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Os Caça Talentos

Como lojistas e ciclistas mais experientes podem influenciar novos ciclistas através de suas atitudes e palavras.

Revista Bicicleta por Antonio Olinto
36.006 visualizações
14/04/2015
Os Caça Talentos
Foto: Rafaela Asprino

Quando vi pela primeira vez as ciclofaixas pintadas de vermelho em São Paulo sabia que uma revolução estava acontecendo.

Há quem diga que com uma ciclofaixa sinalizada e com um cuidador a cada cruzamento cause a ideia errônea de que um indivíduo só pode sair de bicicleta na cidade em situações semelhantes. Ou seja, a ciclofaixa de final de semana não iria ter o poder de ampliar o número de pessoas utilizando a bicicleta nas cidades.

Sempre imaginei outra reação: visualizava as pessoas tendo uma opção diferente de lazer nas cidades, algo que não fosse tão profundamente ligado ao consumo, como ir ao shopping.

Como princípio, sei que consumir por si não traz nenhum prazer real. Ao contrário, em uma ciclovia as pessoas conversam e se relacionam sem ter necessariamente que consumir. A bicicleta, com sua velocidade natural, proporciona comunicação plena durante a pedalada, um dá dica para o outro, ou se auxiliam em caso de necessidade.

“Veja como seu banco está muito baixo”.

“Espera que te ajudo com esta corrente solta”.

Estas inter-relações dão à cidade um caráter mais humano, que o uso intensivo dos automotores tem tirado. Não me estranhou ver a experiência da ciclofaixa ser replicada em várias outras cidades com sucesso.

Uma vez que o sujeito experimenta, ele gosta e quer mais e mais. A consequência lógica é um batalhão de gente feliz em andar de bicicleta e pronta para a próxima pedalada. Esse desejo incontido de todas essas pessoas é que gera o poder da chamada massa crítica, sociologicamente falando (segundo o livro Diffusion of Innovations, de Everett M. Rogers, em dinâmica social, massa crítica é a mentalidade de um grupo em relação a um determinado assunto necessária e suficiente para, em quantidade e qualidade, estabelecer e sustentar determinada ação, relação ou comportamento). Esse poder é mais forte que qualquer “boom” de mountain bike que tenha vivido. 

Eu e a Rafa tivemos uma aproximação tímida com a bicicleta em nossa fase adulta. Eu comecei a pedalar somente pelas ciclovias de Curitiba e a Rafa, como muitos paulistanos, nunca teve coragem para sair do bairro com sua bicicleta.

Foi somente com o conselho de uma amiga, Bruna, que começou a participar de passeios noturnos organizados por uma bicicletaria.

São Paulo não é pequena nem simples para se atravessar, mas a Rafa começou a ampliar suas pedaladas saindo de carro de sua casa na Zona Norte até a Zona Sul para poder participar dos passeios da Total Bike.

As relações de confiança são interessantes. Não fosse a sensibilidade de pessoas como o Edi e a Adriana, organizadores dos passeios, não teriam conseguido a fidelização de uma cliente do outro lado da cidade. Eles colavam ao lado da Rafa, davam dicas e até a empurravam nas primeiras grandes subidas. 

Estas sementes de carinho e atenção cresceram no solo fértil de uma já amante da bicicleta e frutificaram em abundância. Logo o medo de pedalar pela cidade acabou e a Rafa já atravessava até a marginal, treinando para participar de campeonatos e grandes passeios.

Quase um ano depois do primeiro passeio de bicicleta, quando a conheci, só precisei convidar, pois ela já estava pronta para ir a qualquer lugar com sua bicicleta.

A todos os lojistas, organizadores de passeios, todos os ciclistas veteranos, aqueles que já têm experiência: 
Tenham em mente a importância de suas palavras, suas atitudes, paciência e cuidados com os que estão chegando animados com este “brinquedo de criança” tão especial chamado bicicleta. 

A todos os lojistas, organizadores de passeios, todos os ciclistas veteranos, aqueles que já têm experiência: tenham em mente a importância de suas palavras, suas atitudes, paciência e cuidados com os que estão chegando animados com este “brinquedo de criança” tão especial chamado bicicleta. 

Hoje o Edi exibe com orgulho o vídeo da Rafa pedalando pelas estradas mais altas do mundo nos Himalaias Indianos e, seguramente, deve se lembrar de ter a empurrado pelas costas num passeio na Cantareira.

Mas a Rafa sabe que pessoas como o Edi, a Adriana, a Bruna, o Rodrigo e a Raquel foram essenciais na reintrodução ao mundo das bicicletas. Eles funcionaram como verdadeiros caça talentos, fazendo brotar nela capacidades incríveis que a tornaram mais feliz e realizada. 

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