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Minha primeira cicloviagem

Volta à Ilha / Florianópolis – SC

Revista Bicicleta por Ana Cristina Sampaio
3.941 visualizações
08/10/2016
Minha primeira cicloviagem
Foto: Ana Cristina Sampaio

Desde que pedalar começou a fazer parte importante da minha vida, há uns oito anos, que planejo uma cicloviagem. Como naquela época a bicicleta ainda era um esporte inseguro para se fazer nas ruas e rodovias brasileiras, minha primeira opção sempre foi a Europa, onde o ciclista é respeitado e o cicloturismo é plenamente desenvolvido.

No entanto, com o encarecimento do dólar e do euro, uma cicloviagem no exterior tomou ares proibitivos.  Ainda mais porque as operadoras nacionais e internacionais tendem a caprichar no roteiro, glamourizando o passeio com hospedagens em castelos e hotéis de luxo, degustações em vinícolas e outros itens maravilhosos, porém, caros para alguns bolsos.

Enquanto não me decidia por um roteiro, o Brasil iniciou políticas públicas de valorização da bicicleta, com a construção de ciclovias e ciclofaixas, campanhas educativas e eventos que, se não nos equiparam ainda aos países desenvolvidos nesse campo, já permitem a prática do esporte de forma mais segura e confortável. Foi quando decidi me aventurar na primeira cicloviagem nacional.

Base x várias cidades

Como sou mulher e, a princípio, viajaria sozinha, achei prudente buscar um roteiro com uma operadora de cicloturismo para que pudesse ter o acompanhamento de guias e o transporte de minha bagagem. Trocar pneu furado, viajar com alforjes carregando o mínimo indispensável, além de comer e dormir onde fosse possível não combina com meu amadorismo. Foquei, então, em selecionar uma operadora com várias opções de roteiros, datas que coubessem no meu calendário e preços compatíveis. Não deixei de checar as referências no TripAdvisor.

A segunda escolha a ser feita seria o roteiro. Ter uma cidade-base e partir para passeios diários ou seguir uma rota e dormir cada dia em um local? Decidi, na primeira experiência, pela base. Se tudo corresse bem e eu me apaixonasse pelo cicloturismo, os roteiros mais longos certamente entrariam no esquema.

O passeio da Volta à Ilha de Florianópolis, entre 8 e 11 de julho, pela Caminhos do Sertão, foi o escolhido por se encaixar perfeitamente no meu calendário de férias. Comprei as passagens com milhas aéreas, pois julho é baixa estação em Floripa. O clima, ameno, ajudaria no desempenho. Malas prontas, treino em dia, partiu cicloviagem! Minha irmã e uma amiga (de 69 anos, diga-se de passagem), também ciclistas em sua primeira viagem de pedal, me acompanharam nessa aventura.

Nem preciso dizer que a expectativa era enorme. Afinal, há anos aguardava uma oportunidade de conhecer os prazeres e os desafios do cicloturismo. Não poderia ter escolhido melhor estreia. Nosso grupo era de nove pessoas, oito mulheres e um homem: Carlos, experiente e acostumado às trilhas de Limeira, no interior de São Paulo; Jeanete, Luciângela e Kelly, pedaleiras de Jundiaí; Míriam, de Mato Grosso; Vanessa, de São Paulo, e nós, de Brasília.

Começa o passeio

No primeiro dia, pontualmente às 8 h 30 min, os guias Eduardo e Fernando nos buscaram na pousada, na praia do Campeche, sul da ilha, onde pernoitamos. Carlos chegou na mesma manhã, vindo de ônibus de Campinas. Trouxe a bike na bagagem e saiu pedalando da rodoviária. Entrou na van que nos levaria ao ponto inicial da pedalada meio apreensivo com a mulherada do passeio, mas foi plenamente integrado à nossa animação e liderou o grupo em todos os percursos. Começamos na ciclovia da Praia da Joaquina, onde recebemos as bikes alugadas. A minha, uma MTB aro 29, deu conta do recado em todos os terrenos.

Dia 1 - Praia da Joaquina, Mole, Lagoa da Conceição, Barra da Lagoa, Moçambique, Reserva do Rio Vermelho, Santinho 

(41,4 km, 311 m de altimetria)

Um dia ensolarado nos brindou no primeiro pedal. A ilha estava muito tranquila, pouco movimento. Passeamos pelos cartões postais de Floripa até chegarmos à Barra da Lagoa, onde o lanche armado para o almoço nos surpreendeu pela fartura e qualidade. Em seguida, mais pedal por dentro da Reserva do Rio Vermelho, enfrentando areia fofa e terrenos acidentados, dando um toque de desafio a quem esperava moleza. Ao final, uma trilha de três quilômetros a pé atravessando a praia do Santinho até chegar ao resort Costão do Santinho. Seguimos para conhecer as inscrições rupestres e curtir o visual magnífico das ondas que batem nos rochedos. Deu tempo de saborear um pastel de siri no bar pé na areia. O pernoite foi em outra pousada, em Santo Antonio de Lisboa, para evitar longos deslocamentos. Apesar do cansaço, jantamos em grupo, na companhia de nossos guias.

Dia 2 - Praia Brava, Lagoinha, Ponta das Canas, Cachoeira do Bom Jesus, Canasvieiras, Jurerê, Praia do Forte e Santo Antônio de Lisboa 

(49,8 km, 410 m de altimetria)

Subimos na van às 9 h com destino à Praia Brava. De cara, já nas bikes, uma pirambeira para alcançar o mirante mostrou que o pedal não seria fácil. Após as fotos obrigatórias, alcançamos a Lagoinha, onde dezenas de pescadores puxavam redes com anchovas. Ficamos ali curtindo aquela cena de filme até o fim da pescaria. Segundo o guia Eduardo, aquela era a primeira vez que ele assistia à pesca da anchova. O pedal continuou com mais praias desertas e paradisíacas. Vale dizer que pedalar com o barulho do mar à sua volta é impagável. O almoço foi à sombra das árvores da Fortaleza São José da Ponta Grossa, um dos locais mais lindos que conheci na ilha. Demos uma boa volta por Jurerê, entre casas milionárias belíssimas, e terminamos em Santo Antonio de Lisboa, que mais parece uma cidade do interior, de tão charmosa e bucólica. Ganhamos do hotel uma dúzia de ostras por apartamento e fomos direto saborear a iguaria fresquíssima. Grupo reunido à beira-mar, assistimos ao por do sol.

Dia 3 - Cacupé, centro de Floripa, Ribeirão da Ilha 

(49,1 km, 507 m de altimetria)

Partimos pedalando de Santo Antonio de Lisboa e seguimos em direção a Cacupé. Trecho com altos e baixos  que fez desse dia o mais desafiador em termos de altimetria. Chegamos à ciclovia da beira-mar e, driblando crianças e skatistas, apreciamos a maravilhosa orla. Conhecemos o centro de Floripa, bem vazio naquele domingo. O almoço foi em frente à ponte Hercílio Luz, cartão postal da ilha. Seguimos por um trecho de rodovia, passamos por áreas rurais até chegarmos em Ribeirão da Ilha, mais uma praia de pescadores com uma pequena igreja e restaurantes pé na areia. Uma boa cerveja e mais pastel de siri nos acompanharam no por do sol à sombra das amendoeiras. Indescritível. Pernoitamos na pousada da qual partimos no primeiro dia, em Campeche.

Dia 4 - Campeche, Lagoa do Peri, Morro das Pedras, Armação,  Matadeiro, Praia dos Açores e Pântano do Sul 

(38,2 km, 235 m de altimetria)

Nossa despedida começou pelas ruas tranquilas de Campeche. Conhecemos a lagoa do Peri, de água doce, e lanchamos no alto do Morro das Pedras com um visual inenarrável. Chegamos à praia do Pântano do Sul, última oportunidade para pedalar à beira-mar, e seguimos para o almoço. De lá, retornamos pedalando para a pousada. Fim do passeio. Carlos retornou na mesma noite, as três moças de Jundiaí seguiram em férias na ilha, e o restante do grupo partiu na manhã seguinte.

Nem preciso dizer como essa viagem superou nossas expectativas em termos de organização, roteiro, alegria e comilança. Os pedais, em minha opinião, são de nível intermediário, e podem ser feitos sem susto por quem nunca pedalou quatro dias seguidos. Um toque familiar dos empresários, que nos brindaram com a companhia de suas famílias em alguns trechos do passeio, tornou a viagem mais amigável e integrou o grupo de tal forma que já há quem esteja se encontrando em outros eventos ciclísticos no interior de São Paulo.  

Florianópolis, em julho, tem praias praticamente desertas, o que torna o passeio mais prazeroso e seguro. Os motoristas da cidade respeitam o ciclista, não houve incidentes e em momento algum me senti insegura. Um guia à frente e outro ao final do grupo permitiu que cada um desenvolvesse seu ritmo, embora estivéssemos bem homogêneos.

Posso garantir que minha primeira cicloviagem foi um sucesso. Despedi-me da experiência ansiosa pelo repeteco que, desta vez, será em outubro, em Portugal, quando vou usufruir meu prêmio do concurso cultural da Revista Bicicleta. Mal posso esperar!

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