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Falta de mobilidade urbana impede que mais pessoas troquem o carro pela bicicleta

Com o aumento da frota de carros em Ribeirão Preto, especialista em trânsito vê a bicicleta como uma saída

Por Revide
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Falta de mobilidade urbana impede que mais pessoas troquem o carro pela bicicleta
Foto: Divulgação

Em diversas cidades do mundo, o dia 22 de setembro é conhecido como o “Dia Mundial Sem Carro”. A data, além de promover atividades em defesa da sustentabilidade, atenta-se também para a importância de meios alternativos de transporte nos grandes centros urbanos. Seja optando pelo transporte público ou a bicicleta, o dia serve para que as pessoas se conscientizem e utilizem estes meios de transporte, não apenas na data, mas durante todo o ano.

Em Ribeirão Preto, com o crescimento da frota de automóveis, muitas pessoas buscam por opções mais econômicas, menos estressantes e mais saudáveis, como a bicicleta, por exemplo.

Nos últimos 20 anos, a frota de veículos registrada na cidade cresceu 148%, de acordo com dados do Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran.SP), passando de 215.043 automóveis, em 1997, para 532.814 em dezembro de 2017. No mesmo período, segundo informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população ribeirãopretana cresceu aproximadamente 48% (682.302 habitantes). Ao todo, o valor equivale a quase 1,2 habitante por carro.

Já na Região Metropolitana de Ribeirão Preto, o número é bem maior. Em março deste ano, a frota ultrapassou 900 mil automóveis. A pesquisa foi realizada pela Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (Acirp), por meio do Departamento de Inteligência Competitiva e do Instituto de Economia Maurílio Biagi.

Carros x Bicicletas

Um carro parado ocupa, em média, o espaço de dez bicicletas. “Incentivar o uso deste veículo é evitar congestionamentos. É preciso dar condições para que o ciclista possa trafegar de forma segura, pois, atualmente, ciclovias são essenciais. Elas deixam a cidade mais bonita, facilitam a vida do ciclista e incentivam aqueles que têm medo de se aventurar entre os carros, a utilizar este meio de transporte como forma de locomoção diária”, comenta o especialista em planejamento e gestão de trânsito, Luiz Gustavo Correa.

Segundo um levantamento da Agência Brasil, a produção de bicicletas no Polo Industrial de Manaus (PIM) aumentou 35,2% em agosto de 2018, em relação ao mesmo período do ano passado. No PIM estão concentradas as maiores fabricantes do País, que revendem seus produtos para diversos municípios. De acordo com a agência de notícias, o aumento das ciclovias em diversas cidades estimularam esse crescimento.

Correa acrescenta que em cidades modernas, com o diferencial em mobilidade urbana, é comum estimular esse tipo de transporte. “São diversos motivos. Entre eles, a melhoria no fluxo do trânsito e a maior praticidade e rapidez de locomoção, sem contar os benefícios como redução na emissão de CO² e dos problemas de saúde. Com a população mais ativa, diminuem riscos de doenças cardiovasculares.

Para Danilo Terra, que é coordenador da equipe de ciclismo de Ribeirão Preto, a cidade é referência no uso da bicicleta, principalmente para competição e o lazer. “Atualmente, temos no município a principal equipe de ciclismo do País e a Ciclofaixa de Lazer aos domingos, que proporciona um local seguro para a família ribeirãopretana praticar a modalidade, além de diversos grupos de passeios noturnos e trilhas”, comenta.

Segundo Terra, para o transporte, o município tem um projeto de malha cicloviária que deve ser implementado em breve. “Muito em breve, o projeto proporcionará a estrutura necessária e segura para que os ciclistas possam transitar por todas as regiões da cidade, já que, atualmente, temos pequenos trechos e sem nenhuma conexão entre eles. Não tenho dúvidas de que o município está no caminho certo para que a bicicleta ocupe um espaço ainda maior na mobilidade urbana", conclui.

Com a palavra, os ciclistas

Fernando Agostini é estudante, editor de vídeos e skatista. Para as três atividades, ele usa a bicicleta como meio de locomoção. Seja colocando a mochila nas costas e indo para o trabalho, ou o skate apoiado no guidão, o seu veículo preferido continua sendo a magrela. “Eu uso a bicicleta todos os dias e para tudo. Se me der vontade de ir no shopping tomar um café ou ver um filme, eu vou de bicicleta”, comenta.

Ele conta que possui à disposição um carro e uma motocicleta, mas prefere a bike, tanto pela sua saúde, quanto pela economia no final do mês. “Fazendo uma conta por cima, eu pedalo cerca de 30 km todo dia, o que dá 150 km por semana. De moto eu gastaria aproximadamente R$ 20 semanais de gasolina. No carro seria algo perto de R$ 140”, explica Agostini.

Já o estudante Diego Castro mora em Pradópolis, a “Terra da bicicleta”, e estuda em Ribeirão. Em sua cidade, o estudante trabalha na Câmara Municipal e utiliza a bicicleta para se locomover. “Como é uma cidade pequena, acaba compensando ir de bicicleta. E é uma forma de me exercitar, também. Desde sempre, a bicicleta foi um meio de transporte mais prático por aqui, no ensino médio praticamente toda a escola ia de bicicleta, poucos de carona e alguns de ônibus escolar. Mas a maioria era de bike”, relembra Castro.

Há quem foi mais além no amor pela magrela e transformou ele em pesquisa acadêmica. O professor de geografia, Ricardo Tatu, desenvolveu em seu trabalho de conclusão de curso (TCC), na faculdade, um projeto cicloviário para a cidade de Brodowski, na qual trabalha atualmente.

“Desenvolvi um trajeto pela cidade, inclusive pelas vias que chegam até bairros periféricos, interligando serviços essenciais para os cidadão. Estou buscando apresentar o projeto para o prefeito de Brodowski”, explica.

Apesar de gostar do meio de transporte, Tatu admite que está cada vez mais difícil ser ciclista em Ribeirão. “Independente de eu estar de bike, o motorista ribeirãopretano é muito ruim, egoísta, barbeiro e atrapalhado. Não tem a mínima noção de respeito e cuidado com os outros. Ultrapassam colados aos ciclistas” critica.

 

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