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Ser ou Estar - Mecânico Eis a Questão!

Uma questão antiga veio a minha mente na hora de escrever esse mês. Ela foi discutida anos atrás com um amigo do mercado da bicicleta. O mecânico. Ele é ou está mecânico? Faço essa pergunta devido à rotatividade desses profissionais em lojas e/ou sua migração para outros ramos de atividade.

Revista Bicicleta por Ronaldo Huhm
9.020 visualizações
07/10/2015
Ser ou Estar - Mecânico Eis a Questão!
Foto: DreamPictures / Pam Ostrow / Blend Images

Claro, apesar de tanta rotatividade, existem os “Pratas da Casa”, aqueles mecânicos que agregam muito ao trabalho e chegam a fazer parte da história de algumas grandes lojas do país. Sentem orgulho do que fazem e nem pensam em mudar de ramo ou de posto.

Por outro lado, devido à falta de centros de formação e salários pouco atraentes, há uma carência de bons profissionais. Por isso, pessoas sem nenhuma experiência na função de mecânico acabam ingressando nessa área, já que o lojista muitas vezes fica sem opções. Resultado: pessoas com pouca ou nenhuma capacitação se aventurando na arte de trabalhar com bikes caras e complexas.

Eu disse arte? Sim, arte! A mecânica é a ciência dos movimentos onde as medidas, regras e procedimentos se combinam assegurando o bom funcionamento de qualquer objeto mecânico, seja ele uma bicicleta, um carro, uma moto ou um avião. E é preciso ser um pouco artista mesmo.

Da mesma forma, mais do que gostar de bicicletas é importante gostar da mecânica, conhecer e aplicar suas regras, pois somente assim se alcança um bom resultado que pode ser a vitória do piloto ou simplesmente o sorriso de satisfação do cliente seguido daquela frase: “nossa, ficou melhor do que quando era nova!”

Estar bem preparado x remuneração

O gosto por colecionar novas ferramentas, os “brinquedos novos”, utilizá-las para realizar manutenções, revisões e outras tarefas que seriam impossíveis sem elas, tem sua mágica. Acumular pilhas e pilhas de catálogos e manuais, para esse “ser mecânico” é um prazer. Mas, voltando um pouco, e o “estar mecânico”? Para esse o que interessa é o salário! Claro que o dinheiro é importante, mas o bom profissional faz seu salário e seus benefícios. Já para aquele que “está mecânico”, ler é perda de tempo; capricho não existe e por uma diferença mínima no salário, ele deixa para trás a parceria com a loja, os clientes e possivelmente a oportunidade para trabalhar em qualquer outra atividade que lhe garanta um pouco mais de dinheiro.

Remuneração é uma questão intrigante. Bicicletas custam tanto ou mais que automóveis e motocicletas, mas, no entanto, essa realidade não se reflete nos salários dos mecânicos de bicicletas. O profissional de mecânica de bicicletas precisa ser encarado de maneira mais séria, já que os obstáculos para sua capacitação e compra de ferramental especializado são muitos. Além disso, mecânicos frequentemente fazem vendas, direta ou indiretamente nas lojas, além de agirem como consultores na hora da decisão de muitas compras.

Parte dessa responsabilidade podemos atribuir ao dono da bicicleta, e parte ao lojista. O dono da bicicleta muitas vezes acha que aquilo é uma tarefa fácil e ele só não faz por falta de tempo ou ferramental. Então, acredita erroneamente que a função não é tão qualificada e, portanto, desvalorizada. O lojista por sua vez, não valoriza o mecânico por não enxergar a importância que esse profissional tem no contexto geral do estabelecimento e manutenção da clientela. É mais ou menos como pintar você mesmo o apartamento: a princípio é uma tarefa relativamente fácil.

A pergunta é: vale a pena realizarmos nós mesmos? Saberei eu como preparar a tinta, fazer os recortes no rodapé, cobrir corretamente o que não deve ser pintado? Eu realmente quero ou tenho tempo para fazer isso? Pessoalmente, prefiro pagar um valor justo a um profissional capacitado.

Acredito que é um desperdício essa falta de noção, pois ao mecânico é confiada a responsabilidade de assegurar que o ciclista tenha satisfação. Ele é o doutor da bicicleta, a pessoa que tem o dom da transformação. Imagine receber uma massa de metal, lama, graxa e areia e ter que (re)transformá-la numa máquina cobiçada por qualquer ciclista. Esse profissional não tem a temer, pois ele tem seu espaço, mas terá de lutar por isso trabalhando de forma caprichosa e organizada, atualizando-se constantemente e aplicando tais conhecimentos de forma sistemática.

Grandes profissionais se destacam

Hoje temos uma seleção de grandes mecânicos que têm agenda cheia, trabalham com hora marcada e a preços justos, o que não quer dizer necessariamente preços baixos, já que a tecnologia nas bicicletas vem aumentando de forma incrível demandando treinamento, investimento, dedicação e profissionalismo. É preciso deixar de se considerar ‘bicicleteiro’ e se permitir ser encarado como um técnico mecânico com boa apresentação, em uma oficina organizada, com roupas limpas, diplomas dos treinamentos realizados estrategicamente dispostos na parede...

Tudo isso transmite confiança ao cliente, que por sua vez irá valorizar o bom atendimento e a qualificação do profissional que lhe oferece um bom serviço e algumas comodidades. Uma oficina é uma sala de cirurgia, como diria meu amigo e mestre mecânico José Wellington (O Baiano). E como podemos operar numa sala cirúrgica suja e com o ambiente desorganizado? Não existe a possibilidade de dar certo.

Formação

Há anos decidi ser mecânico por influência do meu pai, que era mecânico de motos. Influência que me deu preparo técnico para ler instrumentos de medição e utilizar as mais diversas ferramentas de precisão necessárias para se trabalhar com bicicletas modernas. Viajei ao exterior para cursar aulas de fabricação de quadros com o intuito de aprender, trocar experiências e depois compartilhar tudo com meus colegas de profissão.

Hoje algumas empresas no Brasil já oferecem treinamentos específicos para seus produtos. Ainda são poucos, mas é importante acompanhar essas oportunidades para aumentar o conhecimento. Sempre vale a pena contatar os representantes/distribuidores dos produtos em busca de informação, treinamento e ferramental adequado, assim podemos oferecer mais qualidade aos clientes. Em minhas andanças pelo país trabalhando com a educação técnica da Shimano para mecânicos de bicicletas, pude notar uma grande evolução nos últimos seis anos. Vi profissionais que colecionam diplomas e seguem o programa de educação, muitas vezes viajando centenas de quilômetros para participar de um treinamento. Algumas empresas cobram pelo treinamento, o que acho justo; outras o oferecem gratuitamente. Porém, a decisão de sair da zona de conforto é individual, já que vemos muitos que estacionaram e simplesmente não acompanham as evoluções do mundo da bicicleta.

Albert Einstein disse: “viver é como andar de bicicleta: É preciso estar em constante movimento para manter o equilíbrio”. Então, deixo o recado: não pare de buscar informação, de se preparar e se armar para os desafios técnicos que virão, pois a indústria da bicicleta e seus engenheiros estão ávidos por inovações para satisfazer uma legião de ciclistas apaixonados e loucos por novidades mega tecnológicas. 

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