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Restauração ou reforma?

Revista Bicicleta por Valter F. Bustos
43.054 visualizações
09/09/2014
Restauração  ou reforma?
Foto: Valter F. Bustos

Nossa intenção através desta matéria é colocar em pauta um assunto bastante evidente e provocador de calorosas discussões, e, provavelmente, alguns ressentimentos entre os aficionados pelas antigas. Há também um pequeno grupo de bons profissionais espalhados pelo país executando serviços de pintura e filetagem com muita competência e bem requisitados. Sabemos que esse é um tema complexo, pois não temos ainda –apesar da existência de muitos colecionadores - a formação de uma massa crítica suficientemente madura e apropriada de substanciais conhecimentos ao ponto de estabelecermos, não regras, mas um escopo de orientações que permitam definir critérios do que é restauração e o que é reforma.

É muito perceptível aos frequentadores das feirinhas de antiguidades e mercados de pulgas, esse nicho do colecionismo que a cada dia vai se ampliando, sem falar das aquisições via comércio eletrônico. As razões para isso são óbvias: carros e motocicletas antigas ao longo das últimas décadas tiveram seus estoques zerados. Por outro lado, na condição de grande importador de bicicletas europeias depois da II Guerra Mundial, uma infinidade de marcas e modelos foram postas no mercado nacional, principalmente na condição de veículo de transporte da massa de trabalhadores do pós-guerra. Devido ao grande surto de crescimento, a indústria automotiva é introduzida no país e imediatamente o carro assume a condição de objeto de consumo mais desejado pelos brasileiros, seguido pela televisão e toda linha branca. Aos poucos as “velhas companheiras” foram abandonadas ou encostadas país a fora. Melhor sorte tiveram as que foram guardadas nos sótãos, ranchos ou garagens.

Há pouco mais de duas décadas o interesse por esse veículo colecionável assumiu grandes proporções; motivado por uma série de fatores com ênfase ao relativo baixo valor de aquisição e, devido ao tamanho e maior facilidade na recuperação. Atualmente, as bicicletas antigas representam uma enorme fatia do mercado digital e no comércio de antiguidades por todo o Brasil. Em paralelo, ganhou força um grande mercado de peças novas e usadas para reposição. Ao mesmo tempo, ganhou força um movimento de conhecedores e especialistas, alguns, de qualidade duvidosa e que têm aproveitado da boa índole de muitas pessoas empurrando qualquer coisa como se fosse raridade. Infelizmente, faz parte do mercado.

O lado positivo é que prevalece entre muitos colecionadores e apaixonados pelo tema o “bom senso” onde uma peça original ou restaurada, prevalece sobre qualquer bicicleta reformada, segundo os padrões de fábrica, por mais brilho ou cor que ela tenha. Os exemplares mais belos e raros foram guardados e tiveram pouco uso. Passados longos anos desde a sua produção, nota-se o brilho nas peças cromadas e a pintura perfeita: são as bicicletas originais. Uma parte maior é constituída pelas bicicletas conservadas, mas que devido ao uso e as marcas deixadas pelo tempo; necessitam de uma intervenção mais cuidadosa, ou seja, a restauração.

O princípio básico de qualquer restauração é a manutenção e/ou recuperação dos traços ou detalhes originais de uma peça com vistas à sua preservação. O que vale para qualquer artefato ou objeto de arte, indiscutivelmente, se aplica ao colecionismo de bicicletas antigas. Por mais danificada que uma pintura original possa estar, são marcas de um passado gravadas ao longo do tempo, logo, devem ser respeitadas.

Há pessoas que preferem o brilho e o cheiro de tinta nova em suas bicicletas. Tudo bem, e com sua postura contribuem para a preservação de valiosas bicicletas sob o ponto de vista histórico, mas, felizmente ou infelizmente, sob o ponto de vista dos padrões de preservação de qualquer bem de valor histórico, possuem uma bicicleta reformada. Seguiremos com esse tema na próxima edição da Revista Bicicleta. Até lá!

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