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Tudo mudou com a chegada da bicicleta

Na série Eu Pedalo desta edição, conheça a história do carioca Fabrício Vilete, que teve paralisia infantil, mas viu sua vida mudar com a bicicleta.

Revista Bicicleta por Fabrício Vilete
7.696 visualizações
21/05/2015
Tudo mudou com a chegada da bicicleta
Foto: Fabrício Vilete / Arquivo Pessoal

Quando criança, fui vítima da Poliomielite, uma doença viral que afeta os nervos e pode levar à paralisia parcial ou total. Sou portador de deficiência física em decorrência disso.

Minha infância foi muito difícil em decorrência disso. Eu não conseguia andar e precisei fazer uma cirurgia. Quando comecei a andar, caía muito, devido às sequelas que a paralisia deixou em minhas pernas e braços. Então, eu passava a maior parte do meu tempo em casa.

Naquela época, as crianças iam para a rua brincar, não ficavam jogando vídeo games, grudados no computador ou assistindo televisão. Eram brincadeiras que eu não conseguia participar. Por isso, tive poucos amigos e também tive dificuldades na escola.

Mas tudo mudou com a chegada da bicicleta! Meu pai queria me ver sair de casa, ir brincar, fazer amigos. Ele queria que eu pudesse fazer isso sem depender de alguém. Então, comprou uma bicicleta.
Era um modelo feminino, uma Caloi Cecizinha, porque na época ele achou que seria melhor para eu aprender a andar. Parecia impossível alguém que mal ficava em pé conseguir andar de bicicleta. Mas, para surpresa de todos, aprendi bem rápido!

Passei a usar a bicicleta para tudo. Para estudar, para brincar... Eu adorava quando minha mãe me pedia para ir ao supermercado para ela. Dessa forma, a bicicleta me ajudou a superar várias coisas.

Lembro-me de um dia que eu achei na rua um papel com um desenho de um cara em uma mountain bike. Achei aquilo o máximo e passei a ver minha bicicleta com olhos de desejo de superar meus limites. Ir com ela onde pessoas normais não iriam. Fiz fisioterapia durante 15 anos, mas o que me motivava mesmo era a bicicleta.

Minha primeira bike com câmbio foi uma Monark com 21 marchas. Com ela comecei a pedalar com mais frequência, procurando trilhas, estradão, morro e lama. 

Sempre tive o sonho de ser bom em algum esporte e um dia chegar em casa com uma medalha, mas ser deficiente físico no Brasil é bem complicado. Um atleta sem necessidades especiais não tem acessibilidade a esportes, não tem incentivo, imagina então um ciclista deficiente. Isso me deixa muito frustrado.

A bicicleta esteve presente também em outra superação: meu primeiro emprego. Fui fazer a entrevista de bicicleta e depois ia todos os dias de bike trabalhar. Foram cerca de cinco anos percorrendo 22 km por dia até o trabalho.

Hoje em dia pratico mountain bike toda semana. Procuro sempre me superar, ir a lugares novos, conhecer várias trilhas, ler e conhecer mais sobre bikes... Mas o que gosto mais é incentivar novas pessoas a essa prática, seja para cicloturismo, ciclismo de estrada ou mountain bike. Costumo eu mesmo fazer a manutenção na minha bike e gosto quando os amigos deixam as bicicletas deles lá em casa também.

De uma infância com poucos amigos, hoje, aos 33 anos, tenho muitos. Minha casa está sempre recebendo alguém que pedala e acaba parando lá, seja para um papo ou para beber uma água. Sinto-me feliz em ser reconhecido pelas pessoas como “o cara que pedala”.

Minha filha de quatro anos acabou de aprender a andar de bicicleta sem rodinhas – agora só falta a mais nova. Tenho mais dois sonhos a se realizar: participar do Desafio das Montanhas em minha cidade e, futuramente, percorrer alguns estados do Brasil junto com minha esposa, de bike, é claro.

Essa é minha história, uma história real e que ainda não terminou. Uma história que mudou drasticamente com a bicicleta. Hoje, não sou um deficiente físico, e sim um superador físico. 

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