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Um novo ciclo olímpico se inicia

Por Raiza Goulão
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Um novo ciclo olímpico se inicia
Foto: Divulgação

Sabe aquele mix de emoções, fortes sensações e expectativa a mil que antecede a data em que irá iniciar uma nova etapa de sua vida, em que irá mudar suas metas ou mesmo servirá para traçar um novo objetivo?

Bem, é mais ou menos assim que me sinto agora (em proporções consideravelmente maiores do que quando me preparo para meus demais desafios). Serão 2 anos para o maior evento esportivo do planeta. Nesse período, buscarei não cometer os mesmo erros do meu primeiro ciclo olímpico. Na preparação para o Rio, faltava experiência e jogo de cintura para saber como melhorar cada detalhe que, mais à frente, se revelaria essencial. O MTB mundial alcançou um nível em que cada mínimo ajuste é capaz de ser determinante, seja na leitura certa dos momentos em que se deve entregar mais aos treinos, seja no momento em que se deve, acima de tudo, respeitar o corpo e dar a ele o devido descanso. Nesse processo, atletas como eu precisam saber que, às vezes, é necessário recusar um jantar com os amigos em uma pizzaria, mas, em outros momentos, é mais do que aceitável valer-se do direito a um café com um pedaço de bolo.

Entre alguns erros que cometi em meu primeiro ciclo olímpico estão não ter o autoconhecimento afinado, não saber (ou não assumir) quando era de fato necessário descansar ou treinar mais, não dar atenção aos detalhes, não repetir, repetir e repetir os trechos técnicos, não controlar minha ansiedade e, às vezes, deixar minha dieta e meu emocional ir pelos ares. Na verdade, olhando para trás, hoje eu seria capaz de fazer uma lista enorme com tais erros. Rio 2016: minha primeira Olimpíada e, ainda por cima, em casa, em meu país... Oh my God!
 

Minha primeira vez na Vila Olímpica foi algo surreal! Eu estava nervosa e com todos os sentimentos à flor da pele. Já no grande dia, o momento do aquecimento dos atletas, em que me vi em meio a uma multidão que gritava como um grito de guerra: Raiiiiza, Raiiiiza, Raiiiza! O arrepio ali era tamanho que, em alguns momentos, por perder o foco no aquecimento, cheguei a quase cair do rolo. Ver o público me apoiar sempre, mesmo competindo lá atrás, na 18ª/19ª colocação, é algo único.

Ao sair daquela arena olímpica, uma meta eu defini: em 2020 seria diferente, seria uma Raiza mais madura, mais centrada.

Nós, seres humanos, enfrentamos diariamente as complicações ao lidarmos com nossas metas, principalmente quando elas representam um objetivo um pouco mais distante. A verdade é que não é nada difícil se perder no meio do caminho, esmorecer... Mas desta vez não foi assim. Com minha meta maior traçada em 2016, iniciei 2017 em uma equipe UCI e coloquei toda minha dedicação no que mais amo. Dali pra frente, resultados apareceram e metas foram batidas. Sempre com uma busca interminável pela melhora de performance, pelo peso ideal e pelo equilíbrio entre mente e corpo. Nesse caminho nada fácil, é indispensável ter ao nosso lado pessoas que acreditam na nossa essência, nos nossos passos, pessoas que estejam ali nos bons e nos maus momentos, pessoas verdadeiras, acima de tudo.

Assim, minha temporada 2017/2018 se inicia. Minha família, da qual tenho apoio incondicional, por vezes precisa segurar a barra de sequer saber onde estou competindo, como estou me sentindo... Mas as energias sabem bem o caminho até mim e viajam por milhares e milhares de quilômetros para vir falar direto com meu coração. Ao longo dessa jornada, tive a felicidade de conhecer uma pessoa iluminada, que veio a se tornar meu melhor amigo, meu coach e meu segundo pai. Com ele, assim como com todos aqueles que são especiais em minha vida, pude contar sempre que foi preciso, a qualquer hora, em qualquer situação.

Para uma brasileira que vive na Europa, a solidão em meio a um continente distante de casa é algo comum, que serve para entender melhor os próprios sentimentos e para saber que Deus não nos deixa desamparados. Nunca! 

2017 me trouxe uma mudança de treinador em plena temporada. Isso não é o ideal, na maioria dos casos, porém se mostrou necessário. Eu precisava de mais contato direto com meu treinador, mais proximidade e comunicação. Arrisquei a mudança e obtive novos treinamentos, descobri novos limites do meu corpo, com um trabalho em conjunto entre treinador, tricionista, coach, psicólogo e família.

Ainda olho para trás e vejo o peso dos erros que cometi. Mas ao olhar para o amanhã e as dezenas de projetos que ele me reserva, sinto cada vez mais motivação para a superação. Meu coach, Flavio, sempre diz: o problema você já tem. E aí, vamos pensar na solução?

Entre tudo o que a vida já me mostrou, optei por me apaixonar por este ensinamento: TENHA CUIDADO COM O QUE VOCÊ SONHA, PORQUE PODE, SIM, SE TORNAR
REALIDADE.

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