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Pela preservação dos oceanos

Em março de 2015, o catarinense Guilherme Gevoerd iniciou uma expedição em bicicleta e barco a vela pela preservação dos oceanos. A ideia é percorrer em oito etapas toda a costa marítima do mundo, iniciando pelo lado europeu do Mar Mediterrâneo, primeira etapa que acaba de ser concluída. De lá, ele nos fala sobre os primeiros oito meses de estrada e do seu trabalho de conscientização.

Revista Bicicleta por Anderson Ricardo Schörner
1.025 visualizações
22/04/2016
Pela preservação dos oceanos
Foto: Guilherme Gevoerd

A causa é nobre: chamar a atenção do mundo para a poluição dos oceanos, um problema que mata milhares de animais e prejudica todo o ecossistema marinho. Você já deve ter visto fotos de animais deformados por terem ficados enroscados em algum lixo; outros, mortos com o estômago cheio de pequenos objetos descartados imprudentemente na natureza.

Sob as ondas, este problema ambiental e social pode passar despercebido. E é para trazer o assunto à tona que Guilherme Gevoerd, de Lages – SC, tem pedalado. Para “um amante do mar e da natureza”, como ele mesmo se intitula, a vontade de fazer algo para ajudar na preservação dos oceanos foi o insight para uma expedição cicloturística prevista para cobrir milhares de quilômetros à beira-mar, conscientizando as pessoas sobre as consequências do acúmulo de lixo nas profundezas do mar.

A primeira das oito etapas previstas acaba de ser cumprida. Com o Mar Mediterrâneo como companheiro, Guilherme rodou 15.650 quilômetros. “Essa primeira parte da viagem está sendo incrível”, diz ele, “conheci várias culturas e pessoas de todos os cantos do mundo. Estou conseguindo divulgar o projeto e colher bastante informação. Já conversei com mais de duas mil pessoas sobre o projeto e os problemas do lixo, principalmente do plástico, nos oceanos”. No bate-papo a seguir, ele relata sobre a experiência destes primeiros meses.

Você pode detalhar o percurso realizado nessa primeira etapa?

Eu já pedalei toda a costa da Itália, Eslovênia, Croácia, Bósnia, Montenegro, Albânia, Grécia e Turquia, incluindo Córsica, Sardenha e Sicília, seis ilhas croatas e três ilhas gregas. A ideia era seguir pela Síria, Jordânia, Israel e África do Norte, para fazer todo o giro do Mediterrâneo, mas decidi voltar da Turquia, pois não está muito seguro seguir pela Síria e Oriente Médio. Então, voltei para a Itália e peguei um barco para a Ilha grega de Chios, onde vi muitos problemas decorrentes da imigração, com muitas pessoas da Síria nas ruas, nas praças e nas praias, dormindo em barracas, bancos, sem nenhuma infraestrutura, esperando para pegar um barco para entrar na Europa. Dali, peguei um barco até Atenas, pedalei mais 250 km até chegar em Patras, para pegar o barco até Ancona, na Itália, fazendo um trajeto mais interno pelo país, pois já havia feito as duas costas. Finalizei o pedal em Cadiz, na Espanha, onde embarquei para as Ilhas Canárias.

Você mencionou que já conversou com mais de duas mil pessoas sobre o projeto e colhendo informações. Como você faz a abordagem e como as pessoas reagem ao saber do que se trata?

Na maioria das vezes são as pessoas que me abordam. Elas olham para a bicicleta carregada, leem o cartaz do projeto e logo querem saber mais. Esse é o momento em que aproveito para falar do projeto, da rota e tudo mais. Em uma viagem assim, sozinho, as pessoas ficam muito abertas para conversar, ainda mais sendo uma viagem de bicicleta. Muitos falam que é loucura pedalar tanto assim, mas que também gostariam de fazer isso.

Na sua opinião, as pessoas estão abertas e sensíveis à necessidade de preservação das áreas litorâneas?

Sim, estão abertas e sensíveis, mas muitas vezes não fazem nada. Não se dão conta de que reciclar e utilizar menos plástico já seria uma contribuição. Há pessoas que não se dão conta da importância do assunto, mas quando mostro as fotos dos pássaros e animais marinhos mortos por causa do plástico e dos resíduos deixados nas praias, ficam chocadas.

É possível fazer um diagnóstico breve das regiões que você já passou?

A Itália tem uma diferença gritante entre norte e sul a respeito da reciclagem do lixo. No sul, tive a impressão de que as pessoas ainda não se deram conta da importância da reciclagem e do tratamento do lixo e limpeza das cidades. Com relação ao pedal, o país possui lugares incríveis para se pedalar, as pessoas são muito receptivas e em quase 70% dos três meses que passei na Itália fiquei hospedado em casas de pessoas que conheci nas cidades, através de warm showers e couch surfing.

Fiz apenas um pequeno pedaço da costa da Eslovênia, mas até agora pareceu o país mais limpo e organizado referente à reciclagem. Há uma ciclovia chamada Parenzana, que liga a Itália e passa pela Eslovênia e Croácia, muito bela, que era uma antiga ferrovia. A Croácia tem seus prós e contras, mas o norte é mais limpo que o sul. É o segundo país com mais ilhas na Europa, e elas são belíssimas. Bósnia também foi um país que fiz uma pequena parte da costa. Foi cerca de 70 km e apenas uma cidade que tinha uma grande baia.

Montenegro possui muitas montanhas e baias incríveis. Mar e montanha formam uma paisagem incrível. Foi o primeiro país em que tive problema em acampar e teve noite que tive que desmontar acampamento e mudar de local às 23 h. O país tem um grande problema com o lixo. Encontrei até eletrodomésticos nas encostas do mar e nas pedras. Meu início na Albânia foi uma maravilha para descansar as pernas: na parte norte, tudo plano. Todos muito receptivos e mesmo sem falar muito inglês se comunicavam e queriam saber da viagem. Falar italiano ajudou muito. Chegando no sul da Albânia, começou uma montanha gigante, com quase dois mil metros partindo do nível do mar, com uma vista linda na descida com a encosta do mar no Parque Natural de Llogara. Infelizmente, a costa do país tem um grande problema com o lixo, inclusive no meio do Parque Nacional. Você passa por uma linda montanha verde ao lado de uma montanha de lixo.

A Grécia possui ilhas belíssimas e muita história. Cheguei ao país na Ilha de Corfu, com praias lindas e paisagens incríveis, mas com um calor de 42 a 44°C, era impossível pedalar do meio-dia até as 17 h ou 18 h. Existe um problema de reciclagem nas ilhas, principalmente pelo alto custo de transporte com barcos.

Na Turquia o problema é bem sério, com lixo por todos os lados nas ruas e nas praias. Tive a impressão de que apenas nas cidades grandes e turísticas é que o país é limpo, com muitos trabalhadores envolvidos na limpeza e caminhões que parecem uma vassoura-aspirador gigante. O país é bastante receptivo, Istambul é realmente incrível e possui uma história imensa, desde a antiga Constantinopla, que era a cidade antiga romana toda murada, até Troia, com toda a sua majestade no alto de uma colina com vista para o Mar de Marmaris, que separa a Europa da Ásia. Troia teve início em 3.000 a.C. e é possível acompanhar as diferentes fases de tipo de construção pela cidade. Também passei pelo local da batalha de Thermopyles, história contada no filme 300.

Na sua opinião, quais são as vantagens de estar realizando o projeto em bicicleta?

Existem muitas vantagens, como o fato de estar usando um meio de transporte limpo, sem poluição, a receptividade das pessoas em todos os locais, a liberdade que se sente, o bem-estar e o prazer de você chegar e conhecer os locais por si próprio, sem utilizar outro meio de transporte.

Quais são os próximos passos do projeto?

Nas Ilhas Canárias pretendo começar a trabalhar em um barco a vela, aprender a velejar para depois fazer a travessia do Oceano Atlântico para Santa Lucia, na Venezuela. Então, começarei a trabalhar a próxima etapa da jornada na América do Sul e fazer toda a costa do Brasil. Quero organizar o trajeto, entrar em contato com escolas para apresentar o projeto às crianças e também preparar um programa de reciclagem para mostrar às prefeituras e governos por onde eu passar. Na América do Sul o trajeto terá em torno de 26 mil quilômetros de pedalada.

Que mensagem gostaria de deixar para os leitores da revista, aqui no Brasil?

Corra atrás dos seus sonhos e pare de colocar o “se” nas coisas que você quer realizar. Se você esperar pelas condições perfeitas nunca vai fazer nada. Muitos comentam que seria um sonho fazer uma viagem como a minha, então, corra atrás dos seus sonhos, ou melhor, pedale para realizá-los. E quem puder me ajudar com a Campanha no IndieGogo de financiamento coletivo (crowdfunding), ficaria grato. Você pode adquirir o documentário da jornada, fotos e muito mais em www.indiegogo.com/at/worldcoastjourney1

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