foi promovido pela Radio 102 FM e Casa de Davi (Centro Terapêutico).

Esse ano  o tema foi “A luta contra as drogas não pode parar” e dessa vez contou com 36 ciclistas, o dobro da participação do ano passado, exigindo uma maior estrutura de apoio: 10 veículos: carro cozinha, ônibus, ambulância, três carros de apoio, mecânicos, carro de som, caminhão baú, equipe de tv e dois moto-batedouros.

Os Participantes

Participação especial de uma representante feminina, Isabella, e um ciclista paratleta com prótese de perna, Antonio Alves, o PVC, que já teve sua história contada na Revista Bicicleta, e mais; Fernando (Fanta), Ricardo Seidel, Miguel, Rey Arthur, Orlielsom (Rambo), Dr. Edmo, Pastor Adivando Junior, Josélio Bodim, Max Evangelista, Alexandre, Willian Lola, Laerte, Raimundo e Jonatha (mecânicos), Oceamir, Elisbânio, Rony (Brejão), Jeni Bike Anjo, Jedy, Luis Carlos, Jeremias (repórter da TV Mirante, afiliada da Rede Globo, que fez a cobertura do evento), Nahim, Xerxes Aguiar, Jailton, Dr. Denis, Mourany, Max Açailândia, Zilmar Xbike, Roberto Cesar, Juarez Barros, Celso, Alan e mais quatro ciclistas de Vitória.

Primeiro Dia - 140 Km

A saída aconteceu às cinco horas da manhã, sábado de carnaval, dia 14/02 de Imperatriz com uma parada prevista em Açailândia a 70 km. Os aventureiros se reuniram em uma loja de bikes e foram acompanhados por uma equipe do Globo Esporte (TV Mirante, afiliada da Rede Globo) e do repórter Jeremias Alves, que também aceitou cobrir o desafio pedalando pela primeira vez. Para os iniciantes, os primeiros 70 km já foram um bom teste pra aquecer as turbinas, ou melhor, as canelas. A ciclista Isabella (Belinha) de 17 anos sentiu os primeiros sinais de cansaço, chegou em Açailândia passando muito mal e foi aconselhada a prosseguir no carro de apoio até o ponto de almoço. A mesma orientação foi dada ao ciclista PVC, pois sua prótese já estava desgastando a base da perna amputada. Por motivo de segurança os dois retornariam ao pedal só no período da tarde.

Como o objetivo era sensibilizar a população das cidades ao longo da jornada sobre o mal que as drogas causam, em Brejão e Açailândia os ciclistas fizeram o primeiro pit stop para entregar alguns dos 35 mil panfletos confeccionados de prevenção às drogas para serem distribuídos ao longo da jornada até São Luís, a capital.

Curiosidade: a população dava um incentivo especial aos atletas. Muitos ficavam à beira da estrada acenando e com cartazes davam forças e saudações. Uma garotinha em especial, chamada Yasmin, de 9 anos, cortou o coração de um dos ciclistas ao entregar uma carta intitulada: "um grito de socorro", onde ela pedia: “ajudem a libertar o meu pai do álcool e das drogas”, e finalizava: “Deus abençoe a viagem de vocês”.

Partindo de Açailândia já por volta das 10 horas, a galera percorreu mais 25 km até o local previsto para o almoço para repor as energias. A fome, a alta temperatura e o início de uma altimetria que revelava o cartão de visitas aos paredões que se seguiam adiante com ladeiras e serras altas e longas tornavam exaustiva a jornada. Notava-se os primeiros sinais de cansaço, principalmente para os iniciantes. Ventava muito nesse momento, por volta das 14 horas, no local chamado Fazenda de Todos os Santos o acampamento já estava à nossa espera para o almoço.

Retornamos ao pedal após o almoço e um breve repouso no alpendre da fazenda às 15 h 30 min para uma jornada de 36 km até o ponto de dormida no povoado novo Bacabal. Esse trecho foi muito desgastante, pois o calor do sol de mais de 37 graus somado ao asfalto refletia uma sensação térmica próxima a 50 graus. As dificuldades e perigos aumentavam à medida que em todo esse trajeto não havia acostamento, por estarem em obras, e havia subidas muito exigentes. Pelo atraso no almoço, chegamos à noite no povoado Novo Bacabal onde o acampamento em uma casa de fazenda estava pronto para os atletas. À noite, após o banho e o jantar e antes de dormir, sempre o líder da prova, Pastor Adivando Junior, ao som do seu violão, descontraia a galera e fazia um momento de avaliação e reflexão preparando a galera para mais um dia.

Um fato que nos chamou a atenção: o carro de som que acompanhava os ciclistas na saída em Imperatriz e que tocava trilhas e canções de motivação teve que ficar antes de Açailândia por motivo de falha mecânica. Essa falta trouxe ainda mais dificuldades na hora de transpor as subidas das serras, pois tinham que lutar contra o seu “psicológico”, as dores nas pernas e cãibras que eram muitas. A cada serra conquistada, ouvíamos gritos dos guerreiros, como, o Ciclista Jailton. Era como se tivessem derrubado um grande gigante; e não era para menos: 140 km percorridos.

Segundo Dia - 85 Km

Os atletas maratonistas saíram às cinco horas da manhã, depois de um café ultra reforçado. Um dos piores trechos seriam enfrentados nesse dia, por isso, o projeto era pedalar somente 85 km devido ao relevo de extrema dificuldade, uma altimetria com subidas de até 3,5 km, sol escaldante e as primeiras baixas por cãibras, como do repórter Jeremias. Pra se ter ideia dessas subidas, a velocidade caia pra 6,5 km/h. Tudo recompensado pela natureza exuberante da região. Ao meio-dia, a galera chegou no ponto de almoço, um povoado com casas simples e gente acolhedora, como o senhor Batistinha, que serviu a caravana de água para banho e abrigo para o descanso e almoço que já estava pronto pela equipe da cozinha. Neste trajeto, o ciclista Adivando Junior, pela segunda vez na Mega Maratona, resolve trocar de bike, para acompanhar a única "speed" dentre as outras "mountain bikes" de pneu fino. Adivando e Roberto Cesar (Speed) continuaram juntos, o que não foi fácil para Adivando, pois teve que forçar muito por não ter costume na Speed. Isso rendeu uma dor a mais no joelho, mas nada grave. Hora de trocar de bike! Após o almoço, um breve descanso com redes armadas debaixo de um bambuzal e de pés de manga.

Depois das 14 h 30 min, a moçada continuou a jornada marcada de muita adrenalina nas descidas e muito gemido nas subidas. Muito trabalho dos mecânicos, pneus furados, desempeno de rodas e regulagem de marchas. Às 17 h 45 min, jornada cumprida chegando em Buriticupú, onde a população esperava os ciclistas que pernoitaram após a panfletagem de combate as drogas. A dormida foi em uma escola cedida pelo prefeito da cidade, José Gomes, que deu total assistência providencial à comitiva bem cansada.

Relatos

Um dos ciclistas que mais se identificou com a prova e que surpreendeu a todos por sua superação foi o Fernando Pessoa," Fernandinho Fanta", ex - usuário de drogas, agora empresário e ciclista, que não conseguia se conter e às vezes chorava de alegria, como ele mesmo diz: “essa é a minha prova, nessa estrada eu participei de vários assaltos, tráfico de drogas e fiquei como um mendigo em São Luís, fui para a cadeia, passei maus bocados, perdi tudo. Eu sei o que é a realidade das drogas, essa maratona é também a minha história de superação, eu superei as drogas, assim como superei essas subidas e serras. Hoje sou livre”.

Outro guerreiro foi o Rey Artur (Couraça), o sessentão duro na queda, sempre firme e alegre enfrentando tudo sem murmurar. Para o Dr. Edmo uma experiência única, extrema, mas prazerosa. Para o atleta Xerxes Aguiar, que também é produtor, essa edição 2015 está registrada na história e na mente de cada ciclista como a mais linda lição de vida e superação: "foi assim comigo no ano passado".

Foi uma lição também de amizade, coletividade e respeito. Não havia lugar para disputa. Um pequeno fato foi logo corrigido: o ciclista Lola e mais três colegas se empolgaram e entraram numa disputa se afastando do grupo, colocando em risco a segurança da jornada uma vez que estavam longe da equipe de apoio (ambulância, carro de apoio, mecânicos e batedouro). Foi imediatamente repreendido pela organização passando a pedalar no final da galera e designado para ajudar quem precisasse.

Havia uma galera (Couraça, Ricardo, Josélio, Bodim, Jailton, Edmo e Adivando) adepta da rapadura como energética e de água de coco, só na rapadura e água de coco, nada de produtos industrializados!

Terceiro Dia  - 120 Km

Dá pra entender a situação da galera pra enfrentar mais uma jornada de muitos paredões (serras de até 3 km), tendo que superar as dores musculares do esforço do dia passado. A partir dessa etapa, era superação pura. Saindo às cinco horas da manhã a galera fez um alongamento aos comandos de Luís Carlos e pedal na estrada. Aos poucos o cansaço e as dores foram dando lugar ao prazer de pedalar ao lado de amigos (alguns se conheceram na prova), muitas risadas e curtindo a natureza espetacular. Cada carro que passava era um estímulo a mais, as famílias, crianças e a população deixavam palavras de incentivo e força. Nos povoados, uma pausa pra tirar fotos com a população maravilhada com a atitude nobre desses ciclistas que pedalavam por esta causa tão cruel: "as drogas".

Pelo caminho, em meio às ladeiras de maior adrenalina e velocidade de descida de até 70 km/h, encontramos um point do “iogurte natural”. Foi uma parada maravilhosa e saborosa: Forças renovadas. Passamos por momentos de chuvas e as quedas foram inevitáveis, mas sem maiores proporções.

Chegando em Santa Luzia do Tidi, às 17 h 25 min aproximadamente, mais uma dormida especial em uma escola da cidade. À noite, aquela reuniãozinha de avaliação e reflexão feita pelo líder Adivando Junior. Quase não conseguimos dormir pelo barulho do som do carnaval bem perto do acampamento. Dormimos pelo cansaço. Muito trabalho para os mecânicos.

De madrugada, uma boa notícia: nosso carro de som consertado chega pra nos acompanhar até São Luís.

Quarto Dia - 120 Km  

O grupo saiu cedinho para um trecho mais light, com pista boa, bom acostamento e quase nenhuma subida considerável como a dos paredões anteriores. Incrível como a companhia do carro de som que ia a todo vapor tocando trilhas como o Tema da vitória de Airton Senna, deixava a galera mais feliz e motivada. Passando por Santa Inês, uma cidade de grande porte, na praça central a cidade parou para ouvir o recado contra as drogas e receber os panfletos, além da curiosidade de observar de perto as bikes de alta tecnologia. O apoio da população foi surpreendente. O almoço foi em Igarapé do Meio.

Na chegada em Vitória do Mearim mais de trintas ciclistas recepcionaram os Megamaratonistas no Povoado Coque onde uma multidão esperava a caravana. Lá tivemos que parar para uma solenidade. Prosseguindo, chegamos em Vitória com uma festa ainda maior: nossos anfitriões fizeram questão de passear pela cidade e até pelo circuito do carnaval, foi hilário, mas foi legal, nos aplaudiram bastante. Seis ciclistas seguiriam com o grupo até São Luís, dentre eles, Juarez e Celso.

Um Desafio foi lançado! Pedalar 190 km até o meio-dia e fechar a Megamaratona em quatro dias e meio.

À noite, na reunião, recebemos a notícia do líder da prova que teríamos que chegar em São Luís ao meio-dia do dia seguinte, por motivo do trânsito, chegada do feriado de carnaval e na chegada da capital tem um trecho não duplicado e sem acostamento (30 km). A polícia rodoviária não permitiria nossa entrada com toda a comitiva de nove veículos e 36 ciclistas. Seria um caos. Os ciclistas foram desafiados a pedalar 190 km somente na parte da manhã. Depois de expor aos companheiros o desafio, Adivando perguntou quem estava disposto a encarar, pois teriam que pedalar em um ritmo muito forte e arriscado. Apenas quatro ciclistas optaram por ir no carro de apoio, devido ao cansaço, decidiram ir no ônibus e acompanharem no pedal mais na frente. O restante encarou a batalha acordando e tomando café às duas horas e saindo às três horas da manhã.

Estratégia

Adivando puxou a fila bem atrás do carro de som, literalmente no vácuo e ditando o ritmo. Cada ciclista seguia no vácuo um do outro, assim bem juntinhos e resignados a aventura ganhou a madrugada com um brilho especial das lanternas e reflexos das faixas das camisas, um visual inusitado para os motoristas que cruzavam aquela cena. Show, muito lindo… A motivação do desafio, as trilhas de júbilo e vitória do carro de som, a vontade de chegar e bater o recorde do ano passado que era de seis dias fizeram os ciclistas chegarem a uma velocidade de 40 km/h quase de média, foi uma loucura de adrenalina. Muito forte pra quem vinha de quatro dias na estrada, um grande feixe de luz rasgando a alvorada.

Acidente quase tira a vida do líder da prova!

Tudo estava tão perfeito, até que em um dos trechos, o acidente. Adivando ainda no vácuo do carro de som, que o impediu de visualizar um obstáculo no asfalto tenta frear, trava o dianteiro e cai dando um giro de quase 360 graus clipado. Na queda outros três ciclistas caem por cima de Adivando que bateu a cabeça e ficou alguns minutos desacordado. Como estava de capacete, Adivando não teve maiores problemas de cabeça, mas sofreu fratura no braço direito e uma forte pancada na coxa esquerda e ferimentos no ombro e pulso. A ambulância chegou imediatamente no local e prestou os primeiros socorros ao ciclista, enfaixando o braço.

Parar ou continuar?

Após o atendimento, Adivando pegou a bike e mesmo com a roda empenada, mas em condições de uso, tomou uma decisão: iria continuar! Ele sabia que se esfriasse não conseguiria pedalar mais. Foi aí que o guerreiro disse aos demais que iria se distanciar do grupo, que eles continuassem e que ele só iria parar em São Luís, ainda há 76 km de distância. Foi assim que Adivando percorreu os 76 km restantes, sem conseguir sequer apoiar o braço direito que já estava bastante inchado, passava as marchas com a mão esquerda e não tinha forças na perna esquerda pela pancada que travou o músculo da coxa. Até onde pôde, Adivando imprimiu um ritmo forte para se distanciar do grupo e não ser impedido por eles de continuar.

O trecho mais difícil para o pastor ciclista ferido e pedalando com uma perna e um braço como apoio, foram os últimos 30 km antes do limite da capital São Luís, pois é um trecho sem acostamento e com brita no local. Para quem estava apoiando-se no guidão da bicicleta somente com um dos braços, a esta altura só passando as marchas das coroas e não mais das catracas, o sol escaldante e a falta de água do ciclista pareciam que derrubariam o sonho de um guerreiro sem forças. Adivando ainda foi alcançado pelo companheiro Jedy que o pediu para que parasse. Foi então que Adivando disse a Jedy que jamais desistiria: “não vou parar, só paro em São Luís, não vim aqui pra chegar em ambulância, vou até o final”. Pediu água para o companheiro e continuou em frente. Adivando ainda foi parado por ciclistas da capital que foram recepcionar os megamaratonistas antes de São Luís e que tentaram fazê-lo parar e esperar a ambulância. Foi aí que mais uma vez Adivando disse que iria até o fim, e foi; cruzou a ponte de estreito de mosquitos adentrando em São Luís ás 11 h 25 min, 35 minutos antes do previsto. Muito emocionado e com o dever de ter conquistado mais uma batalha, desabou em seguida no acostamento junto a uma barraquinha de palha.

Nosso ciclista após chegar em São Luís foi levado ao hospital e constatado a fratura, foi imobilizado e medicado. O restante dos atletas chegou uma hora depois devido ao trânsito e outras complicações. Na solenidade final no Círculo Militar na praia de São Marcos, todos foram recebidos por milhares de ciclistas, autoridades locais e familiares, concluída com troféus e medalhas aos ciclistas. Uma programação lindíssima preparada pelos ciclistas da capital: João Carlos, Deo da Hora e Breno.

Em seu discurso, Adivando disse que tirou do seu vocabulário a palavra "desistir".  Acrescentou que pediu muita forças a Deus para continuar e poder dizer, aos seus alunos do centro terapêutico que ajuda a tratar dependentes químicos a qual preside em Imperatriz, que mesmo ferido, machucado e sem forças, nós podemos completar a prova e vencer todos os limites e dificuldades.

Disse Adivando Junior Idealizador e líder da Mega Maratona 2015: "Eu pedalo por eles, eu venço para que eles possam vencer as drogas e quem sabe um dia, pedalar como eu, livre e sem drogas".

Imperatriz(MA), 31 de março de 2015.

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