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A nova mobilidade das bicicletas

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A nova mobilidade das bicicletas
Foto: Mariana Gil/WRI Brasil

As inovações tecnológicas que deram origem ao movimento da Nova Mobilidade têm o potencial de promover uma quebra de paradigma na mobilidade, ao incorporar no cenário dos nossos deslocamentos cotidianos serviços de transporte sob demanda como o Uber, sistemas de compartilhamento de bicicleta sem estações e até veículos autônomos.

Com frequência cada vez maior, novas empresas e aplicativos passam a integrar esse mercado: conforme informações da Tracxn, plataforma “rastreadora” de start-ups, 2.436 empresas foram fundadas em 2016 no setor de tecnologias de transporte. Entre elas, apenas 125 se encaixavam em uma categoria semelhante ao Uber, o que indica uma diversidade de serviços de mobilidade crescente.

Ao encarar a mobilidade como serviço e como negócio, novas empresas apostam também na bicicleta como meio para atender às necessidades de transporte nas áreas urbanas. “A mobilidade é um negócio. É um serviço de que todos precisam, e um grande desafio para as cidades brasileiras hoje. Temos menos opções de transporte em relação a cidades de países desenvolvidos, por exemplo, então é uma oportunidade”, avalia Alexandre Mattos.

Alexandre é cofundador da Loop, sistema de bicicletas compartilhadas com estações virtuais de Porto Alegre. O projeto, criado em 2015, recentemente reformulou seu modelo de negócios para se tornar um dos pioneiros na América Latina a usar, em vez de estações fixas instaladas na rua, parcerias com pontos de alta movimentação de pessoas como “estações”. São os chamados “Loop points”, que podem ser supermercados, cafés, lojas etc. O usuário desbloqueia a bicicleta utilizando o aplicativo, que destrava o cadeado digital localizado na bike, utiliza-a e faz a devolução no loop point mais próximo.

“É um mercado que tem muita demanda, mesmo com sistemas já existentes operando na cidade, como o BikePOA. Nosso diferencial está na experiência do usuário – nos preocupamos com isso desde o download do app até o uso da bicicleta na tua”, acrescenta Alexandre. Atualmente, 20 bicicletas da Loop rodam em Porto Alegre. A expectativa é abranger outros bairros da cidade ainda este ano, cobrindo regiões onde o BikePOA não chega, e posteriormente levar o sistema para outras cidades.

Consolidar uma empresa nova em um mercado onde já operam nomes maiores e reconhecidos é um desafio para os empreendedores da mobilidade. Bikxi e Chica, que concorrem no Desafio InoveMob, também encaram esse cenário.

Roberto Speicys, da Scipopulis, start-up que desenvolveu a Chica – Bicicleta Inteligente, acredita que, no caso das bicicletas compartilhadas, estamos diante de um mercado ainda em desenvolvimento: “O mercado de bicicletas compartilhadas ainda está se consolidando. Existem diversos modelos de negócio e arranjos institucionais que são dificilmente adaptáveis de um país para o outro. Existem diferenças culturais, governamentais, econômicas e institucionais que fazem com que o sistema que funciona bem na China não funcione em Paris e o que funciona em Paris não funcione em São Paulo. O principal desafio é encontrar um modelo que seja viável em cada cenário onde a bicicleta compartilhada é útil como solução sustentável de mobilidade”.

A Scipopulis desenvolve tecnologias para mobilidade urbana e, em 2015, deu início ao projeto da Chica, um sistema de compartilhamento de bicicletas sem estações. Já em operação na Universidade Federal do Acre (UFAC) e na Universidade Federal de Goiânia (UFG), a Chica tem custo de implantação menor do que os modelos tradicionais e permite que a cidade opere o sistema de forma indepentente.  As bicicletas possuem GPS, painel de energia solar e uma trava controlada por senha. O usuário localiza a bicicleta mais próxima usando o celular, reserva e libera a trava a partir da senha fornecida pelo aplicativo. Depois do uso, a bicicleta volta a ser travada e está pronta para atender o próximo usuário.

Além de um modelo de negócios bem estruturado, que viabilize financeiramente a operação da empresa/solução, os desafios de quem entra no mercado da nova mobilidade também incluem a concorrência qualificada: “É um mercado com grandes players. Existe muita inovação e diversos problemas a serem solucionados – mas isso gera oportunidades. É preciso sempre buscar trazer valor real para o usuário”, pontua Danilo Lamy, fundador e CEO da Bikxi. Como o nome indica, a Bikxi oferece o serviço de táxi, mas utilizando bicicletas duplas elétricas – ou seja, fora do trânsito. O usuário solicita o transporte e um condutor treinado realiza o trajeto. Em funcionamento há pouco mais de meio ano, o programa já realizou mais de 16 mil corridas nas rotas disponíveis em São Paulo, evitando a emissão de 8,5 toneladas de CO2.

Condutor e usuária da Bikxi em trajeto na Avenida Paulista  - Foto: Bikxi/Divulgação

A nova mobilidade desencadeou a reinvenção das noções de posse e entrega dos serviços de transporte, utilizando a tecnologia para oferecer às pessoas novas maneiras de se deslocar na cidade. “Em diversas áreas, a tendência, hoje, não é mais ter a posse, mas fazer o uso compartilhado. Com a mobilidade não é diferente. Esse é um mercado difícil, e é preciso ter paciência e estar sempre pronto para se readaptar, mas tem futuro. Acreditamos muito nisso. As bicicletas são o meio de transporte no futuro – mais rápido, mais barato e sustentável”, afirma o cofundador da Loop. Para Roberto, estamos diante de uma transformação: “A mobilidade está se transformando e as tecnologias vão mudar a forma como as pessoas se locomovem, criando novos negócios. Acho que os ganhos de eficiência e escala decorrentes do uso da tecnologia vão transformar a mobilidade do futuro em um excelente negócio”.

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