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Uma atitude de risco!

Ciclistas, em grande maioria menores de idade, arriscam a vida em uma atitude de alto risco: pegar carona na traseira de veículos automotores, especialmente ônibus e caminhões.

Revista Bicicleta por Anderson Ricardo Schörner
1.834 visualizações
12/04/2016
Uma atitude de risco!
Foto: Banco de Imagens

Um ato imprudente e não tão raro de ser visto: o ciclista segura na traseira de um ônibus ou caminhão e vai de carona por um trecho, sem pedalar, dependurado clandestinamente. Uma brincadeira com consequências trágicas, em que qualquer descuido coloca em risco não só a vida do ciclista, mas também de outros motoristas e pedestres.

Em uma rápida busca por notícias deste teor, percebe-se que “pegar rabeira” é um ato praticado por todo o país. Em março, um jovem de 14 anos andava de bicicleta, juntamente com outros dois colegas, quando resolveram pegar carona em um caminhão, na Avenida Papa João XXIII, em Brodowski-SP. Ele se desequilibrou e caiu, ficando preso no veículo que o arrastou por cinco metros. Quando o motorista percebeu que o jovem estava preso, parou o caminhão, mas já era tarde: o ciclista estava morto. Em abril, uma criança de 10 anos também pegou carona em um caminhão na BR-364, próximo ao antigo aeroporto de Rondonópolis-MT. O menino caiu embaixo do veículo e o motorista nem percebeu o acidente, devido ao peso da carreta. São mortes prematuras que geram inúmeros questionamentos. Em princípio, porque estes ciclistas se arriscam?

Geralmente, os ciclistas que pegam carona estão em busca de adrenalina, querem se divertir com o perigo. Muitos têm em práticas estressantes, que geram adrenalina, uma espécie de vício, alimentando hábitos e atitudes agressivas e de risco.

Outro motivo que leva ciclistas a pegarem carona em automotores é não fazer esforço em uma subida, por exemplo. Mas, mesmo em menor velocidade, o acidente é iminente. Um freada ou acelerada brusca, um desequilíbrio ou outros fatores podem levar a uma queda, e como o ciclista está muito próximo do veículo, muito vulnerável, o risco de uma tragédia é muito grande.

Um ciclista de Belo Horizonte-MG, hoje com 50 anos, que prefere não se identificar, afirma que quando tinha 18 anos de idade começou a se aventurar nesta prática de pegar carona em veículos automotores. “Na época, as bicicletas eram bem mais pesadas e eu não tinha o espírito que tenho hoje, de que o bacana mesmo é vencer a subida com as minhas próprias forças”, conta.

A sua mudança de comportamento veio da percepção de que não valia a pena correr os riscos a que se submetia. “Uma vez um motorista de ônibus me prensou de propósito contra uns carros estacionados. Não me machuquei, mas percebi que dependia inteiramente do motorista do veículo que me rebocava. Já passei uns sustos também nuns buracos que aparecem na pista. Chegou um momento em que compreendi que não vale a pena o risco. Amadureci”.

O artigo 201 do Código de Trânsito Brasileiro obriga que o motorista respeite uma distância mínima de 1,5 metro ao ultrapassar um ciclista, porque esta distância protege a vida daqueles que estão no trânsito. Qualquer motivação que leve o ciclista a uma queda o coloca em risco na estrada. É óbvio, portanto, que o ciclista também respeite esta distância, para o seu próprio bem. Além disso, a velocidade e peso de um veículo automotor são incompatíveis com o ciclista, não há nenhuma forma segura de um ciclista transitar utilizando a tração de um automotor.

E o que o motorista pode fazer? A Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo orienta aos motoristas que, quando houver algum ciclista pegando carona em seu veículo, permaneçam parados, estacionados em local permitido ou, no caso de ônibus, em pontos de parada. Zé Lobo, da ONG Transporte Ativo, do Rio de Janeiro-RJ, também orienta: “nestes casos, minha dica é que o motorista diminua a velocidade, assim a carona ‘perde a graça’ e o ciclista vai desengatar. Acredito ser a forma mais segura de evitar essas caronas”. Mas é uma situação complicada, especialmente com veículos grandes, em que o motorista tem um campo de visão limitado e muitas vezes nem vê que há um ciclista na rabeira.

Não há nenhum motivo que possa validar esta prática. O resultado dela pode ser a morte ou uma vida com sequelas da tragédia. Siga o exemplo do ciclista mineiro, ex-pegador de carona, que afirma: “sou um sobrevivente, eu podia ter morrido com estas e outras maluquices. Basta um único momento para a sua vida saudável mudar completamente de rumo. Quero continuar pedalando, não deixo mais meu destino em mãos alheias”.

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