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Sani2C - A África light e divertida!

Depois que comecei a correr do lado de fora nas ultramaratonas organizando a Brasil Ride meu tempo para treinar foi ficando mais e mais escasso. Em 2012 fiz mais uma grande mudança em minha vida saindo de São Paulo, capital, para o interior em Botucatu. Ganhei logo mais qualidade de vida e tempo para treinar e foi aí que criei coragem para aceitar um antigo convite do Farmer Glen, organizador da Sani2c, uma prova de três dias, e voltar pela décima vez para a África do Sul.

Revista Bicicleta por Mario Roma
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10/03/2015
Sani2C - A África light e divertida!
Foto: Divulgação SANI2C

Em todas as provas de etapa o primeiro dilema é encontrar o parceiro. Desta vez foi fácil encontrar alguém com saúde, que gosta de aventura, pedala bem e já chupou prego junto comigo. Meu amigo e parceiro de Brasil Ride desde a primeira edição, Rafael Campos, diretor de prova e ícone mundial das corridas de aventura, iniciou os treinos comigo. Nenhum de nós gosta de fazer feio, então, embarcamos para a África com uma saúde leonina.

A Sani2c é a maior prova de etapas na África do Sul. Com 4.500 atletas, a organização se obriga a dividir a largada em três dias diferentes, em grupos de 1.500 por dia. Chegamos em Underberg School, pegamos nossos kits, montamos nossas bikes e fomos procurar a sala de aula que seria nosso quarto até às sete horas da manhã, pois às oito em ponto iniciavam as aulas.

Na largada, descobrimos que largaríamos no portão N, no fim da jiboia de 1.500 atletas. Entre eles, alguns amigos de outras ultramaratonas que nos aconselharam a falar com Jim para largar mais à frente, mas como estou calejado depois de organizar quatro ultramaratonas, sei o que é pedir algo a um organizador nesse momento. Deixamos dessa forma, seria uma nova experiência em nossas vidas largar com 1.500 atletas à nossa frente. Encontramos nossos amigos Adriana Nascimento, Vivi, Flavia e Emanuel na mesma situação.

Ao tiro de largada saímos para Mackenzie Country Club, Eastwold, Ixopo, e teríamos de percorrer 82 km e subir 1.230 m para entrar na primeira sessão de singletrack. Aceleramos e pulamos na frente do pelotão, levantando uma nuvem de pó atrás de nós. Os primeiros singletracks foram bons, depois começamos a ultrapassar outros grupos, o que nos fazia acelerar nos estradões. Nas trilhas, ficávamos limitados à habilidade da pilotagem de cada equipe que alcançávamos. Os cenários eram impressionantes, mas pouco observamos, pois foram 82 km de recuperação sem ter muito tempo para levantar a cabeça, cruzando a linha de chegada no Mackenzie Country Club bem amassados. A rotina de ultramaratona começava ali: pegar o saco de dormir, que no caso era uma caixa bem grande e difícil de transportar, pegar uma tenda, tomar banho e depois um bom vinho tinto Sul Africano para relaxar a mente e músculos cansados de um longo dia de tiroteio nas savanas africanas.

Tivemos uma boa noite de sono sob o céu estrelado, e acordamos cedo para a segunda etapa, com largada às seis da manhã e aquele frio seco da África no ar que nos levou a usar manguito e quebra-vento. Nosso destino estava a 99 km na pequena aldeia de Jolivet, com 1.400 m de ascensão. Esse prometia ser o dia D. Largamos no grupo D, uma enorme diferença sair no grupo de frente, em que todos têm uma velocidade semelhante. Entramos em uma verdadeira montanha-russa do Rei Leão, um singletrack 100% feito a mão com um visual incrível. Toda a prova acontece dentro de fazendas particulares e os fazendeiros, além de pedalarem, criaram um desafio pessoal de qual fazenda tem o melhor single, resultando em um dia de pontes flutuantes para cruzar açudes e singles de cinema em que o limite de velocidade é exclusivamente a habilidade de cada um. Para fechar com chave de ouro, uma área de apoio oferecida por um dos patrocinadores do evento, Nandos Burger, oferecia até hambúrguer de frango em plena etapa, uma experiência nova para nós.

Fizemos uma etapa muito boa, que nos deixou no pelotão C. A prova fluía para nós e cruzamos a linha de chegada radiantes como crianças em um dia na Disney. Para não fugir da tradição, voltamos para a rotina: caixa, bike wash e procurar uma tenda no meio de uma plantação de Mac Adonias. Fomos tomar um vinho tinto com nosso anfitrião e selamos uma parceria entre a Brasil Ride e a Sani2c: trazer os campeões da prova sul-africana para disputar a Brasil Ride e garantir vaga para os atletas brasileiros da Brasil Ride que  quiserem disputar a Sani2c, sempre lotada, com fila de espera. Nossa jovem prova brasileira estava naquele momento brindando a uma parceria com a maior prova da África do Sul e do mundo, mais um motivo para nos dar uma energia extra. Durante o jantar de premiação, encontramos vários atletas que nos questionavam sobre a Brasil Ride.

No terceiro dia percorreríamos 84 km com 665 m de ascensão em direção à bandeirada na praia de Scottburgh. Um percurso curto e com pouca subida, a dificuldade ficou pela lenha que começou na largada e só terminou quando entramos no single, direção que dava início para uma das mais longas pontes flutuantes conhecidas. Ela tem um balanço horizontal, mas as laterais são totalmente escoradas, sem movimento algum. Foi uma experiência única vivida na Sani2c. Nossas rodas se encheram de areia e a praia estava lotada. Missão dada, missão cumprida, após 265 km e 3.301 m de ascensão.

Competimos na categoria Open, um nos 30 e outro nos 50. Ficamos muito satisfeitos com a nova experiência e com a facilidade que tivemos de entrosamento, o que fez com que a prova parecesse fácil. O Rafael estava focado em ganhar velocidade para as corridas de aventura e o meu foco era preparação para o Campeonato Europeu de Maratona Master. Fomos conferir nosso tempo na categoria Grand Master e era o segundo melhor. “Rafa, vamos comer mais umas lagostas e atacar o vinho tinto”. 

Assim acabou nossa “viagem de negócios” na África do Sul. A Sani2c é uma ótima experiência para quem quer mergulhar na Brasil Ride, com um tempo de intervalo perfeito, já que acontece em abril e a Brasil Ride em outubro. Espero você na Chapada Diamantina em 2015. Até lá!

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