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Meu pedal no Alentejo com a BnR

Se a vida é equilíbrio e movimento, nada melhor do que andar de bicicleta.

Por Ana Cristina Sampaio
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29/03/2017
Meu pedal no Alentejo com a BnR
Foto: Ana Cristina Sampaio

Com essa frase eu ganhei o primeiro lugar no concurso cultural promovido pela Revista Bicicleta, no início de 2016. O prêmio, uma cicloviagem pelo Alentejo, em Portugal, pela operadora Butterfield and Robinson, aconteceu em outubro.

Foram cinco dias de pedal “categoria lazer”, na companhia de minha filha Luciana, de 24 anos. Quando embarquei nessa aventura não poderia imaginar que a viagem superaria as minhas melhores expectativas.

Encontramos o grupo no hotel Bairro Alto, em Lisboa. Eram todos casais texanos e canadenses de meia idade, à exceção de Megan e Ralph, que viajavam desacompanhados. De brasileiros, nós e o guia Marcos Grellet, que nos recepcionou no hotel. Partimos em uma van vestidos para pedalar. Em pouco mais de uma hora chegamos ao destino: uma pequena venda no meio da estrada que liga Lisboa ao Alentejo. Lá nos esperavam as bikes da marca italiana Bianchi e os demais guias: o italiano Riccardo Pasquin e o alemão Tim Schellenberger.

Escolhemos para pedalar bikes híbridas, mas havia quem pedalasse bicicletas de estrada, e-bikes e até uma tandem (dupla). A van de apoio da Butterfield and Robison carrega bicicletas extras, de modo que é possível trocar de experiência de pedal se quiser. Mantivemos as nossas até o fim da viagem, mas nos arrependemos de não provarmos a e-bike, que alguns ciclistas optaram para atenuar as subidas do percurso.

Após um lanche rápido preparado pela equipe da BnR, partimos para nossa descoberta das estradas vicinais do Alentejo, seguindo em direção a Avis. O primeiro trecho foi de pouco mais de 26 km, percorrendo cenários repletos de oliveiras. A estreia terminou num restaurante típico, com comida e vinhos portugueses, o que, aliás, mostrou-se o ponto alto do passeio e uma especialidade da empresa: transformar a experiência de pedalar no exterior num misto de esporte, gastronomia, cultura, arte e história. Eles realmente nos surpreenderam nesse quesito.

Após o almoço, pedalamos mais 7 km até o primeiro hotel do passeio - o Herdade da Cortesia, ao lado da cidade de Avis. Alguns optaram por fazer um trecho mais longo, de 30 km. Os hotéis escolhidos são todos de primeira linha e, devido à baixa temporada, estavam praticamente vazios, tornando a estadia mais privativa e acolhedora. Após um mergulho na piscina de borda infinita e um passeio pelos arredores do lago Maranhão, que margeia o hotel, nos encontramos para uma degustação de vinhos e pintura de azulejos portugueses. Essa parte “artística” eu só pude completar com a ajuda da professora. Até que meu “galinho português” não ficou tão mal....

Em seguida, no jantar servido com requinte, o bate-papo nos permitiu conhecer um pouco mais dos amigos de pedal. Uma turma divertidíssima e super acostumada a pedalar, especialmente com a BnR. A fidelidade à empresa é tão grande que os canadenses de Vancouver Bill e Ruthie estavam na sua vigésima viagem. O americano Ralph fazia sua 13ª.

Uma ameaça de chuva no dia seguinte movimentou o fim da noite. Os guias trataram de colocar à disposição uma alternativa de passeio caso houvesse ciclistas não muito dispostos a pedalar no mau tempo. Decidimos encarar o pedal com qualquer clima, afinal, estávamos ali para isso. Aceitamos o convite dos canadenses Richard e Karen para nos encontrarmos às 9 horas e partirmos para o segundo trecho da viagem. Uma peculiaridade dos pedais da BnR é que eles são autoguiados com o apoio de um guia pedalando e outros dois na van. As orientações de cada percurso vêm acopladas na bicicleta ou podem ser baixadas no aplicativo. Assim, os ciclistas imprimem seu próprio ritmo, contando sempre com suporte para lanches, uma troca de bike ou até mesmo interromper o pedal.

  O céu amanheceu nublado, mas a previsão de chuva não se concretizou. Alguns ciclistas foram conhecer as ruínas de um castelo, como proposto na noite anterior, mas a maioria resolveu encarar a estrada. Foram 42 km costeando a barragem do rio Maranhão e por estradas desertas, em meio não só a oliveiras, mas a rebanhos de ovelhas e cabras, numa região agrícola do Alentejo. Após cerca de três horas, retornamos ao hotel para um piquenique à beira da piscina, o que significa dizer que comemos e bebemos novamente o que há de melhor na gastronomia local. À tarde, visitamos uma plantação de cork trees, as árvores que produzem a cortiça das rolhas. O local também é usado para caça esportiva, e pudemos ver veados e javalis circulando. A visita terminou com um jantar na casa dos proprietários, as iguarias harmonizadas com os vinhos por eles produzidos. Como era aniversário da ciclista Megan, a noite terminou com fogos de artifício. Que comemoração!

  Partimos pedalando de Avis em direção ao Convento do Espinheiro, próximo a Évora. Esse foi o dia mais desafiador, pois aceitamos o convite do casal Richard e Karen para pedalar o trecho após o almoço. Foram 40 km do hotel até o restaurante, também uma casa de proprietários portugueses, fabricantes de seus próprios vinhos. Após algumas taças de brancos, tintos e rosés, e uma comida preparada e servida pela dona da casa, a companhia dos canadenses nos deu ânimo para os 23 km seguintes, em meio a quintas, haras e mais rebanhos. Chegamos ao segundo hotel de nossa estada, desta vez um cinco estrelas digno de contos de fadas. O Convento do Espinheiro é também spa e museu.

Relaxamos na piscina aquecida e, antes do jantar, fizemos um tour guiado pelo hotel. Em seguida, nos reunimos na adega subterrânea para a comemoração dos 50 anos da BnR. Usando a técnica do "sabrage", o guia Riccardo abriu o espumante com um facão e convidou os mais corajosos a repetir o feito. O facão foi entregue de presente para o ciclista do dia: o canadense Bill, de 74 anos, na sua vigésima viagem pela BnR, havia apostado corrida com Riccardo no último trecho do pedal. O guia italiano, de 37 anos, confessou que perdeu. Também pudera, Bill treina na estrada entre Vancouver e a estação de esqui de Whistler. São 120 km de curvas sinuosas em uma serra belíssima. A noite terminou com o jantar no restaurante do hotel. Oportunidade para mais vinhos e comida portuguesa de primeira.

  Esse foi o pedal em que entramos na cidade de Évora. Saímos do hotel rumo à cidade patrimônio mundial da humanidade, conhecida pelo seu aqueduto e templos romanos. Foram 31 km, muitos dos quais em estrada movimentada, mas me senti segura o tempo todo. A paisagem ao redor de Évora é até mais bonita do que as que vínhamos apreciando. Logo de cara demos com um castelo abandonado numa colina. Seguimos quase todos juntos até adentrarmos Évora pelo aqueduto. Confesso que a cena foi uma das mais bonitas que presenciei no passeio. Deixamos as bikes com Tim e seguimos para um almoço por nossa conta. Exploramos um pouco a cidade e nos encontramos às 14 h para uma visita guiada à famosa Capela dos Ossos, à catedral e ao templo romano.

Voltamos para o hotel e seguimos para uma degustação na adega Cartuxa, uma das mais conhecidas na Europa, de propriedade da Fundação Eugênio Almeida. Lá, provamos o famoso vinho Pêra-Manca, cujo tinto custa cerca de 300 euros a garrafa, não sem motivo: Pedro Alvarez Cabral o levou em sua viagem de descoberta do Brasil e o ofereceu aos índios. Tivemos ainda a recepção dos cantores portugueses que nos brindaram com uma apresentação do Canto do Alentejo, cantigas que os trabalhadores entoavam na colheita das uvas. Mais uma noite de aprendizados e sabores.

  A viagem chegou ao seu último dia em grande estilo. Saímos do Convento do Espinheiro em direção à cidade de Montemor-o-Novo para nos hospedarmos no também cinco estrelas Land'Vineyards. Os últimos 40 km de estrada nos deixaram em uma pequena vila para o almoço, servido no cantinho do seu Manuel, um restaurante pequeno e acolhedor que lotou com a nossa presença. Após mais uma refeição magnífica, seguimos de van para o hotel. Apenas Bill e Marcos encararam pedalar os últimos quilômetros desse trecho.

Aproveitamos novamente a piscina aquecida, alguns fizeram massagem no spa, e nos reunimos para o jantar de despedida no próprio hotel, que abriga o único restaurante medalhado com a estrela Michelin do Alentejo. Mas antes, uma apresentação de fado exclusiva para o grupo, sob céu estrelado e o friozinho do outono. A noite prometia. Ao final, trocamos e-mails, nos congratulamos, agradecemos aos guias Marcos, Riccardo e Tim pela maravilhosa experiência de viagem, e desejamos um feliz regresso a todos. Terminamos brindando com um excelente vinho do Porto, em meio às histórias e risadas da viagem.

No dia seguinte, partimos bem cedo em direção ao aeroporto de Lisboa, onde terminava a nossa aventura de bike pelo Alentejo. Posso afirmar que foi um dos melhores presentes que recebi e os dias proporcionados pela BnR serão inesquecíveis. Marcos, Riccardo e Tim não são apenas guias e ciclistas experientes, mas pessoas cultas, alegres e com grande bagagem de vida. As conversas com eles foram memoráveis. Os colegas americanos e canadenses (George, por exemplo, tem 76 anos e pedalou uma bike híbrida por todo o percurso) demonstraram como o ciclismo é um esporte de longevidade e saúde. Contar sobre o Brasil e conhecer um pouco mais sobre aqueles dois países foi sem dúvida um ponto alto da viagem.

À BnR, empresa canadense que faz cicloviagens desde 1966, resta dizer que sua competência e profissionalismo está estampada em todos os detalhes. Não é à toa que Bill, Ruthie e Ralph conheceram o mundo pedalando. Por fim, meu eterno agradecimento à Revista Bicicleta, que, ao final, nos proporcionou tudo isso.

* Mais fotos do pedal no Alentejo no Intagram @anacris_sampaio

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