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Paulistano chega a Valparaíso, no Chile. De bike

De Rio Grande (RS) à cidade chilena foram 1.930 km pedalados, via Uruguai e Argentina, pelos Andes, até Pacífico

Por Mobilize
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Paulistano chega a Valparaíso, no Chile. De bike
Diego na descida da Cordilheira dos Andes
Foto: © Diego Salgado

O jornalista Diego Salgado estava ontem (2) em Los Andes quando falou ao Mobilize. Ele chegou à cidade chilena na noite de segunda-feira, depois de descer 60 km pela estrada repleta de curvas e de caminhões na Cordilheira dos Andes, entre a Argentina e o Chile . "Em alguns pontos eu alcançava 45 km/h e seguia perigosamente ao lado dos caminhões, mas não queria reduzir para aproveitar o embalo da descida", explicou.

Hoje ele já atingiu seu objetivo e está em Valparaíso, a grande cidade portuária chilena, no Pacífico, depois de percorrer 1.930 km no pedal. O plano era rodar 2.019 km, mas no caminho, por conta da neve e da proibição de circular com a bicicleta em alguns trechos, ele teve que recorrer a uma carona nos 180 km de subida da Cordilheira. Antes, ele havia ficado parado, de quarta a domingo, na fronteira entre a Argentina e o Chile, atrás de uma fila de quase 2 mil caminhões que também aguardavam a liberação da pista.

A viagem comecou na cidade de Rio Grande (RS) no dia 3 de setembro, mas os ventos contrários e os conselhos de moradores adiaram a partida até o dia seguinte. Mesmo assim, a largada para a estrada que leva à fronteira com o Uruguai foi um dos piores momentos da travessia. Diego havia planejado a viagem meticulosamente ao longo de seis meses, mas logo de saída, notou que levava peso demais: muita comida e cartuchos de gás, e roupas em excesso. "Saí ainda com o vento contrário, sob chuva, sem passar dos 4 km/h, o que foi desesperador. Um saco plástico se enrolou na corrente da bicicleta e eu jurei que iria desistir quando chegasse na próxima cidade", recorda.

O trajeto da viagem, a partir de Rio Grande (RS) - Fonte: Google Maps

Não foi em uma cidade, mas na Reserva Ambiental do Taim, que depois de uma boa noite de sono e um café, ele começou a compreender que o maior desafio não seria físico, nem mecânico, mas sobretudo emocional. Como na canção-mantra de Walter Franco: "Tudo é uma questão de manter, a mente quieta, a espinha ereta, e o coração tranqüilo". E assim foi.

Diego seguiu adiante, passou pelo Arroio Chuy e entrou no Uruguai pelo litoral, passando por Punta del Este, de onde seguiu até a capital Montevideu. De lá, via ferry-boat, cruzou o rio da Prata e chegou a Buenos Aires, cidade complexa, difícil para pedalar e encontrar sua saída, pela Ruta 8, que leva até San Luís, em meio a uma região desértica.

Como evitar furos

Até ali, em mais de 1.000 km, nenhum pneu furado. Mas, perto de San Luís, na estrada seca, cheia de poeira, espinhos e outras coisas pontudas, foram onze furos, cinco deles em um único dia. Para completar o ciclo negativo, o único bicicleteiro disponível estava em um péssimo dia, sem nenhuma vontade de atender a aventureiros malucos. O resultado foi uma porca mal apertada, que logo  desgastou a rosca do eixo traseiro e quase soltou a roda, bem no meio do caminho. O apoio foi encontrado na vila de La Dormida, onde um mecânico local, o Sebastian, dedicou um dia de trabalho à Caloi de Diego. Sem solução, ele cedeu as rodas de sua própria bicicleta. E reforçou os pneus de uma forma curiosa: encaixou pneu usados, de aro menor, dentro dos pneus externos. Daí em diante, nenhum furo.

Ora acampado, ora em pequenos hoteis, Diego descobriu um excelente apoio nos postos de gasolina da rede YPF: "Em todos os postos eles permitem que se pernoite e em muitos casos as pessoas nos ajudam, oferecem comida, lanches e muita solidariedade. Ele, que é um jornalista especializado em esportes, constatou também que a rivalidade nos campos de futebol nada tem a ver com a calorosa acolhida oferecida pelos argentinos aos visitantes brasileiros.

"Em uma cidade, fui recebido por policiais, que me chamaram para o pátio da delegacia e me ofereceram um churrasco delicioso. Em outras localidades, fui convidado para jantar ou para acampar nos quintais de moradores. As pessoas viam a bicicleta, notavam a bandeira brasileira e se aproximavam para conversar", conta Diego.

Imagens da viagem: veja mais em http://picbear.xyz/diego_salgado21

Piores e melhores

Além da partida sob vento e chuva, em Rio Grande, um dos piores momentos foi um trecho na região desértica, com altas temperaturas e ventos contrários. "Eu estava com sede, tinha apenas um litro e meio de água e ainda tinha que percorrer muitos quilômetros. Racionei a água, defini que tomaria um gole a cada 15 km e consegui chegar até um posto de pedágio, onde foi possível reabastecer as garrafas"

Os dois melhores momentos surgiram, como prêmios,  na Cordilheira. Primeiro, um trecho de subida, entre Lujan de Cuyo e Potrenillos: "Segui o conselho de um senhor que conheci em Mendoza e em vez de pegar a Ruta 7, que é mais movimentada, optei pela estrada mais tranquila, a Ruta Panamericana. A subida é difícil, mas depois de passar por um túnel, a paisagem se abriu em um lago azul entre as montanhas nevadas, de uma beleza difícil de acreditar. Fiquei tão emocionado, que voltei para trás e montei a câmera no capacete para filmar tudo. O segundo momento mágico foi a descida da Cordilheira. Cheguei de ônibus no posto da fronteira, conversei com os policiais e eles informaram que a descida é sim permitida. Peguei a bike, toquei para baixo e foi muita adrenalina".

Ourto momento muito humano foi a ajuda que ele recebeu de dois ciclistas para vencer um trecho de subida. "Estava muito cansado e achei que não conseguiria seguir adiante. Parei, pensando em acampar ali mesmo onde estava, quando surgiram os dois companheiros, pai e filho. Eles se colocaram ao meu lado e literalmente me empurraram montanha acima por quase 20 quilômetros", recorda Diego.

Tantas memórias e imagens estarão no livro que ele promete escrever, logo depois que chegar a São Paulo, nesta quinta-feira, desta vez de avião. A propósito, Diego Salgado foi estagiário e colaborador do portal Mobilize entre 2011 e 2013. Ciclista desde a infância, usou a bicicleta para economizar dinheiro quando trabalhava em uma lanchonete. Depois, para ganhar dinheiro, foi para os Estados Unidos, onde lavava carros, entregava pizzas, sempre de bicicleta. Hoje, repórter esportivo do Uol, continua usando a magrela em suas idas e vindas na cidade de São Paulo. Seja bem-vindo, caro amigo.

Para saber mais e ver mais fotos, acesse o link  http://picbear.xyz/diego_salgado21 

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